13 de dezembro de 2019

Nosso Portrait de hoje é com um jovem artista que vem conquistando os palcos dos musicais mais cogitados do Brasil. Ele, que iniciou a carreira com 10 anos de idade, aos 17 anos teve sua estreia no teatro musical em “Cabaret”, ao lado de Claudia Raia e logo após foi convidado pela dupla Charles Moeller e Claudio Botelho para “Mágico de Oz”.

Além desses, ele também foi dirigido por José Possi Neto em “Crazy For You”, que por sinal é incrivelmente lindo e super bem produzido (eu assisti!), fez parte de “Chacrinha – O Musical” e “Mulheres a Beira de um Ataque de Nervos”. Atualmente integra o elenco de “Meu Amigo Charlie Brown”, interpretando o personagem Linus.

Vamos de Portrait com o ator, cantor, compositor, sapateador e bailarino, Mateus Ribeiro!

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Aimée – Desde cedo você sempre buscou estar no meio artístico. Como foi essa escolha e qual foi à reação de sua família perante a isso?

Mateus – Não sei quando escolhi estar cercado pela arte ou quando escolhi ser artista, pra mim isso foi algo natural. A arte sempre esteve presente na minha vida de diversas formas e acredito que a intensidade e a importância que apenas foram aumentando com o tempo. Meus pais sempre me apoiaram, mas nunca deixaram que a arte passasse por cima dos estudos. A condição sempre foi que eu mantivesse boas notas no colégio, e como eu amava a arte e não queria deixar de tê-la em minha vida, minhas notas acabaram melhorando. As coisas foram acontecendo naturalmente, comecei a trabalhar aos poucos até que com 17 anos, antes mesmo de terminar o terceiro ano, eu passei no musical ‘‘Cabaret’’ e me mudei pra São Paulo. Veio como um presente passar em um espetáculo desse porte antes de terminar o ensino médio pois só tive mais certeza que estava no caminho certo e vi isso como a vida mostrando que eu realmente deveria seguir como profissão aquilo que eu tanto queria. O apoio dos meus pais foi essencial e só vem aumentando cada vez mais.

Aimée – Você passou por diversos lugares do Brasil como Fortaleza, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Nessa jornada, o que você aprendeu que pode levar para toda a vida?

Mateus – Pude aprender muita coisa por morar nesses lugares completamente diferentes, cercado por pessoas e culturas distintas, mas o que mais aprendi foi a acalmar minha alma e fazer aquilo que me cabe e que acredito, por que a vida acontece exatamente como tem que ser. Eu quando mais novo me questionava muito sobre as coisas, o por que de não ter passado em algum trabalho que estudei tanto, ou por que teria que mudar da cidade que eu tanto amava, mas o tempo me ensinou que nossos medos e dúvidas são em vão. Agradeço hoje em dia por tudo que me acontece, ainda que não seja o que eu esperava  por que sei que aquilo vai ser o melhor pra mim, mesmo que eu não entenda o por que. No fim das contas a vida sempre está apenas seguindo seu fluxo natural.

Aimée – Sua carreira hoje carrega muitos musicais, como é trabalhar com grandes ícones da área como Claudia Raia, Miguel Falabella, Charles Moller e Claudio Botellho?

Mateus – Às vezes nem bate a ficha que já trabalhei com tantos artistas incríveis, não só os famosos mas como os menos conhecido da grande massa. São artistas que batalharam muito pra chegar onde estão e que sem dúvida todo sucesso provem da dedicação de cada um. Isso me inspira muito a fazer arte e a tentar construir um caminho tão bonito quanto o que construíram. É uma aula diária. Claudia é um exemplo de artista batalhadora e focada, Miguel eu poderia ficar horas só o ouvindo contar suas experiências de vida e isso já valeria por mil horas de aulas, Charles e Claudio são referencia na minha formação como admirador e ator de musicais e fora eles ainda tive a chance de trabalhar com vários outros grandes artistas. Atualmente por exemplo tenho o privilégio de aprender com uma das pessoas que pra mim é um dos maiores entendedores e referência do gênero no nosso país, o Alonso Barros, que assina a direção e coreografia do ‘‘Meu Amigo Charlie Brown’’. Já trabalhei com ele em outros três musicais como coreógrafo e agora estou tento a oportunidade de ser dirigido cenicamente. Na verdade o Alonso sempre mantém a interpretação e a dança muito juntas em tudo que faz, mas fazer parte de um espetáculo onde assina ambos é um privilégio. Pra mim ele é genial em tudo que faz e mesmo depois de anos de convívio ainda fico impressionado de onde vêm tantas ideias e inspiração. É muito bom trabalhar com algo que se ama e cercado com pessoas que se admira. No ‘‘Charlie’’ mesmo, pra qualquer lado que eu olhe estou cercado por grandes profissionais, seja do elenco ou dos criativos como o Rafa Villar e o Sandro Silva que nunca havia trabalhado e que são incríveis, ou da produção e técnica. Sou muito grato por ter tido essas oportunidades e espero conseguir aproveitar ao máximo todos os ensinamentos pra crescer sempre como profissional e ser humano.

Foto: Mateus Ribeiro e Claudia Raia/Crédito Rodrigo Negrini
Foto: Mateus Ribeiro e Claudia Raia/Crédito Rodrigo Negrini

Aimée – Você faz parte da nova geração de artistas, onde não basta apenas saber uma função como simplesmente atuar ou dançar. O mercado ainda não se adaptou a isso, então, qual a dica que você daria para quem está na luta para conseguir uma oportunidade?

Mateus – Acredito que o mais importante é estar preparado pra aproveitar uma oportunidade. A gente nunca sabe quando elas vão surgir e o que vão exigir de nós. Acho primordial um artista ter conhecimento do mais variado tipo de coisas, acredito que conhecimento de mais nunca é ruim e que uma hora ou outra tudo acaba sendo útil. Eu mesmo, por exemplo, já fiz aulas de circo, percussão,  de vários estilos de dança, de interpretação pra câmera, clown, dublagem… O conforto é algo que não se pode existir na vida de um artista, é uma palavra que não combina com nossa profissão. Temos que estar sempre procurando se aperfeiçoar e aprender mais sobre a arte em um modo geral.

Aimée – Nós que trabalhamos no meio, sabemos que existe todo tipo de preconceito. Você já sofreu algum tipo de bullying? E se já, conte como lidou com isso.

Mateus – Sim, já sofri com isso, mas como eu costumo dizer, é quase impossível ser artista e não sofrer algum tipo de preconceito durante a vida. Não vou focar em nenhum específico por que variam desde pessoas acharem que arte é coisa de vagabundo até mesmo o preconceito que existe dos próprios artistas com algum outro tipo de linguagem que não seja o seu habitual. A forma que lidei com isso foi criando certezas. Acredito que quando você tem certeza de algo, quando entende quem você é, o que quer e por que quer, as coisas se tornam mais fáceis. De quanto mais certeza você se cerca, mais as coisas não te afetam e mais você fica tranquilo e seguro sobre tudo. O bullying gosta de lidar com o medo e a fragilidade, então o importante é nos munirmos com coragem e força pra que não sejamos alvos, e mesmo se chegarmos a ser, que não nos tornemos uma consequência ruim desse mal que ele é.

Aimée – Você faz alguma dieta ou possui alguma rotina alimentar para aguentar as temporadas de ensaios dos musicais?

Mateus – Não. (Rs) Talvez eu devesse, mas não faço. Eu me preocupo em sempre dormir oito horas e tomar bastante água, em qualquer época da vida. De resto me alimento como de costume durante os ensaios, por que mesmo quando não estou em período de ensaios eu acabo fazendo bastante aula e assim o ritmo sempre é intenso.

Aimée – Vamos a uma rapidinha!

Responda com apenas uma palavra o sentimento quando você está em palco…

Mateus – Plenitude

Aimée – Ensaiando…

Mateus – Disponibilidade

Aimée – Compondo…

Mateus – Sensibilidade

Aimée – Dançando…

Mateus – Extasiado

Aimée – Cantando…

Mateus – Honestidade

Aimée – E atuando.

Mateus – Entrega

Aimée – E, para finalizar nossa entrevista, pelo pouco que pesquisei sobre você, percebi que você é um rapaz determinado e sabe o que quer. Conte-nos um pouco mais sobre quem é o Mateus profissional e o Mateus fora dos palcos.

Mateus – Nossa, que difícil! (Rs) Eu diria que o Mateus profissional é alguém que ama o que faz, e que se sente privilegiado por ter a chance de viver da arte, e poder fazer dessa paixão seu trabalho.  Assim sempre tenta aproveitar ao máximo todas as oportunidades, estando sempre muito atento, disponível, cumprindo horários, sabendo ser grato e fazendo tudo com muito amor. O Mateus profissional é muito crítico com ele mesmo, tem bom senso e por isso sempre está buscando se aperfeiçoar e aprender novas coisas. Ele é seguro, acredita na sua arte e sonha muito alto. É inquieto e está sempre atrás de algo novo, algo que desafie, e odeia a ideia de não estar trabalhando, por que quando mais arte pra ele, melhor! É muito focado no que quer e mergulha de cabeça em cada trabalho, é do tipo que só pensa na mesma coisa durante um bom tempo e se cerca de todo tipo de conhecimento e estudo pra auxiliar nos projetos que está inserido. Já o Mateus fora dos palcos é um pouco inseguro, às vezes chegando a ser tímido em determinadas situações. É um cara mais caseiro, sempre preferindo um bom jantar, teatro e cinema a uma balada ou show. É hiperativo e mesmo assim toma açaí todos os dias. Ama estar com os amigos, do mesmo tanto que ama ter seus momentos a sós, de privacidade, seja pra ver um seriado/filme ou compor/escrever algo. É uma pessoa que mesmo fora dos palcos sempre está pensando muito em arte, buscando referencias e aulas pra fazer no tempo livre, pois acredita que quando você é artista, você é sempre, 24 horas por dia. Então muitas vezes os dois são um só, o que muda é só onde estou e como externo e expresso essa arte que mora em mim.

Finalizando nosso Portrait com Mateus!

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Aimée Borges

Aimée Borges gosta de dançar ao vento, beber água gelada e sorrir para Lua. Apaixonada por contos e fadas, deixa-se levar por sua curiosidade que a transporta para um mundo ainda mais louco que o da Alice.

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