Em fevereiro de 2016, Kanye West lançava “The life of Pablo”, seu álbum mais reflexivo e confessional sem deixar de ser polêmico como sempre foi um sucesso estrondonso. Mais de dois anos depois, o rapper lança “Ye”, com a mesma polêmica, mas com uma repercussão bastante inferior. O marido da socialite mais badalada do mundo, não parece ter medo de se expor através das suas canções.

Em “Ye” houve espaço para Kanye falar sobre seus problemas mentais, ele chegou a interromper a turnê do álbum anterior por causa deles e neste fez questão de não escondê-los de ninguém, logo na capa está a frase: Odeio ser bipolar, é maravilhoso. Dependência química, problemas financeiros, sexo e infidelidade, tudo teve espaço na nova obra de Kanye.

Se às vezes parece que o mundo pop nada mais é se não um episódio de Keeping Up With The Kardashians, com o álbum do marido de Kim não poderia ser diferente. Um episódio recente da vida das Kardashians bastante comentado nas redes também virou música em “Ye”: Em “All Mine”, Kanye faz referência a traição de Tristan Thompson, jogador da NBA que traiu Klhoé Kardashian dias antes da socialite dar a luz à filha do casal (Todas essas safadas no Christian Mingle (app de relacionamentos)/É isso o que quase deixou Tristan solteiro/Se você não joga como ele ou Kobe [Bryant]/Te garanto que a vadia vai te deixar“).

Nesta mesma canção, ele faz referência à atriz pornô Stormy Daniels, que recentemente disse ter tido um caso com o presidente Donald Trump (Se eu parar com um Kerry Washington /Isso vai ser um enorme escândalo /Eu poderia ter Naomi Campbell /E ainda pode me querer um Stormy Daniels). Falando em Donald Trump, aliás, um dos grandes responsáveis pela diminuição do sucesso de Kanye é o presidente dos Estados Unidos e a amistosa relação que eles mantém desde o último encontro dos dois em abril.

Sobre as declarações pra lá de polêmicas que o artista deu também em maio, há uma outra canção. Durante uma entrevista ao site de fofocas TMZ West disse que a escravidão dos negros foi uma mera opção. Em “Wouldn’t leave” ele dá continuidade ao episódio e relata que sua esposa reagiu ao comentário gritando e dizendo que eles estavam “prestes a perder tudo”. (Eu disse: Escravidão uma escolha, – eles disseram: Como, Ye?/ Imagine se eles me pegassem em um dia selvagem / Agora estou em cinquenta blogs recebendo cinquenta chamadas/ Minha esposa chamando, gritando, diz: Nós estamos perdendo tudo!/ Teve que acalmá-la porque ela não conseguia respirar/ Disse a ela que ela poderia me deixar agora, mas ela não iria embora)

O trabalho conta com sete faixas e participações de  Ty Dolla Sinal & Valee em ‘All Mine’, Jeremih, Sinal Ty Dolla & Young Thug em ‘Would’nt Leave’, Charlie Wilson & Kid Cudi em ‘No Mistakes’, John Legend, 070 Shake & Kid Cudi em ‘Ghost Town’, DeJ Loaf e Ty Dolla em ‘Violent Crimes’ e Nicki Minaj em “Violent Crimes”.

O álbum foi lançado em altíssimo estilo: na última sexta-feira, Kanye voou com celebridades, produtores musicais e jornalistas para as montanhas de Jackson Hole, em Wyoming. Segundo informações da Associated Press, os rappers Pusha T e Big Sean e o ator Jonah Hill, entre outros famosos, se reuniram em torno de fogueiras para ouvir as faixas de “Ye”, anunciadas pelo humorista Chris Rock.

O disco é o segundo de uma série de discos produzidos inteiramente por Kanye que serão lançados ao longo das próximas semanas. O primeiro foi DAYTONA, de Pusha-T, que saiu na sexta-feira passada. Semana que vem será a vez do lançamento de um álbum colaborativo de Kanye com Kid Cudi, que então será seguido por discos de Nas e Teyana Taylor.

Ainda é cedo para falar sobre o real sucesso do disco, mas por agora parece que o impacto foi bem menor que dos trabalhos anteriores. Não que tenha faltado criatividade, muito pelo contrário, tudo ali parece inédito, mas se colecionar polêmicas e intrigas funcionou bem até “Life of Pablo”, parece que para seus próximos trabalhos Kanye terá que mudar de estratégia.