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Crítica de TeatroEspetáculos

Crítica: Wicked

Avatar de Paulo Olivera
Paulo Olivera
5 de outubro de 2016 4 Mins Read
Para ver mais de uma vez
 
wicked-brasil04 de março de 2016, sem dúvida alguma, foi um dia muito marcante, pelo menos para quem está e/ou esteve no elenco de Wicked, que realizou sua primeira apresentação no Teatro Renault, em São Paulo. O sucesso do musical da Broadway no Brasil foi tão grande que a temporada foi estendida e se mantem em cartaz até hoje, trazendo a história não contada das bruxas de Oz.
 
O musical Wicked, que já ganhou muitos prêmios, é baseado na obra literária, de mesmo nome, escrita por Gregory Maguire. Ela foi adaptada por Winnie Holzman e teve suas músicas compostas e escritas por Stephen Schwartz. Em cartaz há quinze anos e com cinco produções ao redor do mundo (Nova York, Londres, Austrália, uma turnê no Reino Unido e uma turnê nos EUA), a versão brasileira é um primor e está sendo considera uma das melhores montagens.
 
Nela conhecemos Elphaba, uma bruxa que por um “acaso” nasceu verde e com isso não tem amigos e nem é uma pessoa muito querida pelas demais ao seu redor. Quando ela vai para a faculdade conhecemos Glinda, uma garota “normal”, loira e bem popular. No início as coisas não vão muito bem entre elas, mas aos poucos uma amizade começa a crescer e muitas coisas vão acontecendo para formar a clássica história do “O Mágico de Oz”, de L. Frank Baum. Assim conhecemos como Elphaba se tornou a bruxa má, mas não tão má quanto esperávamos.
 
A versão brasileira foi feita por Mariana Elisabetsky e Victor Mülethaler, que não só traduziram o texto, mas em conjunto com a direção residente de Rachel Ripani, conseguiram adaptar todo o contexto lúdico para uma versão bem brasileira com direito a inclusão de piadas e ritmos característicos de nossa cultura, dando liberdade ao elenco de poder brincar e se divertir com seus personagens. Tal brecha fez com que nossa versão tivesse um brilho a mais.
 
Vânia Pajares, Diretora Musical Residente e 1ª Regente, se uniu a Adam Souza, Supervisor Musical, para fazer pequenas adaptações nas músicas afim de encaixar o português de forma mais coerente e em sintonia. Tal árduo e brilhante trabalho feito por eles que, com exceção de “Desafiando a Gravidade (Defying Gravity)”, essas pequenas mudanças são praticamente imperceptíveis.
 
Para descrever os figurinos de Susan Hilferty nos faltam palavras, são tão lindos, com uma palheta de cores tão alinhada, que o Tony de melhor figurino é mais do que merecido. A cenografia de Eugene Lee é de cair o queixo, embora teve uma senhora ousada que teve a audácia durante o intervalo de falar “Achei muito simples o cenário”. Para o Teatro Renault, que tem um histórico como a “casa dos musicais” em São Paulo, receber Wicked, uma série de alterações em sua estrutura foram feitas e uma reforma foi necessária para que quando entrasse, já pudesse sentir aquele clima lúdico de Oz, que segue até o final das quase 3h de apresentação.
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Foto: Marcos Mesquita / Divulgação.
O trabalho de escolher o elenco para dar vida aos famosos personagens ficou a cargo da Produtora de Casting Marcela Altberg, que acertou em cheio em 99% de suas escolhas. Myra Ruiz, que é linda mesmo verde, com uma enorme presença que palco e um estonteante alcance vocal, consegue dar o tom certo para Elphaba, que conquista o coração de qualquer um. Falando em conquistar, Fabi Bang consegue fazer com que não sinta raiva das escolhas e atitudes de Glinda, deixando a personagem meiga, engraçada e super carismática. Com Giovanna Moreira, vivendo Nessarose, já acontece o contrário e é isso que faz sua interpretação ser tão interessante.
 
Miguel Falabella que fez o Mágico de Oz em um exclusivo final de semana, como participação especial, não só interpretou seu personagem como se deu a liberdade de ser ele mesmo no palco, o que acarretou momentos únicos. Talvez o único equivoco, não erro, foi a escala de Jonatas Faro como Fiyero. Ele tem o perfil, tem o carisma para ser o personagem, mas seu alcance vocal quando faz o dueto com Myra não casa. É como fosse, chulamente falando, Sandy e Jr, que todo mundo ama, mas ela é a primeira voz e ele a segunda, destoando um pouco do que era para ser um dueto romântico. Porém, nada muito grave.
 
Deixar de assistir é quase um pecado, assistir só uma vez também. A impecável produção da Broadway, com a “cara” brasileira é mais uma prova da enorme qualidade artística que temos em nosso país. Ainda que muitas coisas vieram de fora, prontas, sem os incríveis profissionais daqui, desde a parte técnica ao coro, bailarinos e o elenco principal, a magia não seria possível. Sem dúvida alguma “Wicked” é um dos melhores musicais de todos os tempos. Abordando temas comuns como amor, amizade, respeito e etc, ele atravessará e conquistará muitas gerações que não terão palavras para descrever com exatidão o que é sentido ao ver o musical. Aplausos!

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MusicalTeatroWicked

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Paulo Olivera

Paulo Olivera é mineiro, mas reside no Rio de Janeiro há mais de 10 anos. Produtor de Arte e Objetos para o audiovisual, gypsy lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, workaholic e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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