No último domingo, a BBC anunciou o 13º Doctor, da série britânica “Doctor Who”. Porém, ainda que não surpreendente, o substituto de Peter Capaldi é uma mulher. Ela tem nome e sobrenome: Jodie Whittaker.

“Doctor Who” é uma série de ficção científica britânica, que existe desde 1963. Na trama, The Doctor é um senhor do tempo, original de Gallifrey que usa a TARDIS (Time And Relative Dimension In Space) para viajar no universo e pelo tempo. Ele conta com a ajuda das “companions”, em sua maioria humanos, além de amigos alienígenas. O propósito do Doutor é salvar o mundo, lutando contra seus inimigos e o seu maior adversário: The Master.

O Doutor pode se regenerar, e Jodie Whittaker será a 13ª regeneração do mesmo. Toda vez que sofre alguma lesão física, que em humanos seria fatal, o Doutor assume um novo corpo e nova personalidade. Ao mesmo tempo, seus companheiros de viagem também costumam mudar.

A série se divide entre a parte clássica e a parte moderna. A parte moderna começou com Christopher Eccleston no papel do 9º Doutor e sua companheira Rose Tyler (Billie Piper). Após a regeneração, David Tennant surgiu como o 10º Doutor, ainda mantendo Rose ao seu lado.

Doctor Who

Após Rose, as parceiras do 10º Doutor foram Martha Jones (Freema Agyeman) e Donna Noble (Catherine Tate). Na 11ª regeneração, sendo Matt Smith como o Doutor, suas companhias foram o casal Amy Pond (Karen Gillan) e Rory Williams (Arthur Darvill). Após os Ponds, Clara Oswald (Jenna Coleman) assumiu o lugar como companion, acompanhando a regeneração do 11º Doutor para o 12º, interpretado pelo ator Peter Capaldi.

Doctor Who: o Doutor como uma mulher

“Doctor Who” nunca falhou com a representatividade feminina na série. Uma das personagens mais importantes, River Song, é interpretada por Alex Kingston. Até mesmo seu inimigo, o Master, regenerou-se na forma de uma mulher, assumindo o nome de Missy, sendo interpretada pela atriz Michelle Gomez.

Os fãs já pediam para que o Doctor fosse uma mulher. E parte disso se dá pela ampla discussão feminista que vem ganhando espaço no audiovisual. Nunca, na série, foi regra de que o Doutor só poderia se regenerar como um homem, visto que suas regenerações diferem entre si, principalmente na transição de Matt Smith para Peter Capaldi.

Jodie Whittaker é conhecida por seu papel emBlack Mirror”, no terceiro episódio da primeira temporada, intitulado “The Entire History Of You”. “Black Mirror” é outro grande sucesso mundial e se Whittaker foi escolhida para protagonizar uma das maiores séries britânicas dos últimos tempos, é porque é uma boa atriz e capaz de aguentar o peso desse papel.

As mulheres sempre ganharam espaço em “Doctor Who”, mesmo que sendo apenas como companions. Porém, isso não desfaz o argumento de que ainda é importante que mulheres protagonizem séries de televisão, até mesmo pela questão da representatividade tão em alta nos dias atuais.

Muitos questionam como deve ficar o relacionamento do Doutor com River, porém nunca houve, na trama, explicações sobre a orientação sexual dos personagens. Todavia, Whittaker e Kingston são capazes de criar uma química entre seus personagens da mesma forma que ocorria enquanto o Doutor era um homem. Além disso, a série permitirá uma visibilidade LGBT na trama, outra discussão extremamente necessária no audiovisual.

Uma mulher à frente de uma série britânica clássica só prova e abre espaço para que outras alcancem os mesmos lugares em outras produções. Também permite certas discussões feministas que precisam ser conversadas, como seu o papel na sociedade, bem como sua relação num espaço antes dominado por homens.

Jodie Whittaker estreia na série no dia 25 de dezembro de 2017, onde ocorrerá a regeneração de Peter Capaldi como o 12º Doutor.


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Júlia Cruz

Acredita ser uma criação do Projeto Leda enquanto espera o Doutor com a sua Tardis. É apaixonada por cachorros, gosta de acender incensos, observar estátuas e tomar café. Descobriu que tudo é passível de crítica e desconstrói os enredos das mais de cem séries que já viu, para os leitores da Woo Magazine.

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