Crítica(2): Creed 2

Lute pelo que importa, supere-se e conquiste

Seguindo a linha do primeiro longa – filme que apresentou Adonis Creed a franquia Rocky – “Creed 2“, continua sendo um filme dramático e humano, no qual a luta não é apenas dentro do ringue mas também no psicológico dos personagens.

Pode-se dizer que os filmes Creed são um retorno de Sylvester Stallone ao bons momentos da carreira, tanto como roterista quanto ator, e não é atoa que o mesmo recebeu a indicação ao Oscar por “Creed: Nascido Para Lutar“.

E, por sua vez, um ator que cada vez mais conquista espaço e se afirma entre os grandes, é Michael B. Jordan. Segurando com maestria a elevada carga dramática do seu personagem, ele não só demostra seu potencial, como pede passagem para futuras e maiores conquistas, e em tempo de Oscar, esse é um vislumbre do que o futuro pode reservar para esse ator.

Em “Creed 2, Adonis Creed, após alcançar o ápice do sucesso, precisará lutar consigo mesmo. Entretanto, a luta psicológica é mais difícil do que as que ocorrem nos ringues, e não afeta apenas Adonis mas todos a sua volta. Todo o conflito do filme ocorre a sombra do passado, que traz de volta velhas rivalidades para uma geração que sustenta o peso da vida de seus pais.

Existe cuidado em refinar os personagens, em seus erros e acertos, não existe maiores vilões para os próprios do que eles mesmo. Com uma construção bem feita, eles são aprofundados com enfase em suas estruturas emocionais e como essas afetam o exterior. Isso vale para todos não apenas para o protagonista. Para Creed, permanece a necessidade de se afirmar como campeão, além disso o mesmo precisa sair da sombra de quem um dia seu pai foi. Isso é usado como instrumento de motivação para o personagem, em sua luta constante consigo mesmo. Da mesma forma que é feito com Ivan Drago (Dolph Londgren) que tenta achar no filho, Viktor Drago (Florian Munteanu),  a solução para suas próprias frustrações no passado.

Vale destacar o bom trabalho no roteiro escrito por Sylvester Stallone e Juel Taylor. Os roteiristas buscam a todo momento aprofundar os personagem, sem pressa, coesos nas decisões dos mesmos. Mais que tudo, como foi feito no filme anterior, a trama aposta nas situações do cotidiano que ajudam a moldar os personagens – emocionalmente e psicologicamente. E para ajudar a amenizar a  tensão nas cenas, o filme possui também pequenos alívios cômicos, soltos durante a história, que funcionam bastante e ajudam deixar mais leve certos momentos.

A trilha sonora é bem colocada durante o longa, mas fria e pesada durante as cenas dramáticas e marcante nas cenas de ação, treinamento e luta, revivendo temas clássicos da franquia, que apelam para o lado nostálgico. Falando nisso, o apego a nostalgia e referências de filmes anteriores é constante, não só com a trilha, mas também em: objetos em cena, citações a personagens e situações durante diálogos, e até mesmo com o retorno de Ivan Drago.

No geral, “Creed 2” basicamente se resume em drama, luta e mais que tudo superação . Os momentos dramáticos trazem arrasto e intensidade aos personagens. Enquanto as cenas de luta, com a ajuda da trilha sonora e bom trabalho com movimentos de câmera, fornecem bastante agilidade para o longa e fazem você se sentir praticamente dentro de um ringue. As boas coreografias e o excelente desempenho da maquiagem são a cereja do bolo, deixando tudo ainda mais verosímil.

Por fim, a conclusão do protagonista e o resultado de seus diferentes tipos de luta acabam sendo um tanto quanto clichês e esperados. Contudo, em seu desenrolar,  “Creed 2” trabalha com maestria seus temas e em diferentes frentes, sendo as principais: o físico e o emocional – deixando claro que não se trata apenas de um filme sobre boxe, mas de uma história de perseverança e superação, recheada de questionamentos.


Fotos e Vídeo: Divulgação/Warner Bros. Pictures

Crítica(2): Creed 2
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