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No Escurinho: Crítica – Steve Jobs

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Uma mudança Tecnológica 

“As pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são aquelas que o muda.” (Comercial da Apple “Think Diffent” em 1997).

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Não enxergava outra forma de começar essa crítica, além disso. O comercial da Apple de 1997 não marcou o inicio de uma mudança. A mudança já vinha sendo realizada, há anos, por um homem visionário.

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O que você faria se acreditasse, profundamente, que seu sonho pudesse ser idealizado? Até onde você iria para conquista-lo e provar que ele poder gerar mudanças significativas? E, se a realização desse sonho também dependesse de outras pessoas não tão envolvidas quanto você, qual seria sua atitude perante aos fracassos?

Depois do interessante “Piratas da informática” (Pirates of Sillicon Valley, dirigido por Martyn Burke), tido como a verdadeira história de como Bill Gates e Steve Jobs mudaram o mundo, e o fraquinho “Jobs” (Aquele com Ashton Kutcher, dirigido por Joshua Michael Stern) , eis que chega um novo filme que aborda a estranha e grandiosa vida do gênio que dá título ao filme: Steve Jobs.

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Com uma produção infinitamente superior a esses já comentados, o filme chega trazendo uma linguagem um tanto quanto peculiar, como se estivesse realmente apresentando ao mercado um novo produto tecnológico ou um programa autoexplicativo, que poderá mudar como o mundo enxerga as coisas.

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O roteiro de Aaron Sorkin é baseado no livro Steve Jobs, de Walter Isaacson, e aborda as épocas mais cruciais na vida profissional do fundador da Apple. Sem querer revelar diferentes momentos desnecessários, o roteirista opta por pontos importantes, aqueles que não chegaram aos ouvidos do grande público. Aos poucos, decide inserir explicações pertinentes a trama, enriquecendo-as, fornecendo detalhes que fazem do filme a melhor cinebiografia sobre Steve. Entretanto, quem leu o livro sentirá falta de trechos importantes que poderiam ter sido lembrados e aproveitados no fim das contas. Mas, o cinema tem vida própria e, por mais fiel que seja a obra literária, sempre haverá mudanças.

A direção de Danny Boyle, como já citei, leva o filme para um lado mais autoexplicativo. Como sempre, o diretor é fantástico e consegue inovar mais uma vez, trabalhando o filme de forma didática, como se fosse o próprio Steve Jobs apresentando o Mac ao público (Será que me entendem). A forma que Boyle desenvolve a história através da linguagem cinematográfica é interessantíssima, um primor ver um trabalho desses no cinema cada vez mais tomado por remakes e produções sem novidade nenhuma. Entretanto, por melhor que seja, pode atrair reclamações daqueles que não entendem a visão do diretor.

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A notável fotografia de Alvim H. Küchler, faz da produção um filme único, diferente e cheio de beleza. Desde a composição dos quadros, ao trabalho com a luz, tudo encaixa-se perfeitamente aqui.

O elenco principal é tomado por estrelas! Na ponta vemos um Michael Fassbender dominar as cenas com sua caracterização do personagem principal. Um trabalho monstruoso de concepção, entre olhares, tiques e mudanças repentinas de humor. Em seguida somos surpreendidos por Kate Winslet, na pele de Joanna Hoffman, com uma interpretação um pouco diferente do que está acostumada, mais branda, contudo não menos poderosa. Já Jeff Daniels está muito bem em seu papel, vivendo o CEO John Sculley, mas não é difícil associá-lo a sua fantástica interpretação de Will McAvoy em “The Newsroom”. Por último, avistamos um impressionante Seth Rogen como Steve Wozniak, co-fundador da Apple, com barba em excesso, mostrando que possui muito mais capacidade do que revela nas comédias insossas em que atua.

A trilha sonora de Daniel Pemberton, é praticamente usada como um “motif” (um elemento contínuo e significativo para narrativa) por Boyle. Durante quase todo tempo somos domados pela trilha que propõe uma dramatização ainda maior, e bastante pontuada.

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Ao contrario de uma das frases do próprio Steve no filme, esse foi muito bem construído. Depois de tantos percalços, tentativas de boicotes, mudança de diretor e outros integrantes de equipe, a produção não só revela um pouco mais sobre a vida do criador do IPhone, explana também sua sede e determinação por conseguir o resultado que espera dos outros e, principalmente, de si mesmo. Embora você possa sair do cinema desejando mais informações sobre o cara, sairá bastante satisfeito do resultado final. É um filme de atitude, bem produzido, dirigido e expressado pelos atores. Pode até não ser o filme do ano, mas merece sua atenção e reconhecimento.

Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelo universo da escrita, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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Daniel Gravelli é um brazuca que parle français e roda uns filmes por aí. Apaixonado pelos universos da escrita e da atuação, tem um caso com o teatro e morre de amores pelo cinema. Fotógrafo e crítico nas horas vagas, gosta de cozinhar, apreciar um bom vinho e trocar ideias interessantes.

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