Marcelo Paz e Fernando Diniz defendiam permanência do holandês, que aceitou reduzir custos, mas Osmar Stábile desistiu do acordo em meio à crise financeira e política do clube
A passagem de Memphis Depay pelo Corinthians terminou de maneira inesperada e em meio a uma crise que vai muito além do futebol. Depois de meses de negociações, o clube decidiu não renovar o contrato do atacante holandês, apesar da defesa pública e interna de sua permanência feita pelo executivo de futebol Marcelo Paz e pelo técnico Fernando Diniz. O presidente Osmar Stábile, porém, optou por não assinar o novo vínculo, alegando preocupação com a situação financeira do clube.
O desfecho encerrou uma negociação que se arrastou por 148 dias. Durante esse período, Corinthians e representantes de Memphis discutiram redução salarial, ações comerciais, formas de pagamento de uma dívida milionária e diferentes cláusulas contratuais. Em 26 de julho, as partes chegaram às bases de um acordo para mais dois anos de contrato, mas a assinatura definitiva pelo clube nunca aconteceu.
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Marcelo Paz e Diniz queriam Memphis
Desde o início das conversas, Marcelo Paz foi um dos principais defensores da permanência do holandês. O executivo entendia que Memphis não deveria ser avaliado apenas pelo custo, mas também pelo impacto esportivo e comercial que exerce no Corinthians.
Segundo informações divulgadas durante a negociação, Paz construiu uma relação próxima com o jogador e trabalhou para convencê-lo a aceitar uma nova realidade financeira. A ideia era adequar o contrato à situação do clube, reduzindo os custos em comparação com o vínculo anterior.

Fernando Diniz também era favorável à renovação. O treinador se aproximou de Memphis durante o período de recuperação de uma lesão e passou a enxergar o atacante como uma peça importante para o modelo de jogo que pretendia implementar. Para a comissão técnica, além da qualidade individual, o holandês poderia exercer um papel de liderança dentro do elenco.
O departamento de futebol, portanto, defendia a continuidade do camisa 10 justamente em um momento no qual o Corinthians enfrentava problemas no setor ofensivo. A eliminação da Copa do Brasil e a ausência de Yuri Alberto aumentaram a percepção de que Memphis poderia ser importante na sequência da temporada.
Memphis também fez concessões
O atacante, por sua vez, aceitou mudar significativamente as condições do primeiro contrato. A proposta que avançou previa vínculo até 2028, redução dos vencimentos e retirada de despesas pessoais anteriormente bancadas pelo Corinthians, como hotel, motorista, segurança e cozinheira.
A dívida acumulada pelo clube também seria reorganizada. O Corinthians reconheceria aproximadamente R$ 42 milhões e pagaria o montante em quatro parcelas durante o novo contrato, sem juros e correção, conforme o acordo que estava sendo construído.
A negociação chegou a um ponto em que Memphis assinou a sua parte do documento, enquanto o Corinthians ainda precisava concluir a aprovação interna e obter a assinatura de Stábile. Foi justamente nesse momento que a situação mudou.

Por que Stábile desistiu?
O presidente alegou oficialmente que a decisão foi tomada exclusivamente pela necessidade de preservar a saúde financeira do Corinthians. O clube enfrenta uma grave crise econômica, com dívidas acumuladas e dificuldades para cumprir compromissos.
Nos bastidores, porém, a questão também ganhou contornos políticos. Stábile está envolvido no processo eleitoral do Corinthians e enfrentava resistência de aliados que não queriam a renovação de Memphis. A preocupação era assumir, durante sua gestão, a responsabilidade por um compromisso financeiro originado na administração de Augusto Melo.
Havia ainda uma divisão dentro do próprio clube. Enquanto o departamento de futebol e áreas como marketing e financeiro viam possibilidades para viabilizar a renovação, setores ligados à reestruturação financeira defendiam a redução da folha. O planejamento previa uma economia de aproximadamente R$ 6 milhões mensais no elenco, e a saída de Memphis fazia parte dessa conta.
O ponto decisivo teria sido o contrato final. Stábile demonstrou incômodo com cláusulas comerciais e com uma ajuda de custo mensal de R$ 250 mil prevista no acordo. Segundo as informações divulgadas durante a negociação, duas empresas haviam sinalizado disposição para ajudar a bancar esse valor no primeiro ano, mas não existiam propostas consideradas concretas pelo presidente.

Corinthians agora precisa pagar a dívida
A saída de Memphis não elimina o problema financeiro. Pelo contrário: o Corinthians continua devendo ao jogador.
O débito bruto é estimado em R$ 42 milhões, referente principalmente a bonificações e valores previstos no contrato encerrado. Com juros e correção monetária, entretanto, a quantia pode chegar a aproximadamente R$ 77 milhões.
Sem a renovação, o acordo que previa o parcelamento dessa dívida também caiu. Memphis deverá recorrer à Fifa para cobrar os valores, o que aumenta a pressão sobre o Corinthians e pode até resultar em novas consequências esportivas caso o clube não cumpra suas obrigações.
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O cenário ainda pode ser mais grave. Caso uma eventual discussão jurídica reconheça também obrigações relacionadas ao contrato de renovação que chegou a ser assinado por Memphis, mas não pelo Corinthians, a cobrança poderia alcançar até R$ 180 milhões. Trata-se, porém, de uma possibilidade jurídica, e não de uma dívida já consolidada nesse valor.
Memphis encerra sua passagem pelo Corinthians com 79 jogos, 20 gols, 15 assistências e três títulos: Campeonato Paulista e Copa do Brasil, em 2025, além da Supercopa Rei, em 2026.
Agora, o clube precisa lidar simultaneamente com a perda de um de seus principais jogadores, a crise política provocada pela negociação e uma dívida que pode se tornar ainda mais pesada nos próximos meses.
Imagem Destacada: Divulgação/Gerada por Inteligência Artificial


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