Durante festival de cinema na Itália, Hideo Kojima relacionou o fim dos discos de PlayStation a um problema maior: a perda de propriedade sobre conteúdo digital, seja em jogos ou em filmes
Hideo Kojima, um dos nomes mais respeitados da indústria de games como criador de “Metal Gear” e responsável pela franquia “Death Stranding”, comentou publicamente a decisão da Sony de interromper a fabricação de discos físicos para PlayStation a partir de 2028. A declaração aconteceu durante sua participação no festival de cinema Il Cinema in Piazza, realizado na Itália, em um painel que discutia o futuro da mídia física em diferentes formas de entretenimento.
Segundo o japonês, a notícia sobre os games o afetou pessoalmente por conta de sua relação de longa data com formatos físicos. Ele mencionou que continua comprando Blu-rays de filmes e CDs regularmente, reforçando seu apego a esse tipo de consumo cultural.
Do disco rígido ao streaming: uma mudança de posse
Kojima aproveitou o momento para expandir a reflexão além dos videogames. Ele explicou que, atualmente, mesmo os jogos comprados digitalmente ainda ficam armazenados no disco rígido do próprio usuário, o que garante certo controle sobre o conteúdo adquirido. O cenário, segundo ele, muda completamente quando se fala em serviços de streaming, nos quais o acesso depende de servidores mantidos por empresas terceiras — modelo já consolidado em plataformas de filmes e séries.
O diretor destacou que essa dependência de servidores externos cria uma vulnerabilidade: decisões políticas, mudanças de mercado ou o simples encerramento de contratos podem resultar na perda de acesso a conteúdos que, à primeira vista, pareciam ter sido adquiridos permanentemente. Para Kojima, o mesmo movimento que hoje afeta os jogos físicos pode, no futuro, se repetir com o cinema.
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Casos que reforçam o temor dos jogadores
A repercussão da fala de Kojima reacendeu debates antigos sobre a fragilidade da propriedade digital. Casos recentes reforçam essa preocupação: a Sony já removeu títulos de bibliotecas digitais de usuários após o vencimento de contratos de licenciamento com estúdios, e também apagou o jogo “Concord” das contas de jogadores após seu cancelamento, em 2024. Episódios como esses têm levado consumidores a revisar termos de uso do PlayStation Network em busca de cláusulas que possam resultar na perda de acesso a bibliotecas inteiras.
A discussão também trouxe à tona publicações antigas do próprio Kojima, feitas em 2021 em sua conta no X, nas quais ele já demonstrava preocupação com o avanço da propriedade digital. Na época, o desenvolvedor argumentava que mudanças políticas ou econômicas poderiam cortar o acesso a filmes, livros e músicas armazenados apenas em nuvem, deixando os usuários sem qualquer controle sobre aquilo que consideravam ter comprado.

Como diferentes fabricantes estão lidando com a transição
O mercado de consoles, entretanto, não caminha de forma unificada em relação a esse tema. Ainda não há confirmação sobre se o PlayStation 6 contará com um leitor óptico opcional para acomodar jogadores que possuem acervos físicos de PS4 e PS5. Já a Microsoft estuda alternativas para digitalizar coleções físicas de jogos Xbox, enquanto analistas apontam que a marca também deve abandonar discos em breve. A Nintendo, por outro lado, adotou um caminho intermediário com os cartões-chave de jogos do Switch 2 — uma solução híbrida, protegida por DRM, que ainda permite revenda ou troca entre jogadores, mesmo funcionando essencialmente como um código de download.
O fim gradual de uma era
Apesar da resistência de parte do público, já há sinais de que a indústria se movimenta rumo a esse futuro sem discos: uma fábrica responsável pela produção de mídias físicas para PlayStation já teria iniciado a adaptação de sua linha de produção para fabricar outros tipos de itens, antecipando o fim gradual desse mercado.
Via Kotaku
Imagem Destacada: Divulgação/Sony


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