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No Escurinho: Crítica – Presságios de um crime

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Uma explosão visual

Ontem estreiou nos cinemas brasileiros o filme “Presságios de um crime”, título em português para “Solace”, dirigido pelo brasileiro Afonso Poyart, responsável pelo imagético “Dois Coelhos”. Embora a recepção de alguns críticos não tenha sido muito boa, o filme promete mexer com o público unindo uma história boa a uma direção impactante.

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O enredo gira em torno do médico Dr. John Clancy, que possui o dom de prever acontecimentos do futuro e passado, mesmo não conhecendo as pessoas envolvidas. Quando o agente especial do FBI, e amigo pessoal, Joe Merriwether encontra-se de mãos atadas na investigação de uma série de assassinatos, Clancy é chamado para ajudar a encontrar as peças que faltavam no quebra cabeça. Entretanto, depois de analisar os acontecimentos e entender melhor a situação, percebe que sua presença era também necessária para os planos do criminoso.

A ousada produção, que contém nomes como o Anthony Hopkins e Thomas Augsberger, entre vários outros, apresenta um trabalho diferenciado, no que diz respeito a sua estética, repleto de efeitos que acabam fazendo grande diferença para o projeto.

O roteiro, escrito por Sean Bailey e Ted Griffin, entre seus tratamentos, chegou a ser cogitado como uma espécie de continuação para o clássico Seven de David Fincher, mas a idéia acabou morrendo e o tratamento final seguiu um caminho completamente diferente. Nesse caso, temos um contexto comum que já foi testado várias vezes pelo cinema e televisão americana e que funciona diante grande parte do público. Contudo, os roteiristas se perdem em alguns diálogos redundantes e inverossímeis. No final, o script não prejudica o trabalho, mas também não se mantém como o ponto forte do produto.

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Já a irreverente direção de Afonso Poyart, finca os pés como o grande destaque do filme. Através de diferentes movimentos de câmeras, ângulos improváveis, o auxilio exacerbado do zoom (eu digo isso no bom sentido) e uma pontuada câmera lenta, o diretor consegue envolver o espectador e despertar a curiosidade do mesmo para o que irá acontecer em seguida. Essa, que já vem se mantendo como uma característica singular de Poyart, talvez uma herança estética do seu tempo como artista de Motion Graphics e pós produtor de publicidade, transforma o simples em uma exploração de imagens e efeitos.

O diretor de fotografia, Brendan Galvin, conhecido pelo seu trabalho em filmes de ação e aventura, possui um desempenho sustentável ao construir um ambiente mórbido. A pouca iluminação, contrastando tons cinza e vermelho, propõe o diferencial apresentado pelas personagens.

O elenco, muito bem escolhido, também se destaca, principalmente pelo excepcional trabalho do mestre Anthony Hopkins. Sua segurança e destreza dentro das cenas, não só o permite ter uma atuação rica e poderosa, mas colabora diretamente para o retorno e entrega dos demais atores. Jeffrey Dean Morgan e Abbie Cornish estão bem em cena, mas o fato é que desaparecem diante Hopkins. Já Colin Farrell, mesmo aparecendo pouco, é a grande decepção do filme com uma interpretação plástica e sem sal. Em seus últimos trabalhos, aos poucos, vem perdendo possibilidades de fazer voltar a crescer sua carreira.

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A rápida edição, do também brasileiro Lucas Gonzaga, permite uma fluidez contínua em relação as cenas, sem comprometer o andamento e compensação da história.

O design criado para o ambiente, através da direção de arte Sameron Beasley, sustenta-se sem problemas do início ao fim, mantendo uma forte conexão com a estética criada pelo diretor.

“Presságios de um crime”, não chega a ser melhor do que a genialidade criada por Poyart em “2 Coelhos”, mas é um notável trabalho para sua estréia em uma Hollywood almejada por profissionais de todo o mundo.

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Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelo universo da escrita, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelos universos da escrita e da atuação, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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