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A quebra de tabus em “The Fosters”

Original do canal ABC Family nos Estados Unidos, a série “The Fosters”, desde 2013, traz, para a telinha – e nossos corações –, a história de uma família considerada ainda, em muitos lugares ao longo do globo, não tradicional ou se quer pode ser nominada assim. Já começando com um grande tabu como centro da narrativa, a obra de Bradley Bredweg e Peter Paige – tendo Jennifer Lopez como produtora – busca desenvolver harmonia e rompimento de preconceitos, sejam eles enraizados ou novos a serem discutidos.

A série norte-americana – disponível na Netflix até a terceira temporada – conta sobre o casal Stef e Lena Foster (Teri Polo e Sherri Saum, respectivamente), duas mães que, juntas, cuidam de 3 adolescentes: Brandon (David Lambert) e os gêmeos Mariana (Cierra Ramirez) e Jesus (Jake T. Austin até o final da segunda e, da terceira em diante, Noah Centineo).

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O personagem de David é o único filho biológico do casal, fruto do casamento de Stef com o colega de trabalho Mike (Danny Nucci). Apesar do que todos possam pensar, os dois conseguem ter uma boa relação, com respeito e aceitação de Mike com Lena e o novo casamento da ex mulher. Já os gêmeos, desde crianças, foram adotados pelas duas, após Stef ficar sensibilizada com a chegada de ambos na delegacia, seu ambiente de trabalho. Os três, mesmo com suas diferenças de personalidade e rotina, vivem como irmãos e sempre defendendo uns aos outros.

Contudo, a série começa quando Lena resolve ajudar Callie (Maia Mitchell), uma garota problemática que havia acabado de sair do reformatório. Com a intenção de só ficar com ela por uns dias, depois Lena e Stef resolvem ficar com a menina. Além de ocasionar muitas intrigas entre a família Foster com sua presença, ela deseja resgatar seu irmão mais novo Jude (Hayden Byerly) de um lar adotivo abusivo.

Ao longo dos anos, muitos problemas são ocasionados e precisam ser solucionados – a grande maioria com a ajuda de Stef, por ser uma policial. Todos os adolescentes frequentam a escola em que Lena é vice-diretora, inclusive os recém-chegados Callie e Jude. Convivendo os sete no mesmo teto, muitas brigas e até paixões mal resolvidas servirão como temas a serem tratados.

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Atualmente, em sua quinta temporada, “The Fosters” ainda escolhe para discussão e, claro, polemizar as narrativas centrais e secundárias, muitos temas considerados tabus. Sempre tendo uma vertente de clarear a mente dos telespectadores e auxiliá-los com o preconceito e certa ignorância, a série oferece, dentre vários, os seguintes assuntos:

(OBS: A partir desse momento, pode conter alguns spoilers!)

  • Reformatório não é feito apenas de “bandidinhos”

Quem nunca pensou, pelo menos uma vez, como devem ser os reformatórios? Obviamente, por se tratarem de países diferentes, não poderíamos nunca esperar o mesmo cenário. Contudo, no caso americano, com a história de vida de Callie Foster servindo de exemplo, é possível analisar com outros olhos a relação dos reformatórios com os adolescentes que vão parar lá. A personagem de Maia Mitchell teve uma vida visivelmente difícil, sendo órfã de mãe e tendo um pai desconhecido, passou por inúmeras casas adotivas, mas voltando para o reformatório por, em muitas das vezes, querer fazer justiça com as próprias mãos, como forma de defesa ou até desespero. Então, não, vamos abrir nossas mentes fechadas e ver que muitas crianças e adolescentes até os 17 anos caem no sistema e são julgados, pelos olhares de fora, como pivetes e bandidos em potencial. Todos têm suas histórias de vida, passando por maus bocados e precisando arranjar sua própria sobrevivência, sem adultos presentes. Além disso, até mesmo usando a Callie como exceção, há muitos menores dentro dessas instituições que possuem uma base familiar, mas acabam optando por certas escolhas e atitudes que os fazem voltar para lá.

  • “Saída do armário” precoce

O personagem Jude, desde muito novo, demonstrava que sabia da sua orientação sexual. Com o apoio da família adotiva e sua irmã Callie, Jude conseguiu “sair do armário” na pré-adolescência e engatou em um relacionamento com seu melhor amigo Connor (Gavin MacIntosh). Mesmo com convicção do que queria, ele ainda tenta se forçar como hétero com sua amiga da escola, que estava interessada nele. Contudo, não deu certo e ele acabou seguindo seu coração. Jude sempre teve a opção de conversar com suas mães a respeito e, em muitos casos, a ajuda delas para lidar com o pai de Connor, que não lidava nem um pouco bem com a sexualidade do filho. Ao longo das temporadas, Jude ainda tem outros relacionamentos, fazendo com que ele amadurecesse.

  • Brandon Foster: padrasto adolescente

Ter filhos na época da adolescência já é um grande desafio. Agora, no caso de Brandon, ele virou padrasto muito cedo, por namorar Courtney (Denyse Tontz), que tem um filho pequeno Maison. Com uma briga que ocorre dentro de casa, Brandon resolve se mudar para a casa da namorada, fazendo não só seu papel de estudante, como de padrasto de Maison. Em muitas ocasiões, Courtney precisou da ajuda de Brandon por não ter com quem deixar o filho, causando muitos problemas na vida do filho de Stef. As mães não lidavam bem com a saída do mais velho de casa, muito menos em vê-lo perdendo muitas oportunidades por tomar conta de uma criança que nem era dele. Quanto ao destino de Brandon, ele acabou terminando com a menina por uma série de motivos, mas, na temporada atual, ajudou-a com um teto temporário para ficar com a criança.

  • O espaço reservado para os trans

Com mais de um problema ocasionado por Callie, ela precisou ir a um lar de garotas chamados “Girls United”. Nessa casa, ela conheceu uma colega que se considerava homem, chamada Cole (Tom Phelan). Anos mais tarde, ela o reencontra já mudado e assumindo o seu eu interior. Além desse contato, algumas temporadas depois, ela conhece Aaron (Elliot Fletcher), com quem se envolve e que também é trans. Com muito cuidado, a série aborda todas as questões de preconceito – dentro da família do menino, principalmente –, as curiosidades de Callie em relação ao futuro relacionamento sexual e, claro, como ambos os personagens lidam com essa mudança. No caso dos dois atores, eles são transexuais, sendo que Elliot contou para os pais quando tinha 17 anos. O romance entre Aaron e Callie é um dos primeiros exemplos de namoro trans em uma série de tv. Para quem achava que Glória Perez estaria inovando trazendo a história de Ivana, não conhecia a obra pioneira.

  • Cadê a representatividade?

Na temporada atual, Jude chegou na série em que presenciará a famosa aula de Educação Sexual em Biologia. Contudo, ele recorre a sua mãe Lena, a vice-diretora de Anchor Beach, que não falam sobre o sexo gay. Entendendo a preocupação e até curiosidade do filho mais novo, ela resolve fazer uma aula extracurricular, fora do campus, para que todos os que desejam saber sobre o assunto possam aprender e não ficar por fora dos cuidados que precisam tomar. Com essa ideia de “The Fosters”, não seria possível virar uma espécie de luz para as escolas reais sobre esses alunos que estão sendo deixados “no escuro” sobre o que fazer quando tiverem prontos para tomar esse passo? Tanto Stef, como Lena, mesmo sabendo o quão novo é Jude, resolveram, desde já, ensiná-lo e ajudá-lo com suas dúvidas.

“The Fosters”, além de ter um elenco muito bem escolhido e uma música viciante de abertura, é uma obra bonita, que não tem medo de discutir assuntos que necessitam de muito mais visibilidade e que, esperançosamente, possa abordar muitos mais problemas e fazer com que todo mundo possa aprender e crescer enquanto se entretêm.

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É da Cidade Sorriso e, sim, sorri de uma ponta a outra olhando para o Rio de Janeiro que, claro, continua lindo. Ama filmes de comédia romântica e suspense, chora em alguns - até porque chora, inclusive, em comercial de TV -, não curte nem um pouco terror e defende com unhas e dentes seus personagens preferidos das suas séries. Geminiana e... isso já diz tudo.

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