Ou Paris & Roma: o amor genuíno consegue mesmo superar as barreiras do tempo e do espaço?
“Paris & Roma”, escrito por Ana Laura Moura, uma autora independente brasileira que já tem duas obras publicadas, sendo elas “Todas essas estrelas” e “Paris e Roma”, todos disponíveis na Amazon. Ela é atualmente estudante de jornalismo e despertou o seu interesse pela leitura ainda muito jovem, sendo uma colecionadora de gibis assídua.
A história conta sobre o amor entre Luna e Bella que vão se descobrindo conforme o tempo passa, e também descobrindo que o amor que nutrem uma pela outra é muito diferente do que de uma simples amizade. Só que a história não é linear, ela acompanha o tempo presente, que é em 1958, mas vai para o passado em diversas épocas da vida das protagonistas, e assim conseguimos entender como elas chegaram até onde estão, e ver a amizade se transformar no amor que uma nutre pela outra.
“Respirou fundo e, antes que Bella pudesse levantar para interpretar o guarda, a beijou, fazendo com que a outra se assustasse de imediato, mas sem se mover, aproveitando de algo do qual sempre sonhara, com um biquinho nos lábios e os olhos fechados, como se caso os abrisse esse sonho pudesse acabar.”
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Por ser um livro de época existem alguns fatos históricos interessantes que são descritos ao decorrer da obra, como também uma atenção especial pela autora com o tipo de fala, veste, e objetos das décadas de 40 à 70. Por exemplo, televisão sendo um item raro, e um telefone fixo sendo de difícil acesso para algumas pessoas. Também há menções importantes de figuras históricas.
“Ele disse que na verdade quem criou o rock foi uma mulher negra… Rosetta Tharpe, ela é cantora gospel e também canta jazz também. (…) ela é um ícone, não? Apesar de não ser suficientemente conhecida e valorizada.”
A história consegue te pegar muito pelo lado histórico e das belas artes, sendo esse o meio em que as meninas vivem — uma sendo uma pintora em ascensão em Paris e a outra sendo uma atriz em um grupo de teatro famoso em Roma. Então, a parte histórica e de como era a vida dos artistas aparecem muito no livro, o que chama a atenção, pois é mesclado como as pessoas que são LGBT tinham que viver naquela época e como a arte era um refúgio para muitas delas terem a vida que sonham ter sem serem aceitas em meio a sociedade.
Sendo muito fiel à época em que é descrita, o livro tem muitos preconceitos, seja eles expressos de forma descaradas como na sociedade de modo geral, ou preconceitos internalizados, como no caso de Luna que, por mais que seja uma mulher lésbica, tem algumas falas e posicionamentos problemáticos, e parte disso talvez seja por não aceitar a si mesma e, por mais que ame Bella, sempre tem alguns pensamentos do tipo “e se não fosse assim, como seria?”

O tipo de narração é em terceira pessoa onisciente, é como se alguém estivesse contando a história das duas protagonistas e soubessem de tudo o que acontece o tempo todo, o que é uma escolha interessante, pois consegue transmitir diversos acontecimentos de uma única vez e dando a liberdade de mostrar ao leitor algo que as protagonistas não viram ou que dar dicas de um futuro próximo, o que algumas vezes antecipa algumas decepções e tristezas e em outros uma surpresa tão grande quanto as estrelas que fará parte da vida delas.
O se propõem a ser o que a autora diz no começo uma inspiração forte de “The One That Got Away”, de Katy Perry. O “e se” de Luna talvez nunca seja respondido, pois o “e se” jamais foi uma opção para Bella, já que para ela eram as duas contra o mundo. Talvez em uma outra vida, Luna pudesse fazer a Bella ficar, e talvez em uma outra vida, elas fiquem juntas.
“Paris & Roma”. Imagem Destacada: Divulgação/Gerada por inteligência artificial



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