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Crítica

Crítica – O Outro Lado do Paraíso

Em busca de um sonho
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 Uma das estreias nacionais da semana é “O Outro Lado do Paraíso”, apresentando uma tocante história familiar, um pouco antes do golpe militar em 64. O longa, baseado na obra de Luiz Fernando Emediato, chega aos cinemas no dia 02 de junho.
 
No filme, presenciamos a busca do mineiro Antônio por uma cidade prospera citada na Bíblia, Evilath. Sua procura, faz com que ele venda a casa de sua família e compre uma caminhonete que usa para leva-los a uma nova cidade, onde ele acredita que pode ser a versão real da cidade fictícia. Assim, junto de sua família, muda-se para Brasília. Chegando na cidade, começa a perceber que seu sonho não era real e que a prosperidade era só uma mensagem passada para edificar uma crença.
 
O roteiro, escrito por Marcelo Müller, José Rezende, Ricardo Tiezzi e o diretor André Ristum opta por captar toda a trajetória e o golpe militar pelos olhos de uma criança, tornando assim um filme político, de temática forte e, ao mesmo tempo, doce e ingênuo. As relações familiares, a forma de enxergar os acontecimentos, o primeiro amor e a esperança de um “mundo” melhor, trazem a naturalidade humana por uma ótica leve e perspicaz, ainda que pudesse render muito mais do que foi apresentado.
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A direção de Ristum, em seu segundo longa ficcional, apostou e acertou em cheio ao misturar as sequencias contemporâneas com imagens gravadas durante a época em que o filme se passa. Ele conseguiu extrair dos atores, principalmente das crianças, uma naturalidade interessante para a proposta. As escolhas históricas pela sua visão, dão ao filme a cara de cinema com o drama televisivo de forma que um não interfira negativamente no outro, mantendo ambos alinhados durante toda a trama.
A trilha, ainda que alguns possam considerar um pouco piegas, talvez seja uma das melhores trilhas nacionais dos últimos anos. A inserção de “Ventos Irmãos”, na voz de Milton Nascimento, composta por Patrick de Jongh, autor da trilha sonora do longa-metragem, é forte, delicada, emocionante, “realista” e completamente brasileira.
 
No elenco, Eduardo Moscovis está tão bem quanto em “Sem Controle (2007)”, último filme que ele realmente atuava, mas de maneira diferenciada devido a contextualização. As presenças de Simone Iliescu, Jonas Bloch e Flavio Bauraqui dão força ao longa, tendo participações pequenas e importantes, mas são as crianças o verdadeiro destaque do longa.
 
Davi Galdeano, que vive Nando, nada mais é que uma versão do próprio Emediato, que é produtor executivo do projeto, sendo dele a visão de como tudo acontece. É inegável o quanto a câmera e Davi se são bem, fazendo nos apegar ao menino através uma identificação natural a sua realidade, hora sofrida, hora apaixonante. A Iara, da brasiliense Maju Souza, é outro destaque, onde seu em trabalho, naturalmente por sua presença e, claro, pelo espirito “rebelde” de seu personagem, torna-a tão cativante quanto o protagonista.
 
Embora o elenco esteja muito bem, precisamos rasgar de elogios o departamento de arte em geral. Caracterização bem aplicada, figurinos compostos com real estudo histórico e uma cenografia tão boa quanto a das telenovelas. Parte da ambientação apresentada no filme foi construída para ele e a preocupação estética, a aplicação de fontes comuns nos letreiros pintados e os objetos cenográficos são um trabalho para não se colocar defeito. Não podemos esquecer da bela palheta de cores, que foca nos tons terrais sem deixa de lado o colorido para “alegrar” a sofrida realidade e a busca pela felicidade.
 
“O Outro Lado do Paraíso” chega em uma grande hora, em que o lapso nacional adquire um exemplar reflexivo e complacente. A fixação do menino por livros, por conhecimento, numa era onde não havia internet e era preciso ir atrás da informação, nos indaga ao quão informados, questionadores e formadores de opinião realmente podemos ser. Dentro do quadro político, nos explode a sensação de mãos atadas de hoje e de “ontem”. E no meio disso tudo, não podemos esquecer do amor, da descoberta, do beijo, do toque e da força que ele nos dá para seguir em frente.
 
O filme tem erros? Sim, todo filme tem, mas eles são tão pequenos perto do que “O Outro Lado do Paraíso” representa como um todo, que deixamos de lado. Tua inocente beleza atravessa a tela e, literalmente, nos toca.

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Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.

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