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Crítica

Crítica – A garota do livro

Um equilíbrio entre um tema importante e o óbvio drama adolescente

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Em tempos como esses que vivemos atualmente é importante encontrarmos uma válvula de escape através da arte, aproveitando momentos de descontração com os amigos durante uma divertida comédia e/ou um filme de ação que nos fará aliviar o pensamento, no mínimo, pelas próximas duas horas. Entretanto, é ainda mais significante quando percebermos que conflitos importantes ainda são ferozmente discutidos através da cultura possibilitando mensagens, com extenso grau de importância, que ajudarão fazer diferença na vida de muitas pessoas.

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O filme “A garota do livro”, escrito e dirigido pela estreante Marya Cohn, é uma dessas obras, e bebe em um assuntosério para contar a vida de Alice Harvey, uma aspirante a escritora que trabalha como assistente de uma grande editora de livros. O filme, que chegou na ultima quinta feira nos cinemas brasileiros, embora sofra com alguns clichês, falhas de contexto e estrutura de personagens, relata com categoria o contraponto entre a adolescência e a vida adulta da protagonista, uma mulher talentosa atormentada por um acontecimento que mudou radicalmente sua vida. Oprimida pelo passado conflituoso, e a sombra de homens que tentam a todo custo manipula-la, ela precisa buscar dentro de si a força que não encontra nem mesmo no circulo de sua própria família.

A produção independente é simples em todos os aspectos, evitando exageros para construir o ambiente no qual a história se passa, enriquecendo ainda mais o filme que exala o ditado popular “Menos é mais”. Todavia, a narrativa acaba nadando em águas perigosas e não funciona muito bem em certos pontos.

A insistência da roteirista em amarrar demais a história explicando, logo no inicio, detalhes que valeriam muito mais adiante, faz com que todo o mistério desapareça logo nos primeiros minutos de projeção. Atitude que destrói, ou no mínimo prejudica bastante, a co-relação emocional entre as fases da vida da personagem de Alice que não surpreende muito ao longo do tempo. Outro problema é o fato de abraçar com vontade o “draminha” adolescente de sua relação com o namorado, exaurindo completamente a força da personagem, ao revelar uma mulher desesperada que anda pela rua a noite a procura de soluções para sua vida. Se ao menos seus conflitos fossem mais explorados, tudo bem, mas ao invés disso o roteiro acaba preferindo resolver a situação colocando-a na cama com um homem diferente a cada desalento da vida.

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Contudo, Marya Cohn consegue corrigir a narrativa amena de seu texto ao desconstruí-lo com uma linguagem ágil e extremamente verossímil, a partir de uma direção instigante. Movimentos nervosos de câmera na mão, fornece certa realidade as cenas e os cortes secos, quase todos perfeitamente posicionados, provocando ainda mais o espectador que consegue se identificar facilmente com a história ali representada.

A fotografia de Trevor Forrest, levemente amarelada, até tenta criar uma atmosfera mais envelhecida e depressiva para as cenas, mas peca em alguns excessos, transformando o filme em uma produção insossa. É até interessante (talvez um desafio) fazermos o esforço de comparar certas nuances com a cor do papel “pólen”, usado nas paginas de algumas impressões de livros, uma vez que a historia retratada aborda um pouco do universo de escritores mas, além disso, não é difícil também nos imaginarmos assistindo algum filme b, exibido pelo Super Cine.

O elenco encaixa perfeitamente na história, mas não revela nenhuma interpretação de tirar o fôlego. Emily VanCamp está muito bem e possui um olhar cativante que até conquista, mas o trabalho de Ana Mulvoy-Ten é superior em sua versão mais jovem de Alice. A coadjuvante Ali Ahn também surpreende nos momentos em que aparece, com um papel mais leve e cômico que funciona como uma espécie de alivio dramático.

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Kelley Lutter e Richard Walker, responsáveis pela direção de produção, fazem um excelente trabalho com a arte retratando fielmente as duas épocas da história. Engrandecendo ainda mais o trabalho, em seguida, temos um destaque no figurino criado por Jami Villers, que consegue estabelecer ótimo equilíbrio entre paletas escuras e nuances acinzentas e levemente coloridas que impactam a tela em determinados momentos.

“A garota do livro”, mesmo tropeçando um pouco, é um bom filme e merece ser visto e discutido, principalmente pela tal família conservadora que insiste em se esconder por trás de certas mascaras, evitando enfrentar problemas que deveriam se tornar prioridades na vida de todos. Pelo menos, a verdadeira educação e respeito prevaleceria desde cedo, independente da idade.

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Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelos universos da escrita e da atuação, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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