Uma questão que sempre envolveu a produção de cinema e quadrinhos no Brasil foi com relação à temática das histórias. De um lado autores inovadores procuravam trazer temáticas diversas enquanto de outro lado alguns defensores do purismo martelavam que as histórias deveriam falar exclusivamente de temas nacionais. Nada contra os temas tipicamente brasileiros, mas o problema é que muitas produções nesse sentido acabavam ficando engessadas e mais com cara de documentário do que de obra criativa.
Felizmente vieram novas gerações de autores e roteiristas que souberam mesclar o tradicional com o novo, explorando o que há de melhor nessa rica cultura brasileira. E nessa linha podemos incluir o belíssimo trabalho de Wellington Srbek e Flavio Colin intitulado Estórias Gerais. Essa mesclagem já se inicia pelo fato de somar um roteirista novo com um grande mestre da arte sequencial. Se expande ao mixar estilos de um roteiro ousado com uma arte singular. E se concretiza com a mistura de uma visão atual de um contexto histórico.
A HQ narra a trajetória do jornalista Ulisses Araújo, enviado à cidade fictícia de Buritizal, no norte de Minas Gerais, para pesquisar a vida do bandoleiro Antônio Mortalma. O jornalista se vê então em meio ao conflito de dois bandos rivais e, para piorar, os jagunços também são perseguidos pelo exército nacional, comandado pelo sanguinário coronel Odorico Pereira.
A narrativa foi montada de forma complexa, alternando entre tempo presente e passado e dividida em seis partes paralelas que se convergem ao final da trama. Os capítulos s(“Antônio Mortalma”, “Tenente Floriano”, “Coronel Soturno”, “Odorico Pereira”, “O Pai-do-Mal” e “O Duelo”) tratam de cada personagem isoladamente para reuni-los em uma bela conclusão.
Os personagens são muito bem construídos e os diálogos bastante espontâneos. Nota-se que um vasto trabalho de pesquisa foi feito para recriar todos os contextos com naturalidade e precisão. Os elementos culturais, como costumes lendas e folclores foram utilizados com maestria, enriquecendo a trama sem g=fazer parecer uma chata aula de História.A Arte do Mestre Colin é algo totalmente inusitado devido ao seu estilo único. A estética de seu traço é limpa e ao mesmo tempo rica em detalhes. Esse contraste faz um belo complemento visual à narrativa. Um deste complemento é o fato de cada personagem ter alguma peculiaridade no traço. A diagramação dos quadros consegue intercalar dinamismo e tensão nas horas certas. Enfim, coisas de Mestre!
Por se tratar de uma obra tão primorosa, obviamente Estórias gerais ganhos alguns prêmios, como troféus HQ MIX de “Melhor Graphic Novel Nacional” e “Melhor Roteirista Nacional” e troféus Angelo Agostini de “Melhor Roteirista” e “Melhor Desenhista”.
Publicado originalmente em 2001, Estórias Gerais foi relançado em 2012 pela editora Nemo em uma “edição definitiva”, com as páginas no tamanho em que foram desenhadas e impressão de alta qualidade. Além de todo o conteúdo das edições anteriores, esta nova versão traz dois textos inéditos dos autores: uma carta de Colin, falando de seu prazer em desenhar a HQ, e um texto de encerramento no qual Srbek recapitula a trajetória de Estórias Gerais desde sua criação até esta “edição definitiva”.
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Editora Nemo
Páginas: 160
Formato: 22,5 x 32 cm
Acabamento: brochura
Ano de publicação: 2012
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