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Arte para se questionar em curta temporada
 
A montagem produzida pela Cia. Movimento Carioca de Teatro, protagonizada pelo casal de atores Miriam Freeland e Roberto Bomtempo, com direção de Bomtempo e Symone Strobel, “Casa de Bonecas” começou uma curta temporada no Centro Cultural da Justiça Federal, no Rio de Janeiro.
 
Foto: Divulgação.

Foto: Divulgação.

 
O texto escrito por Henrik Ibsen, há muitos anos atrás, foi uma peça revolucionária, com grande repercussão entre feministas e causou grandes discussões em toda Europa. Houve censuras violentas lançadas contra a personagem principal, Nora, pois a época não perdoou seu abandono da casa e dos filhos. Mediante as tentativas de emancipação feminina, os críticos acreditaram que Ibsen abriu caminho para a tragédia, pois foi a primeira solução trágica do autor: Nora abandona marido e filhos em busca da liberdade pessoal e de sua identidade como indivíduo.
 
Porém, essa montagem, com versão do dramaturgo e diretor argentino Daniel Veronese, ganhou um novo fôlego diante das atuais discussões sobre o feminismo. Propondo um diálogo com o texto original, acentuando questões e tornando os diálogos e tramas sucintas, a obra ficou ainda mais provocativa e atual.
 
O premiado espetáculo, ganha sua versão brasileira tendo, além do casal, Anna Sant’Ana, Regina Sampaio e Leandro Baumgratz completando o elenco. A importante crítica teatral argentina Olga Cosentino disse que essa versão traduz os códigos do século XXI que o autor denunciou no final do século XIX, transcendendo as desigualdades de gênero, feminino e masculino, para abranger todos os tipos de insultos à dignidade humana.
 
Nesse momento, em que novas discussões sobre o tema vêm ganhando espaço, a montagem torna-se pertinente e o espetáculo cria mais uma oportunidade para debater sobre igualdade, direitos e deveres. Confira o serviço em nossa agenda e bom espetáculo.
 
Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.