Você sabia que o Superman foi criado originalmente como um vilão careca e telepata? Descubra a verdadeira história por trás de “O Reino de Superman” e a criação de Jerry Siegel e Joe Shuster
Embora a revista “Action Comics #01” (publicada originalmente na data de 18 de Abril de 1938, embora a data de Junho do mesmo seja referenciada na capa original), tenha sido oficializada como a primeira aparição do Superman, o personagem já datava de uma “descartada” existência desde o ano de 1933. A tira de jornal: “The Reign of Superman” (“O Reino de Superman”), escrita por Jerry Siegel e ilustrada por Joe Shuster, trouxe a primeira versão do personagem, como um vilão.
Sim, o “Homem do Amanhã” original foi criado e publicado primordialmente como um vilão.
O lado sombrio do Superman: como o maior herói da DC nasceu como um vilão tirânico

O Reino do Superman — Em 1933, os jornalistas: Jerome “Jerry” Siegel e Joseph Shuster, trouxeram pela primeira vez na fanzine “Science Fiction: The Advance Guard of Future Civilization”, o primeiro “Superman” em inspiração do autor e futurista H.G. Wells (inspiração de Siegel).
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Na época, a fanzine trazia a história de Bill Dunn, um personagem careca — uma possível inspiração futura para o que viria a ser a criação do vilão Lex Luthor —, e tinha como cenário os Estados Unidos da América, durante a Grande Depressão. No enredo, Bill é manipulado e usado como cobaia em um experimento de um cientista, à exposição de substâncias encontradas em uma rocha extraterrestre.
Com isso, Bill desenvolve uma poderosa “telepatia” e foge do laboratório. Consequentemente, ele se torna um vilão, controlando toda a economia global e poder bélico de países, podendo sempre estar à frente de qualquer um ou qualquer coisa. Altas apostas, assaltos em controle mental, manipulação do mercado de ações, todos em prol de suas habilidades telepáticas. Querendo provocar uma “Guerra Mundial” e se tornar um tirânico líder global, os poderes de Bill com o tempo se dissipam e, logo, torna-se novamente humano.
Forrest Ackerman, a inspiração de Siegel em um personagem real, era o mais próximo da figura de Clark Kent, na época. Visto que o personagem era um repórter, que certas vezes, confrontava o suposto “Superman”. Em aspectos de honestidade e defesa do bem-estar comum.
No mesmo ano, Siegel decidiu reformular o personagem “Superman”, tendo este pouca ou nenhuma semelhança com sua primeira versão vilanesca. “The Superman” ainda era publicado em tiras de jornais, na época, a ideia de Shuster e Siegel era dar características heroicas ao personagem. Siegel escreveu uma história de crime que Shuster desenhou em formato de quadrinhos.
Eles ofereceram à Consolidated Book Publishing. Embora a dupla recebesse uma carta encorajadora, a Consolidated nunca mais publicou histórias em quadrinhos. Desanimado, Shuster queimou todas as páginas da história, mas a capa sobreviveu porque Siegel a resgatou do fogo. (Ufa, não é?) E finalmente, em 1938, a National Periodical Publications deu uma oportunidade de publicação para Siegel e Shuster, ambos os dois ex-funcionários. Eles apresentaram uma nova versão do Superman, que finalmente foi aprovada.
Nasce o verdadeiro “Superman”: Action Comics e o começo da Era de Ouro

Quando “Action Comics #1” chegou às bancas em 1938, o impacto foi meteórico. O que era para ser apenas mais uma aposta editorial transformou-se instantaneamente em um fenômeno: a tiragem inicial de 200 mil exemplares evaporou das prateleiras. O sucesso foi tão avassalador que, já na quarta edição, o título apresentava um salto de vendas inalcançável para as outras publicações da editora, batendo a impressionante marca de 500 mil cópias mensais entre 1938 e 1939. Estava claro que o mundo precisava de mais daquele herói.
Para saciar essa demanda, a DC lançou a revista solo “Superman” em 1939. Curiosamente, mesmo reciclando aventuras da “Action Comics” em sua primeira edição, a revista quebrou recordes de vendas, provando a força esmagadora do personagem. A consagração não parou por aí: o herói marcou presença no especial “New York World ‘s Fair Comics” (a futura e lendária “World ‘s Finest Comics”) e cravou seu nome como membro honorário da Sociedade de Justiça da América nas páginas da “All Star Comics”.
Nos bastidores, contudo, a genialidade cobrava seu preço. Jerry Siegel e Joe Shuster sonhavam em manter o controle criativo total, assinando cada roteiro e traço do personagem. Mas a realidade se impôs quando a visão de Shuster começou a falhar drasticamente. Incapaz de dar conta da montanha crescente de prazos, ele se viu forçado a montar um estúdio de apoio. Ainda assim, seu perfeccionismo falava mais alto: ele fazia questão de desenhar o rosto do Superman em cada quadro produzido pela equipe.
Com a expansão do mito, novos talentos entraram em cena para carregar esse peso, como Jack Burnley, que assumiu capas históricas a partir de 1940, e Wayne Boring, que começou como assistente de Shuster antes de assumir definitivamente as páginas de “Superman” e “Action Comics” em 1942.
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De 1933 ao Novo DCU: a evolução do Homem do Amanhã nos cinemas

Se voltarmos nossos olhos da poeira da Grande Depressão para o futuro brilhante da cultura pop atual, o contraste entre o vilão telepata de 1933 e o herói moderno é gritante. A verdadeira magia da criação de Jerry Siegel e Joe Shuster foi a capacidade de adaptação e evolução: abandonar o arquétipo do tirano para consolidar o maior símbolo de esperança da ficção.
Hoje, quase um século depois, essa essência heroica forjada na “Action Comics #1” continua a se expandir. Com o Novo Universo DC (DCU) ganhando forma nos cinemas, o manto do Homem de Aço agora é vestido por David Corenswet. A proposta dessa nova fase nas telonas é justamente resgatar a bondade intrínseca, a luz e o otimismo inabalável do personagem — exatamente o oposto absoluto daquele vilão impiedoso imaginado nos primeiros rascunhos.
Além disso, o impacto da mitologia criada nos anos 30 transcendeu o próprio Clark Kent. O legado kryptoniano ganhará ainda mais força com a expansão da franquia, trazendo Milly Alcock no papel de Supergirl. Isso prova que as sementes plantadas por dois jovens de Cleveland geraram uma árvore genealógica de heróis que continua ditando os rumos do entretenimento mundial.
Saber que o maior protetor da Terra começou como uma ameaça global nas fanzines torna muito mais fascinante acompanhar a grandiosidade de para onde ele está indo nos cinemas. No fim das contas, o verdadeiro super-poder do Superman sempre foi sobreviver — e brilhar — ao teste do tempo.
E você? Conseguia imaginar que o próprio defensor da “Verdade, Justiça e Jeito Americano”, foi à princípio, um tirânico vilão das manchetes de jornais da década de 30?
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Imagem Destacada: Divulgação/Gerada por inteligência artificial


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