Galo supera o Juventude com gol no fim, enquanto a Raposa domina a Chapecoense no Mineirão e confirma a classificação com autoridade
O Atlético-MG e Cruzeiro estão entre os oito melhores da Copa do Brasil de 2026. Os dois principais clubes de Minas Gerais confirmaram a classificação em um intervalo de pouco mais de 24 horas, mas chegaram às quartas por caminhos que dizem muito sobre o momento de cada equipe. O Galo precisou superar uma eliminatória travada, marcada pela dificuldade para transformar posse de bola em oportunidades claras, e venceu o Juventude por 1 a 0 com um gol de Alan Minda no último lance. A Raposa apresentou maior controle territorial, pressionou a Chapecoense no Mineirão e construiu uma vitória por 2 a 0, com gols de Matheus Henrique e Kaio Jorge.
Os placares mostram duas vitórias mineiras, mas não explicam sozinhos o que aconteceu. O Atlético-MG avançou porque manteve o equilíbrio em uma partida que poderia escapar nos contra-ataques e contou com Everson para sustentar o empate nos melhores momentos do Juventude. O Cruzeiro confirmou o favoritismo ao ocupar o campo ofensivo, movimentar o meio-campo e encontrar alternativas para romper uma defesa baixa.
As classificações foram merecidas, embora tenham deixado perguntas diferentes para Eduardo Domínguez e Artur Jorge antes da próxima fase. O Galo precisa transformar sua organização em um ataque mais eficiente. A Raposa, mesmo dominante, ainda necessita de muitas chances para construir a vantagem no placar.
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Dois empates sem gols e a obrigação de vencer
Atlético-MG e Cruzeiro chegaram aos jogos de volta sob a mesma condição. As partidas de ida terminaram empatadas por 0 a 0, deixando as vagas completamente abertas. Uma vitória simples garantiria a classificação, enquanto um novo empate levaria a decisão para os pênaltis. Essa configuração aumentou o peso de cada erro e exigiu dos mineiros uma postura que combinasse iniciativa com responsabilidade.
No caso atleticano, o empate na Arena MRV havia provocado incômodo não apenas pelo resultado. Diante de sua torcida, a equipe teve maior presença ofensiva, mas encontrou dificuldades para acelerar a circulação da bola, criar superioridade perto da área e finalizar com qualidade. O Juventude mostrou que poderia defender em bloco compacto e atacar os espaços deixados pelo avanço dos laterais.

Para a volta no Alfredo Jaconi, Eduardo Domínguez precisava melhorar a ocupação do meio-campo sem expor ainda mais a defesa. A necessidade de vencer não poderia fazer o Atlético-MG abandonar a organização, principalmente porque o adversário havia mostrado capacidade para chegar em transições rápidas.
O Cruzeiro também saiu da primeira partida sem vantagem, mas carregava a possibilidade de decidir no Mineirão. Na Arena Condá, a equipe teve oportunidades, embora não tenha conseguido controlar todas as fases do jogo. A Chapecoense mostrou competitividade, fechou espaços e manteve o confronto vivo.
Em Belo Horizonte, a obrigação celeste era assumir o comando sem transformar a busca pelo gol em pressa. A postura do adversário indicava uma partida de ataque contra defesa, com a Raposa responsável por movimentar a bola e encontrar espaços diante de uma equipe posicionada perto da própria área.
Atlético melhora a estrutura, mas ainda sofre para concluir
Eduardo Domínguez promoveu mudanças no meio-campo e no ataque. Alan Franco e Mamady Cissé entraram na equipe, enquanto Tomás Cuello recuperou a titularidade. Alan Franco atuou mais próximo da defesa, permitindo que Bernard, Victor Hugo e Cissé ocupassem posições mais adiantadas por dentro.
Cuello abriu o campo pela direita, Renan Lodi avançou no corredor esquerdo e Natanael recebeu liberdade para apoiar. A intenção era aumentar as opções de passe, aproximar os jogadores de criação e impedir que o ataque dependesse apenas de cruzamentos ou de ações individuais.
A nova distribuição deixou o Atlético-MG mais organizado do que no primeiro jogo. O time conseguiu empurrar o Juventude para trás em diferentes períodos, aproximou seus jogadores e encontrou espaços para chegar ao último terço. A melhor oportunidade do primeiro tempo nasceu justamente dessa ocupação mais equilibrada.
Depois de uma construção pelo lado esquerdo, Cuello atacou a área e cabeceou no travessão. O lance mostrou uma possibilidade importante para o Galo: circular a bola por um corredor e levar o jogador do lado oposto à área. A movimentação dificultou o acompanhamento da defesa e permitiu que o atacante finalizasse com liberdade.
A melhora coletiva, entretanto, não eliminou o principal problema ofensivo. O Atlético-MG chegou a posições promissoras, mas tomou decisões ruins no momento em que deveria concluir ou oferecer o passe final. Natanael teve espaço dentro da área e demorou para definir. Bernard recebeu em condição favorável e finalizou muito acima.
Já na reta final, Igor Gomes apareceu diante do goleiro Jandrei, mas chutou na rede pelo lado de fora. Em todos esses momentos, a equipe havia conseguido superar a primeira linha de marcação. O problema não estava necessariamente na construção, mas na execução do último movimento.
O Galo frequentemente precisou de mais um toque, perdeu o melhor ângulo ou finalizou sem equilíbrio. Em uma competição eliminatória, desperdiçar tantas situações mantém o adversário vivo e aumenta o peso de qualquer erro defensivo.

A participação de Cassierra também ficou limitada. O centroavante foi cercado pelos zagueiros e recebeu poucas bolas em condições de finalizar. Como o Atlético-MG não conseguiu conectá-lo com frequência aos meias, passou a depender das infiltrações de quem vinha de trás, dos avanços dos laterais e de jogadas individuais.
O time teve presença ofensiva, mas nem sempre conseguiu envolver o Juventude ou retirar os defensores de suas posições. A equipe gaúcha fechou o centro, protegeu a área e obrigou o adversário a circular a bola por regiões menos perigosas.
Juventude encontra espaços e exige resposta de Everson
O Juventude aceitou atuar durante longos períodos sem a bola. A estratégia de Maurício Barbieri priorizou a proteção da região central e as saídas rápidas depois das recuperações. A equipe gaúcha não precisava controlar a posse para ameaçar. Bastava aproveitar os espaços deixados pelos avanços de Renan Lodi e Natanael, além de disputar as segundas bolas próximas à área.
O plano criou dificuldades para o Atlético-MG. Alisson Safira ameaçou pelo alto, Raí Silva finalizou com perigo e, no segundo tempo, Marcos Paulo, Gabriel Pinheiro e Lucas Mineiro encontraram oportunidades.
O time mineiro teve mais iniciativa, porém o confronto permaneceu aberto porque o Juventude conseguiu produzir chances em momentos específicos. Quando recuperava a bola, a equipe buscava acelerar antes que a defesa atleticana recuperasse suas posições.

Everson tornou-se decisivo nesse cenário. O goleiro respondeu quando a equipe perdeu duelos e evitou que o adversário assumisse a vantagem. A defesa na cabeçada de Marcos Paulo, no segundo tempo, teve peso especial. Um gol naquele momento obrigaria o Atlético-MG a abandonar o controle e atacar de maneira ainda mais exposta.
Ao preservar o empate, Everson permitiu que o time continuasse buscando a classificação sem transformar a partida em uma correria. A atuação do goleiro também reforçou a importância da segurança defensiva em uma noite de baixa eficiência.
Quando o ataque demora a funcionar, a equipe precisa continuar competitiva na própria área. O Atlético-MG ofereceu oportunidades, mas não desmoronou. Essa estabilidade manteve o confronto aberto até o último ataque.
Banco mantém o Galo vivo até o fim
Eduardo Domínguez utilizou o banco para aumentar a capacidade de condução e renovar a velocidade pelos lados. Dudu e Igor Gomes entraram para se aproximar da área, enquanto Alan Minda substituiu Victor Hugo.
As mudanças não resolveram imediatamente a dificuldade na finalização, mas impediram que o Atlético-MG aceitasse passivamente a disputa por pênaltis. Mesmo com o relógio avançando, a equipe continuou colocando jogadores no campo ofensivo e tentando explorar o desgaste da defesa gaúcha.
Minda já havia encontrado espaço antes do gol e mostrado disposição para atacar a marcação. No último lance, Lyanco lançou a bola para a área, a defesa do Juventude não conseguiu afastar e o equatoriano aproveitou a sobra.
A finalização no canto superior decidiu a eliminatória quando o árbitro já se preparava para encerrar a partida. O gol, marcado praticamente no último segundo dos acréscimos, mudou em poucos instantes o cenário de uma possível disputa por pênaltis.
O lance premiou a insistência do Galo, mas também revelou como a classificação esteve perto de escapar para uma situação imprevisível. Durante quase toda a eliminatória, o time encontrou dificuldades para transformar sua superioridade territorial em vantagem.

A participação de Minda valorizou a força do elenco. O atacante saiu do banco, manteve a agressividade e aproveitou a última oportunidade. Em jogos eliminatórios, ter jogadores capazes de modificar a partida depois das substituições pode ser tão importante quanto começar com a melhor formação possível.
A classificação fortalece o grupo e oferece confiança para a sequência. Ao mesmo tempo, não apaga os problemas apresentados. O Atlético-MG foi a equipe que mais procurou construir, mas precisou de uma falha adversária no último lance para confirmar a vaga.
Contra adversários mais fortes, o time precisará conectar melhor Cassierra, acelerar a escolha do último passe e aproveitar as oportunidades antes que o jogo entre em uma fase de descontrole emocional.
Cruzeiro controla o território e movimenta o meio-campo
No Mineirão, o Cruzeiro encontrou uma partida com outra dinâmica. A Chapecoense se posicionou perto da própria área, entregou a iniciativa ao mandante e tentou reduzir os espaços centrais.
Artur Jorge respondeu com uma estrutura que distribuiu melhor as responsabilidades entre os jogadores do meio. Gerson recuou para participar da saída e iniciar a circulação próximo aos zagueiros. Matheus Henrique ganhou liberdade para receber mais à frente, aproximar-se de Matheus Pereira e atacar a área.
Matheus Pereira circulou entre os lados, ajudou a mudar o corredor das jogadas e evitou que o time insistisse sempre pela mesma região. O camisa 10 não participou apenas procurando assistências. Também controlou o ritmo, ofereceu linhas de passe e ajudou a manter o adversário pressionado.
Essa organização ofereceu ao Cruzeiro mais domínio. Em vez de acelerar qualquer posse, a equipe movimentou a Chapecoense até encontrar espaço. William avançou pela direita, enquanto Gabriel Rojas deu amplitude pelo lado esquerdo.

Quando os defensores catarinenses fechavam o centro, os laterais recebiam em condição de cruzar. Quando a marcação se espalhava, Matheus Henrique e Matheus Pereira encontravam espaço entre as linhas.
Fabrício Bruno também foi importante para criar superioridade. Como a Chapecoense pressionava pouco a saída, o zagueiro pôde conduzir, avançar e participar de ações próximas ao ataque.
Foi dele o cruzamento que originou o primeiro gol. A presença de um defensor capaz de romper a primeira linha com a bola obrigou o adversário a tomar decisões e impediu que o Cruzeiro dependesse apenas dos passes dos volantes.
Matheus Henrique transforma movimentação em vantagem
A atuação de Matheus Henrique sintetizou o funcionamento do Cruzeiro. O volante participou da construção, ajudou na recuperação e apareceu dentro da área no momento certo.
Aos 45 minutos do primeiro tempo, atacou o cruzamento de Fabrício Bruno, cabeceou, acompanhou a defesa de Anderson e marcou no rebote. A jogada mostrou o valor de um meio-campista que não permanece preso à base da construção.
Com Gerson protegendo a saída e Matheus Pereira participando da criação, Matheus Henrique pôde avançar sem deixar o setor desocupado. Sua infiltração aumentou o número de jogadores na área e tirou de Kaio Jorge a responsabilidade de ser o único alvo das jogadas.
O gol também teve uma imagem de entrega. Matheus Henrique sofreu uma fratura no nariz após o choque com Eduardo Doma e continuou em campo antes de ser substituído aos 15 minutos do segundo tempo.

Além do impacto direto no placar, sua participação deu intensidade ao meio e ajudou o Cruzeiro a impedir que a Chapecoense encontrasse tranquilidade para sair jogando.
Pouco depois do primeiro gol, Max Alves foi expulso, deixando o time catarinense com um jogador a menos. A expulsão mudou a margem de segurança do confronto.
O Cruzeiro passou a controlar ainda mais a posse, adiantou sua linha defensiva e reduziu as possibilidades de reação do adversário. Com superioridade numérica, a equipe conseguiu manter a bola no campo ofensivo e evitou correr riscos desnecessários.
Superioridade evidencia problema de eficiência
O domínio celeste foi claro, mas a equipe também voltou a mostrar dificuldade para transformar volume em gols. Antes de abrir o placar, o Cruzeiro criou oportunidades e desperdiçou finalizações em boas condições.
Keny Arroyo e Kaio Jorge tiveram possibilidades de marcar, enquanto Anderson evitou que a vantagem surgisse mais cedo. O time circulava a bola, chegava à área e produzia situações, mas nem sempre concluía com a precisão necessária.
Esse desperdício não comprometeu a classificação porque a Chapecoense ofereceu pouco perigo e ainda perdeu um jogador. Em um confronto mais equilibrado, a falta de eficiência pode alterar completamente o cenário.
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Controlar o território é importante, mas o domínio precisa aparecer no placar antes que o adversário encontre confiança ou consiga aproveitar uma oportunidade isolada.
Kaio Jorge permaneceu participativo apesar dos erros. O atacante saiu da área para se aproximar dos companheiros, abriu espaços para as infiltrações e continuou procurando o gol.

Na reta final, sofreu um pênalti e assumiu a cobrança, fechando a vitória por 2 a 0. O segundo gol evitou que o placar terminasse pequeno diante da superioridade apresentada e recompensou a insistência do centroavante.
A atuação mostrou um Cruzeiro com repertório para atacar uma defesa baixa. A equipe utilizou os lados, encontrou passes por dentro, avançou com um zagueiro e levou jogadores do meio à área.
O próximo passo é melhorar o aproveitamento. Criar muitas oportunidades continuará sendo uma virtude, mas precisar de tantas chances para marcar pode custar caro nas quartas de final.
Classificações trazem confiança e desafios diferentes
Atlético-MG e Cruzeiro garantiram R$ 4 milhões cada pela classificação e aguardam o sorteio que definirá os confrontos, os mandos de campo e o chaveamento até a semifinal.
Além do valor esportivo e financeiro, a presença dos dois rivais mantém Minas Gerais em posição de destaque e preserva a possibilidade de um clássico em uma fase decisiva da Copa do Brasil.

O Atlético-MG sai fortalecido pela capacidade de competir até o último segundo. Everson ofereceu segurança, o banco alterou a dinâmica e Minda aproveitou a oportunidade que decidiu o confronto.
Eduardo Domínguez, entretanto, precisa transformar a organização em produção ofensiva mais limpa. Aproximar Cassierra, acelerar a escolha do último passe e reduzir as finalizações desequilibradas serão pontos importantes.
O Cruzeiro apresentou uma estrutura mais consistente. Gerson, Matheus Henrique e Matheus Pereira dividiram bem as funções, os laterais ampliaram o campo e Fabrício Bruno contribuiu para romper a marcação.
Artur Jorge terá de trabalhar a eficiência e impedir que o domínio se transforme em ansiedade quando o primeiro gol demora. Adversários mais fortes podem aproveitar os períodos em que a Raposa controla a partida, mas não consegue construir vantagem.
As duas classificações ajudam a medir o estágio dos gigantes mineiros. O Atlético-MG avançou apoiado na persistência, na atuação de seu goleiro e em uma resposta vinda do banco. O Cruzeiro confirmou a vaga por meio do controle, da movimentação e da variedade ofensiva.
Os dois estão entre os oito melhores da Copa do Brasil. Para continuar na competição, porém, precisarão levar às quartas as virtudes apresentadas e corrigir problemas que adversários mais fortes provavelmente não deixarão passar.
Imagem Destacada: Divulgação/Gerado por Inteligência


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