Do nome bíblico ao Palco Mundo do Rock in Rio 2026, o A7X construiu uma trajetória marcada por reinvenção, luto, peso e sobrevivência
Avenged Sevenfold é uma daquelas bandas cuja história parece roteiro de filme. Tem nome tirado da Bíblia, amizade de escola, mudança radical de som, ascensão meteórica, perda irreparável e um álbum que nasceu no meio do luto. Agora, no dia 5 de setembro, a banda sobe ao Palco Mundo do Rock in Rio 2026, em uma noite que promete fazer Jacarepaguá tremer.
Mas antes de chegar a um dos maiores festivais do mundo, o A7X precisou sobreviver a muita coisa.
A começar pelo próprio nome.
Avenged Sevenfold e o nome que veio de Caim e Abel
O nome da banda foi tirado do livro de Gênesis, na história de Caim e Abel. Na passagem, Deus diz que quem matar Caim será vingado sete vezes. Avenged Sevenfold. Vingados sete vezes.
Mas calma: isso não faz deles uma banda religiosa. Muito pelo contrário. O nome sempre funcionou mais como uma imagem forte, quase cinematográfica, do que como uma declaração espiritual. Era pesado, misterioso e combinava com a intensidade que eles queriam colocar no palco.
A banda foi formada em 1999, em Huntington Beach, na Califórnia, por M. Shadows e Zacky Vengeance, dois amigos de escola que já tinham tentado outras bandas antes, mas ainda não tinham encontrado o caminho certo.
Aí juntaram mais dois amigos, incluindo um baterista chamado Jimmy Sullivan, que o mundo viria a conhecer como The Rev, e o Avenged Sevenfold nasceu.
Desde cedo, eles também adotaram nomes artísticos. Para M. Shadows, esses nomes ajudavam a definir quem eles se tornavam no palco. Uma outra identidade. Uma versão mais intensa de si mesmos.
E, no caso do A7X, intensidade nunca foi detalhe.
Do metalcore ao estouro com City of Evil
O primeiro álbum, Sounding the Seventh Trumpet, foi gravado quando eles ainda eram muito jovens. O som era cru, agressivo, direto e mergulhado no metalcore do início dos anos 2000. Era uma banda tentando descobrir a própria força no barulho.
Depois veio Waking the Fallen, em 2003, que começou a consolidar o grupo dentro da cena pesada. Mas foi em 2005, com City of Evil, que tudo mudou de vez.
Ali, o Avenged Sevenfold deixou parte do metalcore para trás e abraçou uma sonoridade mais próxima do hard rock clássico e do heavy metal tradicional. Entraram solos de guitarra épicos, refrões mais grandiosos, melodias mais abertas e uma ambição que já apontava para arenas.
“Bat Country”, “Seize the Day” e “Beast and the Harlot” viraram músicas fundamentais dessa fase. A banda que antes era vista como parte de uma cena mais underground começou a furar a bolha.
Em 2006, o clipe de “Bat Country” levou o prêmio de Melhor Artista Revelação em Vídeo no VMA. Era Huntington Beach dominando o mundo, ou pelo menos começando a fazer muito barulho nele.
LEIA TAMBÉM
Rock in Rio 2026 | Foo Fighters – A História da Banda que Nasceu da Perda e Virou uma Força Imparável do Rock
Rock in Rio 2026 | Festival Anuncia Calvin Harris e Black Eyed Peas; Veja Atrações Confirmadas
Rock in Rio 2026 anuncia novidades e amplia programações do Palco Supernova e do Global Village
The Rev: o coração criativo da banda
Aí chegou 28 de dezembro de 2009.
The Rev morreu aos 28 anos, deixando a banda e os fãs em choque. Para muita gente, aquele parecia o fim do Avenged Sevenfold.
E fazia sentido pensar assim.
The Rev não era só o baterista. Era compositor, vocalista, pianista e uma das forças criativas mais importantes do grupo. Ele ajudava a dar ao A7X aquele lado teatral, estranho, imprevisível e emocional que sempre fez a banda soar diferente de muitos nomes do metal moderno.
M. Shadows já contou em entrevistas que The Rev tinha uma relação muito intensa com a própria trajetória e com a ideia de viver rápido demais. Depois de sua morte, essa percepção ganhou outro peso para os fãs e para a própria banda.
Mas transformar essa perda em mito simples seria diminuir o tamanho real do impacto. O que aconteceu com o Avenged Sevenfold foi mais difícil: eles perderam um amigo, um irmão de estrada e uma peça central da própria identidade artística.
Muita gente achou que a banda tinha acabado.
Mas eles não acabaram.

Nightmare: o álbum mais difícil da carreira
Com a ajuda de Mike Portnoy, baterista do Dream Theater e uma das maiores referências de The Rev, o Avenged Sevenfold entrou em estúdio para terminar Nightmare.
O disco já estava em processo antes da morte do baterista, mas ganhou outro significado depois dela. Cada faixa parecia carregar ausência, peso e homenagem. Não era apenas um álbum novo. Era uma despedida em forma de metal.
Lançado em 2010, Nightmare estreou em primeiro lugar na Billboard 200 e se tornou um dos trabalhos mais importantes da banda. Não só pelo desempenho comercial, mas pelo que representava emocionalmente.
Foi o disco mais difícil que eles já fizeram.
Também foi o álbum que provou que o Avenged Sevenfold não era apenas uma banda construída em torno de hits, riffs e estética sombria. Era uma família tentando continuar depois de perder alguém que parecia insubstituível.
E talvez seja por isso que Nightmare ainda bata tão forte.
Uma banda que nunca parou de se reinventar
Depois de Nightmare, o Avenged Sevenfold continuou mudando. Lançou Hail to the King, em 2013, com uma pegada mais direta, influenciada pelo heavy metal clássico. Depois veio The Stage, em 2016, mergulhando em temas de tecnologia, inteligência artificial e progressivo.
Em 2023, a banda voltou com Life Is But a Dream…, um álbum conceitual, ambicioso e divisivo. Não foi um disco feito para agradar todo mundo. E talvez esse seja exatamente o ponto.
O A7X nunca pareceu interessado em ficar preso à própria fórmula. A banda que começou no metalcore, explodiu com hard rock, atravessou o luto com Nightmare e depois flertou com o progressivo e o experimental continua fazendo aquilo que sempre fez melhor: se recusar a ficar parada.
Essa teimosia explica por que, mais de duas décadas depois, o Avenged Sevenfold ainda ocupa um lugar tão forte no metal moderno.
COMPRE AQUI
Camiseta Avenged Sevenfold A7X
Avenged Sevenfold – Cropped
Camiseta Avenged Sevenfold Logo
Avenged Sevenfold no Rock in Rio 2026
No dia 5 de setembro, o Avenged Sevenfold sobe ao Palco Mundo do Rock in Rio 2026. E não vem sozinho: a mesma noite também terá Bring Me The Horizon, mgk e Sepultura, formando um dos dias mais pesados e aguardados do festival.
É o tipo de line-up que conversa diretamente com diferentes gerações do rock e do metal. Tem o peso clássico brasileiro do Sepultura, a reinvenção do Bring Me The Horizon, o pop punk de arena do mgk e o metal moderno do Avenged Sevenfold.
Para os fãs do A7X, a expectativa é clara: um show intenso, cheio de clássicos e com aquele peso emocional que acompanha a banda desde sempre.
“Bat Country”, “Nightmare”, “Afterlife”, “Hail to the King”, “Seize the Day”, “A Little Piece of Heaven” e “So Far Away” são músicas que carregam fases diferentes da história do grupo. Algumas explodem no palco. Outras funcionam quase como catarse coletiva.
E em uma Cidade do Rock lotada, isso pode virar um daqueles momentos que ficam na memória.
Uma história de perda, peso e sobrevivência
O Avenged Sevenfold tem oito álbuns de estúdio, milhões de discos vendidos e uma base de fãs fiel no mundo inteiro. Mas reduzir a banda aos números seria pequeno demais.
A história do A7X é sobre uma banda que começou entre amigos de escola, encontrou um nome bíblico que parecia maior do que ela, virou fenômeno com City of Evil, perdeu um de seus pilares criativos e ainda assim encontrou uma forma de continuar.
Eles perderam o irmão.
E fizeram o álbum mais pesado de suas vidas.
Do nome bíblico a um dos maiores festivais de música do mundo, o Avenged Sevenfold segue como uma banda que sobreviveu ao impossível e ainda tem muito a dizer.
Agora, resta esperar setembro.
E preparar o pescoço.
Imagem Destacada: Divulgação/Rock in Rio


Sem comentários! Seja o primeiro.