Documentário de Rafael Moraes acompanha o luto e a reconstrução da equipe após o acidente de 2024, unindo relatos de familiares e sobreviventes à temporada de 2025
Exibido no Festival do Rio 2026, “Depois do Impacto: A História do Coritiba Crocodiles” relembra a tragédia que atingiu o time paranaense de futebol americano e acompanha tudo o que aconteceu depois dela. Dirigido por Rafael Moraes, o documentário aborda o acidente de ônibus ocorrido em 21 de setembro de 2024, na Serra das Araras, que matou Daniel Santos, Lucas Barros e Lucas Padilha, além de deixar integrantes da equipe feridos.
É um tema pesado e que poderia facilmente resultar em 106 minutos difíceis de assistir. O documentário encontra um bom equilíbrio ao dividir sua atenção entre as lembranças do acidente, os depoimentos de quem viveu aquele momento e a volta do Coritiba Crocodiles aos campos. A emoção está presente praticamente o tempo inteiro, principalmente quando familiares e jogadores falam sobre os três atletas e sobre a dificuldade de seguir em frente depois do que aconteceu.

A volta aos campos depois da tragédia
Boa parte da história acompanha a temporada de 2025. Cerca de seis meses depois do acidente, o Coritiba Crocodiles decide voltar às competições carregando o lema “Por Eles, Pra Eles”. O retorno passa a ter um significado completamente diferente para jogadores, comissão técnica e familiares.
A câmera acompanha treinos, bastidores e partidas, mas abre bastante espaço para as pessoas contarem suas histórias. Adan Rodriguez, Felipe Filipak, Anderson Kvas, Johnny Mitchell, sobreviventes e familiares aparecem ao longo do documentário falando sobre o acidente, os companheiros que morreram e o que mudou depois daquele dia.
Esses relatos fazem muita diferença porque permitem entender que a tragédia atingiu muito mais do que um time. Existiam amizades, famílias e planos interrompidos. Quando o documentário volta aos campos depois desses depoimentos, assistir à equipe jogando ganha outro peso.
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Os depoimentos carregam os momentos mais emocionantes
Rafael Moraes não precisa criar situações para tentar arrancar emoção do público. Ela já está nas histórias contadas pelos próprios envolvidos. Os familiares protagonizam alguns dos momentos mais fortes, principalmente quando falam sobre Daniel Santos, Lucas Barros e Lucas Padilha. As pausas durante os relatos, as lembranças e a dificuldade de algumas pessoas para falar sobre o assunto dizem muito.
As imagens das partidas funcionam muito bem ao lado desses depoimentos. O futebol americano não aparece apenas porque o filme acompanha um time da modalidade. Os jogos fazem parte da reconstrução dessas pessoas. Depois de conhecer um pouco do que os atletas viveram, cada retorno ao campo passa a representar uma etapa dessa tentativa de continuar.
A montagem de Gustavo Ribeiro acerta ao intercalar entrevistas, imagens de arquivo, treinos e partidas sem deixar o documentário preso somente ao acidente. Passado e presente aparecem juntos durante boa parte dos 106 minutos, e essa escolha ajuda o filme a manter um bom ritmo. Mesmo com uma duração considerável e um assunto pesado, não existe aquela sensação de que o tempo está demorando a passar.

Fotografia coloca o espectador dentro dos jogos
A fotografia de João Atala também está entre os destaques. Campos, estádios, vestiários e os espaços escolhidos para os depoimentos são muito bem aproveitados, mas são as partidas que rendem alguns dos melhores momentos visuais.
Existe uma preocupação em transmitir a velocidade e principalmente o contato físico do futebol americano. Mesmo quem não acompanha o esporte consegue sentir a intensidade das jogadas e perceber o quanto estar novamente em campo significa para aqueles jogadores.
A trilha original de Arthur Decloedt acompanha os momentos emocionais sem precisar indicar o tempo inteiro o que o público deveria sentir. O trabalho de desenho e mixagem de som de Alexandre Rogoski ganha ainda mais força durante as partidas, com os impactos entre os jogadores, os sons do estádio e da torcida. Em outros momentos, o silêncio funciona tão bem quanto qualquer música.
Produzido pela Apeiron Filmes em associação com NFL Brasil e Doublethink Films, o documentário fala de futebol americano, mas são as pessoas que permanecem no centro da história.
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Uma homenagem que vai além do acidente
“Depois do Impacto: A História do Coritiba Crocodiles” poderia simplesmente reconstruir os acontecimentos de 21 de setembro de 2024 e contar como ocorreu a tragédia. O caminho escolhido é acompanhar o que veio depois, quando os sobreviventes, familiares e companheiros precisaram lidar com a ausência e descobrir como continuar.
É aí que o documentário encontra seus melhores momentos. A fotografia é muito boa, a montagem mantém os 106 minutos interessantes e as cenas de jogo possuem bastante energia, mas são os depoimentos que realmente ficam na memória depois da sessão.
A volta do Coritiba Crocodiles aos campos não apaga o que aconteceu e o filme nunca tenta passar essa impressão. Os jogadores continuam carregando a memória dos companheiros em cada etapa dessa retomada. “Depois do Impacto” registra esse processo com emoção e cuidado, ao mesmo tempo em que preserva as histórias de Daniel Santos, Lucas Barros e Lucas Padilha e mostra o significado que eles continuam tendo para todos que fazem parte do time.
Imagem Destacada: Divulgação/Apeiron Filmes



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