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O mundo animal com humanos como protagonistas.

No dia 17 de março chega aos cinemas “Mundo Cão”, dirigido por Marcos Jorge (Estomago – 2008), trazendo no elenco Babu Santana, Adriana Esteves e Lázaro Ramos, interpretando seu primeiro antagonista, ao lado de diversos cachorros.

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Santana (Babu Santana) é um funcionário do Centro de Controle de Zoonoses de São Paulo, que trabalha recolhendo cães de rua. Entre o trabalho e sua vida pessoal com sua mulher, Dilza (Adriana Esteves), e seus dois filhos, ele recolhe um rottweiler e após três dias sem o dono ter aparecido, o cachorro é sacrificado. Porém, o que não se esperava, Nenê (Lázaro Ramos) aparecesse para buscar o animal e desencadeai-se uma série de eventos que mudará para sempre a família de Santana.

O roteiro de Marcos Jorge e Lusa Silvestre traz uma série de situações cotidianas repletas de emoção e realidade. O mais precioso no roteiro é a facilidade como ele é apresentado ao espectador, mostrando personagens criveis, encontrados em qualquer cidade brasileira, e eventos que poderiam realmente acontecer “naturalmente” dada as circunstancias. Por focar em apenas dois núcleos, construiu-se uma estrutura para o fácil desenvolvimento e as muitas reviravoltas, que é outro ponto positivíssimo no filme.

Na direção de Marcos, mais uma vez ele prova sua capacidade em realizar um belo trabalho. Mesmo com ótimos filmes em seu currículo, como “Corpos Celestes (2010)”, desde “Estomago” ele não apresentava uma narrativa tão interessante. Ele construiu uma atraente dinâmica entre os personagens e sua própria forma de ver a história. Em alguns momentos, consegue surpreender, mesmo tendo algumas falhas, como um todo filme tem.

Se existe um culpado “indireto” para o filme não ser tão bom é a edição. Iniciada com um determinado fluxo e sequencia para montar a história, ela, mais tarde, muda completamente seguindo uma outra direção e não trazendo nenhuma novidade que não possa ver vista em um vídeo de um YouTuber. Talvez existisse uma “necessidade” de linkar a transição das cenas com os créditos finais, que diga-se se passagem: um dos melhores de filmes brasileiros, mas a intenção foi mal executada e acabou perdida.

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Tendo uma boa trilha sonora, com músicas populares e cativantes melodias compostas para o longa, ela se aplica a interagir com as situações tendo logicamente um grande efeito e apego para a trama. Mas podemos deixar uma questão aberta: Todo filme brasileiro precisa ter uma trilha com samba e, principalmente, tocada com cuíca? Passando em São Paulo, longe dos holofotes do samba, nenhuma ligação com carnaval e precisa realmente da cuíca para abrir o filme? Essa auto intitulação de “produto brasileiro” pela sonoridade, poderia ter sido realizada de uma forma melhor e não foi o que aconteceu.

No elenco, Lázaro Ramos em seu primeiro antagonista nos apresenta um Nenê de humor ácido, firme, mas as vezes mascarado. Não só pelo fato do personagem ser um pouco estereotipado, mas por não trazer, em algumas cenas, veracidade em sua interpretação. Ao contrário de Lázaro, Babu Santanta desenvolve melhor sua humilde persona e ainda que tenha cenas fracas, como algumas envolvendo as crianças, ele se destaca.

Adriana Esteves mais uma vez se entrega como a costureira evangélica Dilza, e nos mostra uma mãe preocupada, emocionalmente fácil e presente. Já as crianças, Vini Carvalho em seu primeiro trabalho não mostrou para o que veio e seu personagem se perde na trama, enquanto a, também estreante, Thainá Duarte, chega leve, como quem não quer nada e aproveitas as oportunidades para roubar a cena, incluindo uma das que contracena com o já veterano Lázaro.

“Mundo Cão” é mais um ótimo exemplar nacional. Mesmo tendo erros, afinal todos os filmes sem exceção tem, ele nos deixa absorvidos pela trama e as inúmeras reviravoltas ali inseridas. Trabalhar com animais não é fácil, mas eles se tornam uma atração a parte trazendo intrinsecamente uma atrativa realidade onde o homem pode, e é muitas vezes, ser irracional como um cachorro bravo.

Paulo Olivera é mineiro, Gypsy Lifestyle e nômade intelectual. Apaixonado pelas artes, Bombril na vida profissional e viciado em prazeres carnais e intelectuais inadequados para menores e/ou sem ensino médio completo.