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Black Mirror: o desconforto refletido no futuro da humanidade

“Black Mirror” é uma série capaz de causar um intenso desconforto em quem assiste e, por isso, é um sucesso ao redor do mundo. Com três temporadas na Netflix, a série é criação do britânico Charlie Brooker e mistura ficção científica com tecnologia na sociedade digital em episódios desconexos, criando situações de extremo desconforto que nos fazem questionar se esse será o futuro da humanidade.

Existem três episódios que se assemelham ao máximo com a realidade e, por isso, a série se garante – faz o telespectador pensar. Se uma série causa aquele limbo reflexivo pós episódio, ela está no caminho certo. Esses três episódios não só fazem refletir como colocam o público no lugar do personagem:

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Temporada 1 – episódio 3: The Entire History of You

Protagonizado por Toby Kebbel e Jodie Whitakker, o episódio mostra o futuro, onde é possível implantar um chip que permite gravar as memórias. Mas, o que a trama tenta mostrar é até onde esse tipo de dispositivo seria saudável, uma vez que essa “invasão de privacidade” pode ocasionar situações ruins.

Temporada 2 – episódio 1: Be Right Back

Algo que os humanos são incapazes de lidar é com a morte. Mas, no episódio, a solução para o fim do sofrimento existe, através de um robô que por um sistema de armazenamento interno se assemelha fisicamente e psicologicamente a pessoa falecida. O episódio é protagonizado por Hayley Atwell, de “Agent Carter” e Domhnall Gleeson de “Ex Machina”.

A reflexão do episódio aqui é com certeza dividida: por um lado, faz pensar nas pessoas que poderiam voltar, mas por outro mostra o quão dependente é o ser humano, criando a si mesmo uma falsa paz de espírito, pois quem volta não é a mesma pessoa e sim uma máquina, tanto que é incapaz de ter sentimentos ou vontade própria.

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Temporada 3 – episódio 1: Nosedive

Como acontece hoje, os celulares são praticamente uma extensão do corpo. É uma objeto essencial no cotidiano moderno com inúmeras funcionalidades. Nesse episódio não é diferente, mas apresenta um sistema de avaliação como um produto, onde pessoas são avaliadas por suas atitudes. Todo mundo sabe a classificação dos outros e ela rege a vida, ou seja, é preciso ser um número para comprar uma casa, outro para alugar um carro, outro para comprar uma passagem de avião e assim para tudo que quiser fazer.

O que não é tão estranho, e por isso a série insiste nesse argumento, é que esse estilo de vida já é normal e esbanjado nas redes sociais. Mas, a frustração da falsa vida pode causar inúmeros problemas.

“Bem vindo ao futuro onde o nosso verdadeiro reflexo só se revela quando a tela fica escura.”

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Written By

Acredita ser uma criação do Projeto Leda enquanto espera o Doutor com a sua Tardis. É apaixonada por cachorros, gosta de acender incensos, observar estátuas e tomar café. Descobriu que tudo é passível de crítica e desconstrói os enredos das mais de cem séries que já viu, para os leitores da Woo Magazine.

4 Comments

4 Comments

  1. Raoni Vidal

    18 de dezembro de 2016 at 17:44

    O que eu acho incrível em Black Mirror é que os episódios mexem com as pessoas de diferentes formas. Mesmo que Black Mirror apresente temáticas de forma que fique fácil compreender a mensagem, o importante, na verdade, é como aquilo mexe com nossos sentimentos e o quanto essas preocupações estão presentes no nosso cotidiano e não em um futuro distópico.

    • Júlia Cruz

      21 de dezembro de 2016 at 14:10

      Exatamente! Concordo muito com o seu ponto de vista. Essas situações, principalmente a do episódio “Nosedive” estão cada vez mais próximas e eu fico muito preocupada ao ver que estamos aceitando isso, quando não deveríamos. Essas situações não são “saudáveis”. Não consigo achar normal o que os episódios mostram e fico bem preocupada ao ver que estamos quase nesse nível de insanidade.

  2. Edda Ribeiro

    19 de dezembro de 2016 at 14:35

    Me incomoda bastante a falta de discussão de classe, além de uma quase ridicularização da sociedade em alguns eps, como do Waldo por exemplo. Realmente é um série bem freak, mas achei os roteiros bem fracos. Ah, Julia, um dos que eu achei ok foi o Be Right Back. 🙂

    • Júlia Cruz

      21 de dezembro de 2016 at 14:14

      Essa ridicularização é, pra mim, o que realmente causa essa reflexão de episódio em episódio. Estamos aceitando que essas alternativas tecnológicas sejam normais quando elas não deveriam ser. Acho muito problemático trazer uma pessoa que se foi em forma de robô pra sanar esse “convívio social” que a gente sente quando alguém se vai. Apesar disso, adoro o episódio e a protagonista e acho muito válido a discussão.

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