De TV Globinho a Ídolos, relembre programas da Globo, SBT, Record, Band e MTV que conquistaram milhões de brasileiros, bateram recordes de audiência, revelaram talentos e deixaram saudade mesmo após saírem do ar
Antes do streaming e das redes sociais dominarem o entretenimento, a televisão aberta fazia parte da rotina de milhões de brasileiros. Nos anos 2000, programas infantis, atrações de auditório, realities musicais e formatos voltados ao público jovem revelaram talentos, lançaram bordões e marcaram uma geração.
Nesta matéria, relembramos oito programas que fizeram história na TV brasileira. Entre atrações que divertiram crianças, revelaram artistas e embalaram a adolescência de muitos espectadores, essas produções continuam despertando nostalgia e ocupam um lugar especial na memória do público.
LEIA MAIS
De iCarly a Todo Mundo Odeia o Chris: 10 Séries Americanas dos Anos 2000 que Marcaram uma Geração
11 Séries dos Anos 2000 que Você Não Consegue Esquecer
5 Programas de TV Feitos por Cineastas
1. TV Globinho (Globo)
Para começarmos a nossa lista, este clássico não poderia ocupar outra posição que não fosse o primeiro lugar. Exibida entre 2000 e 2015, a “TV Globinho” foi um dos programas infantis mais populares da televisão brasileira. A atração surgiu inicialmente como um quadro dentro de “Bambuluá”, apresentado por Angélica, e, após a boa repercussão, ganhou espaço próprio na programação da Globo.
Ao longo dos anos, a TV Globinho contou com apresentadores como Angélica, Geovanna Tominaga, Fernanda Pontes, Mariah Rocha, Letícia Navas e Eric Surita. No entanto, o grande destaque sempre foi a exibição de desenhos e animes que marcaram a infância de quem cresceu nos anos 2000.
A programação reunia títulos como “Dragon Ball Z”, “Digimon”, “Yu-Gi-Oh!”, “Bob Esponja”, “As Três Espiãs Demais”, “Padrinhos Mágicos”, “As Aventuras de Jackie Chan”, “Beyblade”, “Power Rangers” e diversos clássicos da Disney. Muitos desses desenhos chegaram ao Brasil ou se popularizaram na TV aberta por meio da atração.
Em junho de 2012, a Globo retirou a versão diária da “TV Globinho” para estrear o “Encontro com Fátima Bernardes”. O programa infantil permaneceu apenas aos sábados até agosto de 2015, quando deixou definitivamente a grade da emissora para a chegada do “É de Casa”.
A brincadeira que virou meme
Três anos depois, em 2015, o programa infantil foi encerrado definitivamente com a estreia do “É de Casa”. Desde então, tornou-se comum nas redes sociais a brincadeira de que Fátima Bernardes teria sido a responsável pelo fim da atração. O assunto voltou à tona diversas vezes e acabou se transformando em um dos memes mais conhecidos envolvendo a apresentadora.
Em entrevista ao “Roda Viva”, da TV Cultura, em 2022, Fátima explicou que a ideia do “Encontro” surgiu depois que ela analisou a programação matinal da Globo.
“Eu estava com vontade de fazer alguma coisa diferente, queria ter um programa. Comecei a olhar a grade da Globo. Tinha Globo Rural, jornal local, Bom Dia Brasil, Ana Maria Braga e, de repente, desenho. Depois, jornal local, Globo Esporte e Jornal Hoje. Falei: ‘Gente, esse desenho está perdido nesse meio’” diz Fátima Bernardes.
Na mesma entrevista, ela afirmou que também enxergava dificuldades para manter uma faixa infantil naquele horário.
“Isso aí não está bom, não. Tem um espaço aí que dá para encaixar. E comecei a ouvir que a própria TV estava com uma certa estranheza em relação àquele horário, um horário em que você não anuncia” concluiu a apresentadora.
Fátima ainda explicou que a decisão não foi tomada apenas por ela e lembrou que o público infantil já estava migrando para outros horários e plataformas. Além disso, a redução da publicidade voltada às crianças também influenciou o fim desse tipo de programação na TV aberta.
Apesar da explicação, a associação entre Fátima Bernardes e o fim da “TV Globinho” permanece viva na internet. O meme continua sendo compartilhado por internautas, e até a própria Globo já fez referência à brincadeira em programas comemorativos, enquanto a apresentadora costuma tratar o assunto com bom humor.

2. Programa Livre (SBT)
Se a “TV Globinho” marcou a infância de uma geração, o “Programa Livre” conquistou os adolescentes e jovens brasileiros. Embora tenha estreado em 1991, a atração permaneceu no ar até o final de 2001, fazendo parte dos primeiros anos da nova década e consolidando um formato que misturava entrevistas, música e debates com forte participação da plateia.
Criado e apresentado por Serginho Groisman, o programa era diferente dos tradicionais auditórios da época. Em vez de apenas assistir, os jovens faziam perguntas diretamente aos convidados, que iam de artistas e atletas a políticos e intelectuais. Shows musicais, gincanas e quadros como “Beijo, Abraço ou Aperto de Mão” também ajudaram a transformar a atração em um dos maiores sucessos do SBT nos anos 1990 e início dos anos 2000.
O palco recebeu nomes nacionais e internacionais como Mamonas Assassinas, Legião Urbana, Titãs, Regina Casé, Dráuzio Varella, Sandra Bullock, Shakira, Ricky Martin, Bon Jovi, Kiss e Jamiroquai, entre muitos outros. Essa diversidade fez do “Programa Livre” uma das principais vitrines da televisão brasileira para entrevistas e apresentações musicais.
Com a saída de Serginho Groisman para a Globo no final de 1999, o programa passou por uma fase com rodízio de apresentadores até que Babi Xavier assumiu o comando em 2000. Babi permaneceu na apresentação até a reta final da atração, que se despediu definitivamente da grade do SBT em dezembro de 2001. Apesar das mudanças de comando, o formato continuou apostando na participação ativa dos jovens da plateia.
O programa gravado no Carandiru
Entre as edições mais lembradas está o “Programa Livre” realizado, ao vivo, dentro da Casa de Detenção do Carandiru, em abril de 1992, meses antes do massacre. Na ocasião, os próprios detentos participaram do debate, fizeram perguntas e falaram sobre a realidade vivida no presídio. O programa é considerado um dos momentos mais marcantes da história da televisão brasileira.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, Serginho Groisman apontou essa edição como o momento mais importante de sua carreira.
“Já tive muitas entrevistas importantes, como o FHC, o Collor, a Sandra Bullock, o grupo Kiss etc. Mas o mais legal foi o ‘Programa Livre’ feito dentro da Casa de Detenção de São Paulo. Foi o mais importante, com 2.000 detentos, ao vivo, falando tudo o que queriam” afirmou Serginho.
Anos depois, durante participação no “Roda Viva”, o apresentador voltou a recordar a experiência e explicou o objetivo da edição.
“Eu sempre me coloquei nesse papel, não de protagonista, mas, na verdade, quase um interlocutor, fazendo uma ponte. Ainda no Programa Livre, fiz um programa ao vivo direto do Carandiru, com 3 mil detentos. Nós dividimos o programa em três partes. Na primeira, eu conversei com eles a respeito da vida que eles levavam, não procurei identificar em cada um o que fez, o que não fez, mas tentar manter um coletivo que pudesse se expressar para a gente poder entender melhor o que é a população carcerária” Concluiu o apresentador.
Mesmo encerrado em 2001, o “Programa Livre” continua sendo lembrado como um dos formatos mais inovadores da televisão brasileira. A proposta de dar voz ao público jovem acabou influenciando programas posteriores, como o “Altas Horas”, também comandado por Serginho Groisman, que manteve a interação com a plateia como uma de suas principais características.
3. Ídolos (SBT e Record)
Antes do sucesso de realities como “The Voice Brasil” e “The Masked Singer Brasil”, o “Ídolos” foi um dos programas responsáveis por popularizar as competições musicais na televisão brasileira. Baseado no formato internacional Pop Idol, o reality estreou no SBT, em 2006, apresentado por Beto Marden e Lígia Mendes. A bancada era formada pelos produtores musicais Arnaldo Saccomani, Carlos Eduardo Miranda e Thomas Roth, além da cantora Cyz Zamorano.
Em 2008, a Record adquiriu os direitos do formato e reformulou a atração. Rodrigo Faro assumiu a apresentação, enquanto a bancada inicial de jurados contou com Luiz Calainho, Marco Camargo, Paula Lima e Fafá de Belém. Nas temporadas seguintes, a atração passou por renovações no júri, recebendo nomes como Rick Bonadio (em 2011), Luiza Possi e Supla (em 2012).
Um dos principais atrativos do programa eram as audições, que misturavam candidatos talentosos e apresentações inusitadas. No SBT, as avaliações diretas de Arnaldo Saccomani e Carlos Eduardo Miranda renderam momentos memoráveis. Já na Record, os jurados passaram a adotar uma análise mais técnica, sem abrir mão da sinceridade, enquanto Rodrigo Faro aproximava o público das histórias dos participantes. A combinação de emoção, talento e críticas dos jurados ajudou a transformar o “Ídolos “em um dos realities musicais mais comentados da televisão brasileira.

Ao longo de suas sete temporadas, o “Ídolos” revelou artistas como Leandro Lopes, vencedor da primeira edição; Thaeme Mariôto, que mais tarde formaria a dupla Thaeme & Thiago; e Israel Lucero, campeão da temporada de 2010. No entanto, um dos participantes que construiu a carreira mais sólida após o programa foi Chay Suede. Mesmo terminando a competição em quarto lugar, o cantor chamou a atenção da Record e, poucos meses depois, foi escalado para interpretar Tomás Penedo em “Rebelde Brasil”, papel que o transformou em um fenômeno entre o público jovem antes de consolidar sua carreira como ator em novelas e séries.
Em entrevista ao Extra, quando já fazia sucesso em “Rebelde”, Chay foi apresentado como um artista “revelado na edição de 2010 do reality show Ídolos”, destacando que, apesar de não vencer a competição, o programa abriu as portas para sua trajetória na televisão.
Ídolos Kids e o encontro com o elenco de Rebelde
Em 2012, a Record lançou o Ídolos Kids, versão infantil do reality destinada a candidatos de 7 a 12 anos. O programa foi apresentado por Cássio Reis, enquanto o júri era formado por Kelly Key, Afonso Nigro e João Gordo. A proposta era descobrir novos talentos da música em um formato adaptado para crianças.
Durante a primeira temporada, o palco recebeu diversas participações especiais. Entre elas, integrantes da novela “Rebelde Brasil“, como Lua Blanco, Sophia Abrahão e o próprio Chay Suede, que retornou ao programa como jurado convidado poucos anos após ter sido um dos competidores do “Ídolos“. A cantora Manu Gavassi, um dos principais nomes do pop adolescente da época, também participou da atração em uma apresentação musical.
A presença desses artistas aproximou o programa do público infantojuvenil e reforçou a ligação entre o reality musical e os talentos revelados pela própria Record, em um momento em que “Rebelde Brasil” era um dos maiores sucessos da emissora.
Ao longo de sete temporadas de sua atração principal distribuídas entre SBT e Record, o “Ídolos” se consolidou como um dos realities musicais mais importantes da TV brasileira. Além de revelar novos cantores, o programa abriu portas para artistas que seguiram carreiras de destaque na televisão.
O exemplo mais emblemático é o de Chay Suede: ele começou sua trajetória ao participar da edição de 2010 do reality e ganhou grande projeção nacional no ano seguinte ao integrar o elenco de “Rebelde Brasil”. No entanto, foi após sua transição para a TV Globo que ele alcançou um reconhecimento ainda mais amplo com o grande público, construindo uma carreira sólida e se consolidando como um dos principais atores de sua geração.
4. Tudo É Possível (Record)
Em meados dos anos 2000, a Record apostou em uma mudança importante na carreira de Eliana. Depois de anos à frente de programas infantis, a apresentadora passou a comandar o “Tudo É Possível”, atração dominical que estreou em 7 de agosto de 2005 e marcou sua transição para o público familiar. A mudança também representou uma nova fase da emissora, que investia cada vez mais na disputa pela audiência dos domingos.
O programa misturava auditório, música, humor, entrevistas, provas, games e reportagens especiais. Ao longo de suas oito temporadas, revelou quadros que se tornaram bastante conhecidos na fase de Eliana, como “Os Apertados”, “Jogo da Afinidade”, “Vale Tudo”, “Só Não Vale Mentir”, “A Verdadeira Idade e Quem é de Quem?”, além de receber artistas nacionais e internacionais.
A estreia foi considerada positiva para a Record. O primeiro programa registrou 9 pontos de média, com pico de 13 pontos, garantindo a vice-liderança no horário. Um dos melhores resultados da fase comandada por Eliana aconteceu em 6 de abril de 2008, quando a atração alcançou 13 pontos de média e 19 de pico, chegando à liderança durante parte da exibição contra a sessão de filmes da Globo.
A mudança de Eliana para o público adulto
O “Tudo É Possível” marcou uma transformação na carreira da apresentadora. Em sua biografia oficial, é destacado que todos os detalhes do programa foram planejados e idealizados pela própria Eliana para consolidar sua nova fase na televisão.
“Todos os detalhes do programa foram planejados e idealizados pela própria apresentadora.”
A aposta deu resultado. Eliana tornou-se uma das poucas mulheres a comandar um programa dominical de auditório na TV aberta e ajudou a fortalecer a disputa entre Record e SBT nas tardes de domingo.
A chegada de Ana Hickmann e expansão do elenco
Em 2009, com o retorno de Eliana ao SBT, Ana Hickmann assumiu o comando da atração. A Record manteve a essência do programa, mas investiu em novos quadros, viagens internacionais e reportagens especiais. Entre os destaques dessa nova fase estavam “A Casa de Ana Hickmann”, a reformulação do “Jogo da Afinidade” e o “Vale Tudo”, “Só Não Vale Mentir”, que frequentemente figuravam entre os momentos de maior audiência da atração.
A fase sob o comando de Ana Hickmann também contou com o reforço de outros grandes nomes da emissora. Ticiane Pinheiro ganhou destaque na atração comandando quadros marcantes, como a disputa de modelos “Top Model – O Reality”, enquanto Britto Jr. (que na época consagrou-se como o primeiro apresentador do reality “A Fazenda”) também fez participações e coberturas especiais na atração.
Em novembro de 2010, por exemplo, o programa liderou a audiência por 59 minutos e registrou 9 pontos de média, com pico de 11 pontos. Na edição, os quadros “Vale Tudo”, “Só Não Vale Mentir”, com Geisy Arruda, e “Jogo da Afinidade”, com Gretchen e Thammy Miranda, foram os principais destaques. Na semana anterior, outra edição havia alcançado 10 pontos de média na primeira parte e 11 pontos na segunda, superando “Domingo Legal” e “Programa Eliana” no confronto direto.
O fim do programa Após oito anos no ar, a Record anunciou, em dezembro de 2012, que o “Tudo É Possível” deixaria a programação. A emissora informou que concentraria seus investimentos e reuniria justamente esse time de apresentadores — Ana Hickmann, Ticiane Pinheiro e Britto Jr. — no recém-lançado “Programa da Tarde”.
O encerramento do dominical ocorreu em meio à queda de audiência e ao aumento dos custos de produção da atração. Mesmo fora da grade desde 2012, o “Tudo É Possível” permanece como um dos programas mais lembrados da fase de expansão da Record nos anos 2000. A atração marcou a mudança de perfil de Eliana, consolidou Ana Hickmann como apresentadora de auditório e ajudou a fortalecer a concorrência dominical entre as principais emissoras do país.

5. O Melhor do Brasil (Record)
Se existe um programa de auditório que marcou as tardes de sábado dos anos 2000, esse programa foi o “O Melhor do Brasil”. A atração estreou em 5 de novembro de 2005, inicialmente apresentada por Márcio Garcia, como parte da reformulação da programação da Record após a saída de Raul Gil para a Band. Nos primeiros anos, o programa apostava em concursos de talentos, apresentações musicais, humor e quadros com participação da plateia.
Em abril de 2008, Márcio Garcia deixou a Record e foi substituído por Rodrigo Faro, que deu uma nova identidade ao programa. Foi nessa fase que surgiram alguns dos quadros mais populares da televisão brasileira, como o “Vai Dar Namoro”, em que casais se conheciam no palco, e o “Dança Gatinho”, que acabou se tornando a marca registrada do apresentador.
O quadro que virou febre
O “Dança Gatinho” nasceu de forma improvisada. Em 25 de junho de 2009, após a morte de Michael Jackson, Rodrigo Faro decidiu homenagear o cantor fazendo o passo do moonwalk sempre que um casal se beijava no quadro “Vai Dar Namoro”. A ideia agradou ao público e passou a fazer parte do programa. A cada “beijão”, Faro surgia caracterizado como um artista diferente, interpretando sucessos de nomes como Lady Gaga, Beyoncé, Claudia Leitte, Sidney Magal, Ricky Martin, Jennifer Lopez, PSY, Paula Fernandes e muitos outros.
O sucesso foi imediato. Segundo a revista Veja São Paulo, uma das homenagens a Michael Jackson levou o programa ao seu recorde de audiência até então, com 22 pontos de pico, ficando por alguns minutos a apenas dois pontos do Jornal Nacional.
Rodrigo Faro falou sobre o sucesso
Em entrevista à Veja São Paulo, Rodrigo Faro comentou a repercussão do quadro e afirmou que não tinha receio de entrar nas caracterizações.
“Quanto maior o mico, maior a audiência” afirmou o apresentador.
A espontaneidade do apresentador e a dedicação às performances ajudaram a transformar o bordão “Dança, Gatinho, Dança!” em um dos mais conhecidos da televisão brasileira durante os anos 2000 e início da década seguinte. Em 2013, após oito anos no ar, “O Melhor do Brasil” passou a ser exibido aos domingos e, no ano seguinte, deu lugar ao “Hora do Faro”, que manteve diversos quadros de sucesso da atração.
Mesmo fora da programação, o programa permanece entre os formatos mais lembrados da fase de crescimento da Record e consolidou Rodrigo Faro como um dos principais apresentadores da televisão brasileira.
6. Sabadaço (Band)
Enquanto Globo, SBT e Record disputavam a preferência do público nos fins de semana, a Band encontrou no Sabadaço um de seus principais sucessos dos anos 2000. Apresentado por Gilberto Barros, o programa estreou em 24 de agosto de 2002 e permaneceu no ar até janeiro de 2007, reunindo música, entrevistas, humor, concursos e muita participação da platéia.
Em seus primeiros anos, chegou a ter cerca de seis horas de duração ao vivo, um formato pouco comum na televisão brasileira. Um dos pontos fortes da atração era a presença de artistas que viviam o auge da carreira.
Em 2003, durante a comemoração de um ano do programa, o grupo Rouge, um dos maiores fenômenos do pop brasileiro na época, participou da edição especial e apresentou seus sucessos ao público. Já em 2005, foi a vez de Juliana Silveira, protagonista de “Floribella”, subir ao palco do “Sabadaço” para receber o Disco de Ouro da trilha sonora da novela, que ultrapassou a marca de 100 mil cópias vendidas.
Na mesma edição, a atriz interpretou as músicas de maior sucesso da trama e se emocionou ao encontrar uma fã durante a homenagem. Outro momento que ficou marcado na história do programa aconteceu em setembro de 2005, quando o grupo Kasino apresentou o hit “Can’t Get Over”. A empolgação de Gilberto Barros, com bordões como “Aê, Kasinão!” e “Vai, DJ!”, transformou a apresentação em um dos vídeos mais lembrados da internet brasileira anos depois.
Além das atrações musicais, o programa também apostava em entrevistas, brincadeiras e no quadro “Feijoada do Leão”, que reunia convidados em um ambiente descontraído. O formato ajudou a consolidar Gilberto Barros como um dos principais apresentadores da Band naquele período.
Como surgiu o Sabadaço?
Em entrevista ao portal Bastidores da TV, Gilberto Barros contou que o convite para comandar a atração surgiu logo após sua saída da Record.
“O convite surgiu através do meu amigo Johnny Saad, quando nos encontramos em um evento. Nesse tempo o Rogério Gallo era o diretor artístico e foi me buscar” concluiu o apresentador.
Após mais de quatro anos no ar, o “Sabadaço” chegou ao fim em janeiro de 2007 durante uma reformulação da programação da Band.
Mesmo assim, continua sendo lembrado como um dos programas de auditório mais populares da emissora, especialmente pelas apresentações musicais de artistas como Rouge, “Floribella” e pelo inesquecível momento da banda Kasino, que ganhou status de fenômeno da internet anos depois.
7. Casa dos Artistas (SBT)
Um programa que mudou a história da televisão brasileira nos anos 2000. Lançado de forma sigilosa em 28 de outubro de 2001, o “Casa dos Artistas” foi o primeiro reality show de confinamento exibido no Brasil. Sob o comando de Silvio Santos, a atração reuniu 12 celebridades em uma mansão e estreou poucos meses antes da chegada do Big Brother Brasil, transformando-se rapidamente em um dos maiores fenômenos de audiência da história do SBT.
O elenco da primeira temporada contava com nomes como Bárbara Paz, Supla, Alexandre Frota, Mateus Carrieri, Mari Alexandre, Núbia Óliver, Leandro Lehart e Patrícia Coelho. O confinamento, as festas, as provas e o romance entre Bárbara Paz e Supla dominaram as conversas do público e garantiram grande repercussão na imprensa durante as sete semanas de exibição.
O sucesso refletiu diretamente na audiência. A estreia registrou 33 pontos de média, superando o “Fantástico” em diversos momentos. Já a grande final, exibida em 16 de dezembro de 2001, consagrou Bárbara Paz como campeã e alcançou 47 pontos de média, com 55 pontos de pico na Grande São Paulo, estabelecendo a maior audiência da história do SBT.
No mesmo horário, a Globo marcou apenas 18 pontos. O impacto do reality foi tão grande que, em alguns domingos, chegou a empatar e até superar “O Clone”, novela das oito da Globo, algo raro para uma concorrente naquele período. Além da disputa pela audiência, o programa também movimentou o mercado publicitário e consolidou o formato de realities no país.
A Folha de S.Paulo classificou o “Casa dos Artistas” como “o maior fenômeno de audiência do ano na TV”. Além da repercussão nacional, o reality também mudou a trajetória de Bárbara Paz. Após vencer a primeira edição e receber o prêmio de R$ 300 mil, a atriz foi contratada pelo SBT para protagonizar “Marisol” (2002). Depois, também estrelou “Maria Esperança” (2007) e integrou o elenco de “Cristal” (2006), consolidando-se como um dos principais nomes da dramaturgia da emissora antes de seguir carreira na Globo.
Em entrevista ao UOL, quando o programa completou 15 anos, Bárbara falou sobre a importância do reality em sua vida e respondeu às críticas de que teria renegado sua participação na atração:
“Foi incrível. Muita gente fala: ‘Nossa, você fala mal’. Como vou falar mal de uma coisa que foi maravilhosa na minha vida, gente? Uma coisa que eu ganhei, comprei minha casa, virei uma pessoa pública. Abriu vários caminhos para mim e segui o que sempre quis, ser atriz” afirmou a atriz.
Mais de vinte anos após sua estréia, o “Casa dos Artistas” continua sendo uma referência quando o assunto é reality show no Brasil. Além de registrar a maior audiência da história do SBT, o programa revelou novos talentos, impulsionou a carreira de Bárbara Paz e mostrou que esse formato tinha potencial para mobilizar milhões de brasileiros diante da televisão.
APROVEITE JÁ
JBL, Caixa de Som, Boombox 4, Bluetooth
Luz de vídeo ULANZI VL120 RGB, Luzes de vídeo de bolso LED On-Camera
Hollyland Lark M2 Microfone de Lapela sem Fio(2TX+3RX)
8. Piores Clipes do Mundo (MTV Brasil)
Entre os maiores sucessos dos programas dos anos 2000 na MTV, para fechar a nossa lista, não poderíamos deixar de lembrar do “Piores Clipes do Mundo”. Embora a atração tenha estreado em 1999, foi entre 2000 e 2001, sob o comando de Marcos Mion, que o programa alcançou seu auge e se transformou em um dos maiores clássicos da emissora.
O formato era simples, mas conquistou uma legião de fãs. A cada edição, Mion apresentava videoclipes considerados inusitados ou de gosto duvidoso e fazia comentários bem-humorados sobre as produções. O programa também exibia vídeos enviados pelos telespectadores e criou quadros que se tornaram marcas registradas da MTV, como “Pérola Videoclíptica”, “Micón” e “TSSAVPTDC” (Tradução Simultânea Buscando Sempre a Verdade Por Trás dos Clipes).
Foi justamente no “Piores Clipes do Mundo” que Marcos Mion ganhou projeção nacional. Em entrevista ao “Fantástico”, relembrada pelo Splash UOL, o apresentador falou sobre o quadro que criou na MTV:
“É uma releitura de um quadro que eu inventei com 19 anos e apresentei na MTV, onde eu analisava clipes. Sempre foi um sonho fazer isso com todo o acervo da TV Globo” afirmou o apresentador.
Em outra entrevista, ao jornal O Globo, Mion contou como surgiu a ideia do formato:
“Quando me mostraram um chroma, deu um estalo de que eu podia estar na frente dos clipes. Na filosofia, dizem que, se você tiver uma ideia original na vida, não vai passar de uma. Aquilo ali foi a minha ideia original” concluiu Mion.
Outro artista que acabou sendo beneficiado pela repercussão do programa foi Supla.
O cantor virou alvo constante das brincadeiras de Mion por causa do clipe de “Green Hair”, ganhou o apelido de “rei dos piores clipes” e voltou aos holofotes pouco antes de integrar o elenco da primeira edição da “Casa dos Artistas“, no SBT. O próprio Splash UOL destaca que a exposição no programa ajudou a recolocar Supla em evidência no cenário nacional.
O sucesso na MTV abriu portas na TV aberta. Mion teve uma passagem pela Band e retornou à MTV até ser contratado pela Record, onde em 2006 interpretou o irreverente “Emílio Redenção” na novela “Bicho do Mato”, papel que ampliou ainda mais sua popularidade. Poucos anos depois, em 2010, a emissora confiou ao apresentador o comando do Legendários, programa criado para as noites de sábado que aproveitou elementos do humor e da linguagem que haviam consagrado Mion na MTV.
A atração permaneceu no ar até 2017 e consolidou seu nome como um dos principais apresentadores da televisão brasileira. Mais de duas décadas depois, o “Piores Clipes do Mundo” continua sendo lembrado como um dos programas mais importantes da história da MTV Brasil. Além de marcar uma geração com seu humor irreverente, a atração revelou Marcos Mion para o grande público e serviu de ponto de partida para uma trajetória que passaria pela dramaturgia da Record, com Bicho do Mato, e pelo sucesso como apresentador do “Legendários” e, posteriormente, do “Caldeirão com Mion”.
Mesmo após o fim dessas atrações, o carinho do público permanece. Muitos desses programas continuam sendo lembrados por meio de vídeos, memes e comentários nas redes sociais, mostrando que marcaram uma geração e ajudaram a construir a memória afetiva de milhões de brasileiros que cresceram acompanhando a televisão nos anos 2000.
Imagem Destacada: Divulgação/SBT (Fotografia:João Batista da Silva)


Sem comentários! Seja o primeiro.