Nesta semana a internet quebrou com o lançamento do single “This is America”, do artista Donald Glover, mais conhecido como Childist Gambino. Foram mais de 13 milhões de visualizações em menos de 24 horas. Muito provavelmente, Gambino irá desbancar Drake que está há 15 semanas consecutivas na 1a posição da lista da Billboard.

Todos ficaram eufóricos porque a música e o vídeo dirigido por Hiro Murai (diretor de clipes como “She Wolf” de Sia e David Getta) é cheio de referências e significados escondidos. Na dança do vídeo, por exemplo, Glover faz movimentos semelhantes aos do personagem Jim Crow, que representava um esteriótipos negros e inspirou a lei de segregação racial nos EUA.

Há um trecho com algumas crianças vestidas com roupas semelhantes as utilizadas pelos estudantes que estiveram presentes no Levante de Soweto, na África do Sul, em 1976, quando estudantes negros foram às ruas protestar por um sistema de educação igualitária. O coro presente no vídeo muitos acreditam que é uma referência ao massacre na igreja afro-americana de Charleton. Isso para não falar em alguns outros simbolismos mais sutis como o pano vermelho nas mãos de quem segura a arma como uma metáfora para as mãos sujas de sangue.

A música fala sobre os Estados Unidos, mas muitos fãs atentaram-se para o fato de que Gambino traz uma linguagem universal onde é possível enxergar a condição dos negros em todas as partes do mundo. Do Brasil, há uma referência direta: o diretor falou em entrevista que a ideia era fazer um clipe que se passasse encaixasse no universo de Cidade de Deus de Fernando Meirelles.

O americano estourou com o clipe de sua mais nova música, mas não é só no universo musical que Donald manda bem. Ele é também ator, roteirista e humorista. Tudo começou quando Donald era um estudante da Universidade de Nova York e foi descoberto por ninguém mais, ninguém menos que Tina Fey. Tina viu seu potencial e convidou-o para escrever a série 30 Rock, vencedora de um Globo de Ouro e um Emmy. Glover foi roteirista da série até 2009 quando passou a se dedicar a sua carreira de ator: esteve em filmes como “Perdido em Marte” e “Han Solo: uma aventura Star Wars”, além das séries “Community” e “Atlanta”, uma criação sua vencedora de um Globo de Ouro e dois Emmy de Melhor Série de Comédia e Melhor Ator de Comédia.

E aonde surgiu Childish Gambino, o rapper? A história do nome é bem menos poética do que se possa pensar: através de um site ele escolheu aleatóriamente um nome, porque queria se distanciar da sua carreira como comediante. Gravou sua primeira mixtape com a nova alcunha em 2008. Em 2011, ele ganhou mais notoriedade, quando assinou com a Glassnote Records e lançou o clipe “Bonfire” – considerado por muitos tão genial quanto “This is America”. Gambino é também o responsável por “Redbone”, parte da trilha sonora do premiado filme “Corra”. Childish Gambino já foi indicado ao Grammy 7 vezes, 5 delas só em 2018, só levou uma. Mas não levou calado. Donald Gover diz que não recebe o reconhecimento que merece por ser negro – e parece que ele está certo, são inúmeros trabalhos de altíssima qualidade no universo fonográfico e cinematográfico para o pouco reconhecimento. Pouco e tardio, em 2017 o rapper falou em entrevista se aposentará em breve.

Antes tarde do que nunca. O hit de Gambino estoura na mesma semana em que Kanye West dá uma polêmica entrevista falando que apoia Donald Trump e que pensa que os 400 anos de escrevidão foi mera opção, se um ídolo cai, há outro para assumir seu lugar.