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CríticaFilmes

Crítica: Angry Birds – O filme

Avatar de Daniel Gravelli
Daniel Gravelli
13 de maio de 2016 3 Mins Read

Angry BirdsMuito além do voo

O game criado em 2009 para diferentes sistemas de celulares e outros periféricos, virou febre entre pessoas de varias idades espalhadas pelo mundo por possuir um estilo inusitado de quebra cabeças, no qual coloca pássaros sem asas para guerrear com porcos verdes invasores.

A idéia, que consiste basicamente no uso de estilingue para lançar as aves contra os suínos e suas construções, extremamente bem elaboradas, fez tanto sucesso que outros níveis do jogo e continuações foram projetadas ao longo do tempo, transformando-o em um rentável negócio com mais de 12 milhões de downloads e diferentes outros produtos no mercado, incluindo a produção cinematográfica “Angry Birds – O Filme” que chegou ontem aos cinemas brasileiros.

A empresa finlandesa Rovio Entertainment, aproveitando o bom momento da marca, escolheu a Sony Pictures para realizar a adaptação para os cinemas. Em meio a diferentes discussões virtuais de que o cinema não consegue transpor, com qualidade técnica e criativa, jogos de videogames para as telonas, alguns fãs mesmo se empolgando com a noticia demonstraram grande receio do projeto também ser afetado como tantas outras adaptações. Entretanto, a produtora desenvolveu um excelente trabalho recriando os personagens nesse novo universo. Com efeitos de primeira linha e um visual impactante, a produção de 80 milhões de dólares, não só pode ultrapassar o patamar conquistado por outras grandes animações, como garantir muitas outras sequências para alegria do público.

angry consertada

Através de um roteiro dinâmico que define com bastante fidelidade cada um dos elementos narrativos que traça a história, somos apresentados a Red, um pássaro vermelho e raivoso, o único da espécie, a viver na paradisíaca ilha de pássaros. Um lugar remoto habitado exclusivamente por determinadas espécies de aves impossibilitadas de voar, até a curiosa chegada de um bando de porcos que se auto-proclamam visitantes amigáveis. O roteirista Jon Vitti (responsável pelos filmes: “Os Simpsons” e “Alvin e os Esquilos”, além de episódio da ótima série “The Office), aporta com um trabalho um pouco mais adulto, com algumas piadas escatológicas, e outras sérias escondidas por trás das características do infantil, e constrói uma obra que facilmente agradará todos os públicos sem causar problemas as crianças ou familiares. Com diálogos frenéticos, principalmente quando expressados pelo tagarela “Chucky”, um toque de acidez em determinadas sentenças e personagens bem elaborados, Vitti faz um ótimo trabalho repleto de referências ao cinema e a cultura pop em geral.

A direção dupla de Clay Kaytis e Fergal Reilly, artistas experientes em outras áreas do cinema mas estreantes nessa função, acaba por ser um trabalho respeitável e de extrema qualidade. O bom uso de cores vibrantes é um dos vários pontos altos do filme, que conta também com uma direção ágil, quase que enlouquecida, respeitando o roteiro e a ideia original do jogo, fazendo lembrar inclusive as famosas animações em 2D “Animaniacs” e “Looney Tunes” que já, naquela época, mantinham características semelhantes. O ar turbulento usado para narrar cada uma das sequências cria uma espécie de mistério, que também é levemente mostrado através de rápidas expressões impostas por profundos personagens que se dizem completamente “zen’s” e inabaláveis, e diferente de Red não expressam o sentimento da raiva. É interessante prestar atenção nesses momentos.

O elenco do filme, em relação a dublagem, principalmente a brasileira que foi bastante elogiada, também merece ser lembrado. A química estabelecida entre Marcelo Adnet, Fábio Porchat, Mauro Ramos e Dani Calabresa, responsáveis pelas vozes principais, é impagável e engrandece ainda mais a produção mantendo, sem exageros, o tom certo entre o cômica e o dramático.

A excelente trilha sonora embalada pelo brasileiro Heitor Pereira amarra todo filme, trabalhando melodias e contrapontos, de forma envolvente e emotiva, cativando ainda mais o espectador. Sem contar a ótima escolha por canções como o clássico “I Will Survive” entoada por Demi Lovato e “Friends” composta e cantada por ninguém menos por Blake Shelton.

Os pássaros raivosos mais charmosos do mundo provam que seu sucesso vai muito além de único voo, e que seus antagonistas conseguem marcar tanto quanto eles. Extremamente envolvente, “Angry Birds – O filme” chega aos cinemas de forma merecida e com as melhores intenções de ganhar o espectador desde as primeiras cenas. Ato que não é difícil de ser realizado!

 

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Daniel Gravelli

Daniel Gravelli é diretor e cofundador da Woo! Magazine, especialista em comunicação, storytelling e cultura. Com mais de 30 anos de experiência no mercado cultural como diretor, produtor, ator e roteirista, traz para a Woo! um olhar único sobre a arte e seu potencial de conexão humana. Escreve sobre entretenimento, comportamento e tudo que movimenta o cenário cultural brasileiro.

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