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Música

Gessinger e Iorc encantam o Metropolitan no Rio

Foto: Daniel Gravelli (Woo Pro)

O dia em que duas gerações se encontraram e “juntos” levantaram o Metropolitan
– em dois momentos distintos.

Como diria Humberto Gessinger “Preciso me perder, como preciso de ar”. Então, se eu me perder durante minhas palavras, perca-se comigo e desfrute um pouco da minha viagem em fazer parte desse show inesquecível que já entrou para galeria dos melhores desse ano, quiçá dos últimos.

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Fotos: Aimée Borges e Daniel Gravelli

É normal, no meio de uma conversa entre amigos e/ou discussões mais calorosas sobre música, trocarmos ideias e farpas sobre os nossos artistas favoritos, as músicas mais badaladas do momento, e transitando em meio um papo e outro soltarmos máximas como: “não se fazem músicas como antigamente”, “o mercado anda meio saturado” ou, “esse gênero é horrível, prefiro tal”. Algumas dessas frases podem até ser verdadeiras para algumas pessoas, mas não funciona sempre assim. Claro que alguns artistas do passado faziam músicas como ninguém, por isso se tornaram inesquecíveis, mas isso não significa que outros que estão surgindo ultimamente sejam inferiores. Afinal, quem faz o artista é o seu público, e enquanto tiver gente cantando haverá liberdade para se expressar emoções de formas variadas.

Música é mágica! É um poder extraordinário capaz de unir povos, criar relacionamentos que poderiam ser improváveis, através dela é possível se adaptar entre estilos, completar a energia do outro e a partir de conexões como essas surgem verdadeiros momentos e/ou obras de arte que ficam para história. Algumas parcerias de sucesso pelo mundo afora não me deixam mentir, mas o nosso exemplo surge mesmo de terras brasileiras, de um encontro entre gerações. Dois poetas, duas almas distintas que se uniram para falar de gente como a gente, fazendo nascer “Alexandria”, uma das músicas mais bonitas e significativas dos últimos anos. Com isso, tem gente demais… Falando demais, de Tiago Iorc e Humberto Gessinger.

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Pensando nessa união, a T4F (Time For Fun) presenteou os cariocas nessa sexta-feira (dia 28/10) com um show impecável, dividido em dois tempos, o qual marcou o encontro de pessoas de diferentes idades que se emocionaram com os seus ídolos.

No primeiro, o gigante Humberto Gessinger, um dos fundadores da memorável Engenheiros do Hawaii, banda de Porto Alegre formada em 1984, arrepiou o público com uma irreverente apresentação da turnê “Louco para ficar legal”, que revela com sinceridade o tom do atual momento em que o cantor vive.

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O gaúcho, considerado um dos músicos mais proeminentes do país, é o único integrante do Engenheiros que conseguiu se reiventar e sobreviver a todas as formações do mesmo, mostrando sua versatilidade e sapiência ao longo de mais de 30 anos de profissão. Voando solo desde 2013, 1berto levantou o Metropolitan, casa de shows situada na região oeste do Rio de Janeiro, cantando sucessos variados de sua carreira como as conhecidíssimas “Refrão de um bolero”, “Eu que não amo você”, “Armas químicas e poemas” e “Ando Só”. Era difícil perceber alguém na imensidão do local que não soubesse por completo as letras das canções e não as entoassem em uníssono com o artista.

Gessinger mostrou toda sua capacidade instrumental tocando clássicos como “Somos quem podemos ser” no acordeon, “Terra de Gigantes” e “Pra ser sincero” com uma belíssima guitarra de dois braços e “Até o fim”, como de praxe,  com sua velha e sonora gaita acoplada no pescoço. No meio do show também apresentou os hits “Vida Real”, “O Preço”, “Pose” (música que lançou em 2004, cantando em parceria com a sua filha Clara Gessinger) e “Alexandria” (música que compôs com Tiago Iorc), sem contar as recentes e poderosas “Faz parte” e “Pra ficar legal” que, juntas, representam a força dessa fase do cantor.

Foto: Daniel Gravelli (Woo Pro)

Foto: Daniel Gravelli (Woo Pro)

Encerrando com estilo um show de 90 minutos, o trovador porto-alegrense consolidou o seu trabalho com alguns dos hinos que transformaram o estudante que abandonou a faculdade de arquitetura em um do grandes nomes do rock nacional. Com muita alegria e entusiamo, juntamente com Rafa Bisogno (bateria e percussão) e Nando Peters (guitarra e violão), nos emocionou com “Exército de um homem só”, “Era Um Garoto Que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones”, “O Papa É Pop” e “Infinita HighWay”, dando espaço em seguida para o segundo show da noite que traria a sensação indie-pop/folk do momento: Tiago Iorc.

Com um atraso de quase uma hora para mudança de cenário e iluminação, o que causou a impaciência do público que gritava desesperado pela chegada do cantor, algumas pessoas acabaram indo embora, abrindo espaço na casa para alívio dos que ficaram e aproveitaram melhor o local. Pouco tempo depois, ainda com a cortina fechada, para alívio dos fãs, foi possível escutar baixinho “Amei te ver”, que surgia de forma crescente até a entrada do artista em cena. Gritos ecoaram pelo Metropolitan e, por um breve momento, pude olhar para traz e me identificar com os fãs que respiravam profundamente, comovidos por estar perto do ídolo. Sentimento esse que eu havia vivenciado quando Humberto Gessinger começou a cantar horas antes.

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Foto: Aimée Borges (Woo Pro)

Foto: Aimée Borges (Woo Pro)

Trabalhando muito com backlight o show de Iorc acaba existindo de forma misteriosa, com muita fumaça e luz vindo do fundo, a iluminação cria com perfeição a silhueta do músico que emendou um sucesso atrás do outro, trazendo a gostosa “Coisa Linda” e outras que fazem parte da ótima turnê “Troco Likes”, como “Mil Razões”, “Amor sem onde”, “Alexandria”, “Eu errei”, “Cataflor”, “Sol que faltava” e o monstruoso sucesso “Me espera”, música que compôs com Sandy. Na falta da cantora, Iorc pediu o acompanhamento do público que fez bonito durante toda canção.

A voz melódica de Tiago Iorc começou a conquistar o Brasil em 2008, ganhando notoriedade nacional quando “Scared” fez parte da trilha sonora da novela Duas Caras da Globo. Depois dela, a rede acabou abraçando outros trabalhos do artista como “Blame”, “Fine”, “Story of man”, sua versão de “My Girl” e a maravilhosa “Nothing but a song”, que ultrapassou as barreiras internacionais ganhando o público do Japão e Coreia do Sul.

Tiago, que é apadrinhado por grandes nomes na música brasileira, também realizou um show com a média de 90 minutos, mantendo durante todo tempo o charme e tranquilidade que fizeram dele o sucesso que é hoje. Com influência musicais variadas, enriqueceu ainda mais a noite chuvosa de sexta feira protagonizando momentos inesquecíveis.

Sem dúvida alguma, Humberto Gessinger e Tiago Iorc fizeram um dos espetáculos musicais (qualquer trocadilho é mera coincidência) do ano. A única coisa que falta agora são os artistas imaginarem uma turnê especial para que possam dividir o palco ao mesmo tempo, trocando duetos sensacionais de seus sucessos e outras novidades, como o trabalho realizado em “Alexandria”.

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Foto: Daniel Gravelli (Woo Pro)

Foto: Daniel Gravelli (Woo Pro)


Escrever esse texto, mesmo que não seja sobre algo diretamente ligado a minha área, é como me conectar a sentimentos mais profundos, expressando através de palavras o momento que vivi no Metropolitan nessa última sexta-feira. Em meio a um mundo que respira problemas, crises e muita violência, pude me afastar do estresse da vida e voltar a viver por um pouco mais de duas horas, apreciando a arte no seu mais puro espírito. E naquele instante, pude ter certeza que as nossas causas perdidas, não passam de moinhos de vento que se transformam em dragões para nos assustar. E se ao fim de tudo você não concordar com o que eu disse aqui, tendo ido ou não ao show, muito prazer… me chamem de otário! Mas, não se esqueça que precisamos lutar por amor as causas perdidas… sendo assim, “Antes Arte do que Nunca”. (Daniel Gravelli)

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Written By

Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelos universos da escrita e da atuação, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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