Vestindo as cores do Brasil e à frente de uma banda mascarada, a cantora luso-americana garantiu rodas de pogo e vocais poderosos em uma apresentação com altos e baixos técnicos
Poppy, penúltima atração do Palco Sunset, era um mistério para muitos. Quando as luzes do Palco Sunset se acenderam na noite de sábado, o público presente na Cidade do Rock soube imediatamente que estava prestes a testemunhar algo fora da curva. Com a chuva dando uma trégua crucial para a noite do metal, Moriah Rose Pereira — mundialmente conhecida pela alcunha de Poppy — trouxe o seu genuíno “circo dos horrores” para o festival. À frente de uma banda inteiramente mascarada, que evoca a estética sombria e teatral do Slipknot, a cantora luso-americana fez uma entrada marcante e cheia de simbolismo ao vestir um figurino feito sob medida nas cores verde e amarela.
LEIA MAIS
Highlights Rock In Rio 2026 | Chuva, Mosh Pits e Uma Cidade do Rock Mais Entregue no Segundo Dia
Rock in Rio 2026 | Avenged Sevenfold – A História da Banda que Perdeu um Irmão e Transformou Dor em Metal
De Sheffield Para o Mundo | A História Incrível do Bring Me The Horizon Antes do Rock in Rio 2026
A apresentação começou sem rodeios. Com “Have You Had Enough?”, a artista mostrou de cara a dualidade que define sua atual fase artística, transitando sem esforço entre vocais doces e guturais rasgados. Logo em seguida, emendou “The Cost of Giving Up”, mantendo o Sunset visivelmente cheio e engajado. Não demorou para que a cantora cobrasse a energia do público brasileiro: “Ei, Rock in Rio! Preciso ver algumas rodas de pogo aí embaixo”, instigou do palco. O pedido foi atendido prontamente, transformando o gramado em uma maré de pulos e mosh pits a cada explosão sonora dos instrumentos.
Em dado momento, alguns corajosos chegaram a se sentar no chão enlameado e puxar uma “remada viking” – como a torcida da seleção da Noruega na Copa do Mundo – durante o show. Não que Poppy tenha qualquer relação conhecida com o time da Noruega, foi uma escolha aleatória do grupo de presentes. Provavelmente teriam “remado” para qualquer artista que subisse no palco.
Apesar da entrega e da estética impecável, o show enfrentou pequenos percalços técnicos e estruturais que comprometeram a experiência de parte da plateia. A dinâmica das composições de Poppy — que mistura uma voz melódica e limpa, por vezes lembrando o timbre pop de Katy Perry, com pancadas do heavy metal — criava uma oscilação de clima constante. Para o espectador mais tradicional do gênero, essa alternância entre o suave e o agressivo nem sempre funcionava de maneira fluida. Além disso, a sonoridade da ilha do Sunset sofreu com a falta de pressão acústica, fazendo com que o som chegasse fraco para quem acompanhava a apresentação mais ao fundo.

Essa mistura irreverente de referências faz todo sentido quando se analisa a trajetória da artista. Aos 31 anos, Moriah começou sua jornada sob os holofotes na internet, ganhando notoriedade global como criadora de conteúdo no YouTube através de vídeos conceituais, surreais e enigmáticos. A transição para a música ocorreu de forma natural, inicialmente com produções focadas em um pop estilizado. No entanto, a grande virada de chave veio em 2020 com o álbum “I Disagree”, projeto em que Poppy abraçou de vez o rock pesado e a música industrial. O trabalho foi aclamado pela crítica e rendeu à cantora uma indicação histórica ao Grammy, consolidando sua vaga na cena alternativa internacional.
COMPRE AQUI
Amazon Echo Show 8 (Geração mais recente) – Com novo design, tela vibrante HD de 8,7
Hollyland Lark M2 Microfone de Lapela sem Fio(2TX+3RX), Transmissão Sem Fio de 1000ft
Soundbar TCL com Subwoofer sem fio Bluetooth 2.1 Canais HDMI ARC S55H
Na metade final do setlist, o fluxo do público no Sunset começou a mudar. Atraídos pela urgência do cronograma do festival, uma parcela considerável dos espectadores iniciou a famosa romaria rumo ao Palco Mundo, onde a banda britânica Bring Me The Horizon se preparava para assumir o protagonismo da noite. O êxodo, contudo, não diminuiu o mérito da apresentação de Poppy, que manteve sua postura hipnótica até o último segundo no palco.
Com personalidade de sobra, ideias visuais corajosas e uma identidade gráfica forte, Poppy provou no Rock in Rio que já construiu uma base de fãs extremamente fiel no Brasil. Embora sua sonoridade ainda busque uma assinatura mais coesa para amarrar os extremos entre o pop e o metal, e eventualmente ficando um tanto perdida nesse eixo, a artista luso-americana ainda tem tempo para fazer os devidos ajustes. Por enquanto, tratemos como promessa.
Setlist:
- have you had enough?
- the cost of giving up
- Concrete
- Bruised Sky
- Scary Mask
- crystallized
- vital
- Public Domain
- Time Will Tell
- V.A.N(Bad Omens cover)
- If We’re Following the Light
- new way out


Sem comentários! Seja o primeiro.