Cantor retorna ao Brasil após mais de uma década para se apresentar no Palco Skyline. Anúncio divide o público, traz à tona as graves acusações iniciadas em 2021 e expõe o choque entre as justificativas da produtora e o andamento judicial do artista nos EUA
O anúncio de Marilyn Manson (nome de registro Brian Warner) como uma das atrações do festival The Town 2027, em São Paulo, reacendeu uma intensa polêmica em torno de seu histórico de denúncias. Escalado para se apresentar no Palco Skyline no dia 4 de setembro de 2027, na mesma noite que o Slipknot, o cantor não realiza shows no Brasil há mais de dez anos — período anterior à onda de denúncias de abuso sexual, físico e psicológico que vieram à tona a partir de 2021.
A confirmação do show provocou forte reação negativa nas redes sociais. Em resposta às críticas, a produtora do evento, Rock World, defendeu a escolha por meio de seus executivos: Zé Ricardo, vice-presidente artístico, destacou que pesa a favor do artista o fato de ele não ter sido condenado criminalmente, enquanto Roberto Medina, presidente da empresa, ressaltou a potência histórica do cantor dentro do rock.
Por sua vez, Jim Root, guitarrista do Slipknot, ao ser questionado por fãs sobre a escalação de Manson na mesma data de sua banda, esquivou-se da polêmica, afirmando que se mantém focado apenas na parte musical e afastado da logística de contratações do evento.
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O histórico de acusações e o efeito dominó
As denúncias ganharam dimensão global em fevereiro de 2021, quando a atriz Evan Rachel Wood publicou um relato afirmando ter sido vítima de manipulação (grooming) e abusos graves durante o relacionamento que manteve com o cantor entre 2006 e 2010. No documentário Phoenix Rising (HBO, 2022), Wood relatou ainda ter sofrido abuso sexual não consentido durante as filmagens do clipe de “Heart-Shaped Glasses”, em 2007.
A iniciativa de Wood desencadeou uma série de acusações de outras mulheres:
- Esmé Bianco: A atriz de Game of Thrones processou o músico por estupro, tortura e abuso físico e psicológico. A disputa foi encerrada em 2023 por meio de um acordo extrajudicial sem julgamento.
- Ashley Morgan Smithline: A modelo moveu um processo por violência sexual e cárcere privado em 2021, mas retirou as acusações em 2023, alegando ter sido “manipulada” por Wood. Representantes da atriz negaram a interferência e afirmaram que Smithline voltou atrás após sofrer assédio e ameaças da equipe de Manson.
- Outros relatos: Artistas como Phoebe Bridgers e Ellie Rowsell (Wolf Alice) também vieram a público compartilhar relatos sobre comportamentos inadequados presenciados ou vivenciados com o músico.
Investigações criminais e batalhas na justiça
Apesar da gravidade dos relatos, os desdobramentos na Justiça americana tomaram caminhos complexos:
- Decisão da Promotoria de Los Angeles: Em janeiro de 2025, o promotor Nathan Hochman anunciou que o Gabinete do Promotor do Condado de Los Angeles não apresentaria acusações criminais contra Manson após uma investigação de quase quatro anos. A decisão foi motivada pela prescrição dos prazos legais nas denúncias de violência doméstica e pela falta de provas suficientes para comprovar as acusações de agressão sexual além de qualquer dúvida razoável.
- Ação por difamação movida por Manson: Em 2022, o cantor processou Evan Rachel Wood e a artista Illma Gore por difamação e conspiração. Após ter partes cruciais do processo rejeitadas pelo tribunal, Manson desistiu da ação em novembro de 2024 e concordou em pagar cerca de US$ 327 mil em honorários advocatícios para Wood.
O processo de Ashley Walters e o julgamento em 2027
Apesar da ausência de denúncias criminais formais, um processo civil de grande relevância continua ativo. Ashley Walters, ex-assistente pessoal do cantor entre 2010 e 2011, moveu uma ação acusando-o de agressão sexual, assédio e abusos psicológicos.
A ação de Walters havia sido arquivada inicialmente por ter superado o prazo prescricional. No entanto, uma alteração na legislação da Califórnia (a lei estadual AB 250) estabeleceu uma janela retroativa de dois anos para a apresentação de denúncias antigas de violência sexual. Em 2026, a Justiça autorizou a retomada do processo e marcou o julgamento por júri para 15 de novembro de 2027 — apenas dois meses após o show do cantor no The Town.
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Em 2021, o estouro do escândalo provocou consequências drásticas e imediatas para Manson: ele foi desligado de sua antiga gravadora, perdeu papéis em séries de TV e foi abandonado por Tony Ciulla, seu empresário de 25 anos.
Contudo, nos anos seguintes, o cantor estruturou um agressivo retorno ao mercado de entretenimento. Contratado pelo selo de metal Nuclear Blast, lançou o álbum conceitual “One Assassination Under God” (dividido em dois capítulos lançados em 2024 e 2026) e embarcou em uma extensa turnê mundial.
Imagem Destacada: Reprodução/Instagram (@marilynmanson / Fotografia: @lindsayusichofficial)


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