9 de dezembro de 2019

Como vocês já puderam conferir conosco, na semana passada, a E3 2017 já havia começado nos pondo para pensar se estávamos desvalorizando o multiplayer local – jogar com alguém do seu lado, no segundo controle. Agora, nesta jornada infinita pela “mente gamer”, com o fim da E3, precisamos discutir o quanto nós, jogadores, podemos ser seletivamente mimados, seletivamente reclamões e seletivamente injustos.

Dentre as principais conferências com os desenvolvedores de games e consoles, tivemos a da Bethesda (aquela do Fallout e Elder Scrolls), a da EA Games (aquela que tem tantos jogos no currículo, além dos de esportes, como FIFA, que nem dá pra citar aqui e terminarmos ainda hoje), a da Microsoft (dona do Xbox e do Windows, caso você esteja desatualizado, pois passou os últimos quinze anos fora do planeta Terra), a Sony (dona do PlayStation, é claro), Ubisoft (Assassin’s Creed está bom para vocês?) e Nintendo (que me recuso a explicar o que tem, afinal, se você está lendo isto, sabe o que é uma Nintendo e para quê serve).

É claro que houveram outras novidades, mas o foco hoje são conferências como estas, que anualmente nos dão o que falar. E sempre há também aquela discussão, tão necessária quanto desnecessária, sobre “quem venceu a E3”. E aí, começamos nosso #desabafo: A E3 não é uma disputa para se vencer, pois, no final do dia, você vai gastar o seu dinheiro suado com quem você quiser.

É óbvio que algumas empresas se saem melhor do que as outras, vendem mais do que as outras. Mas é revoltante ver, como citamos no começo, o “mi-mi-mi” seletivo que tomou conta até da dita imprensa gamer “especializada”, que na estratégia pós-moderna do click-bait, se esquece de ser mais factual e menos #blogueira.

Já temos por aí alguns destes supostos especialistas dizendo que a E3 foi fraca este ano. E é aí que cai por terra a máscara de imprensa e vemos os blogueiros fanboys/fangirls de certas marcas por aí. Eles desconsideram grandes momentos, anúncios e revelações, definindo esta edição toda da feira como fraca, só porque seus queridinhos tiveram um desempenho abaixo do que o esperado.

Liga da Injustiça

Quem foi prontamente massacrada, é claro que foi a Microsoft com o Xbox. Já virou hábito, desde a desastrosa conferência onde a empresa estreou o Xbox One. No entanto, desde que Phil Spencer assumiu a marca, ele e sua equipe têm trabalhado desde então para recuperar sua reputação. Ainda assim, as figuras que escolheram outras marcas, parecem não estar entretidas o bastante com seus jogos sempre exclusivos: fazem uma campanha incansável na internet para reclamar de tudo que a Microsoft faz. Xingar muito no Twitter, ou o que for.

Na verdade, o mais legal na internet (ou pelo menos deveria ser) é justamente a facilidade em emitir e compartilhar nossas opiniões, mas estas pessoas realmente fazem uma campanha com dedicação quase religiosa para provar continuamente ao mundo que quem escolheu o Xbox errou.

Quando o Xbox entregou a retrocompatibilidade com jogos de seu console antecessor, o Xbox 360, a empresa era criticada por não entregar jogos novos e exclusivos. E ainda havia a constante ostentação de como o Xbox One não era potente que sua concorrência. Agora, que a empresa anunciou quarenta e quatro jogos na última E3, com apenas dois exclusivos, além de revelar o Xbox One X, como o console mais potente já feito… E do nada a crítica que tanto alegava a potência resolveu ainda focar nos exclusivos. “Não adianta ter o console mais potente se não dá para jogar coisa exclusiva nele!”

Felizmente, a empresa parece saber ouvir apenas o feedback construtivo do público, focando em quem de fato tem o Xbox. Em vez de se concentrar nos tais jogos exclusivos, ela tem investido na expansão do seu programa Play Anywhere, que permite partidas e o uso de seus jogos salvos pelo PC e Windows 10 – além do jogador não precisar comprar o jogo mais de uma vez nas diferentes plataformas.

Mas é claro que para a galera da reclamação isso não basta. A graça é jogar algo e se gabar para o mundo todo o bom e velho “eu tenho, você não tem”. O jogo é bom? Para estes, não importa. O problema é como a “mídia especializada” dá espaço para pontos de vistas parciais em vez de um trabalho realmente profissional.
É claro que o PlayStation 4 é muito mais popular, com jogos exclusivos de muito peso e isso precisa ser reconhecido e valorizado. No entanto, o público também deve uns parabéns ao Xbox por procurar agradar seu público, em vez de se atentar a uma disputa infrutífera. Ironicamente, aquele desastre da E3 de estreia do Xbox One foi a melhor coisa que aconteceu para a marca – talvez, se não fosse por isso, não teríamos a caminho o console mais potente que já foi feito até então.

A Nintendo, por outro lado, se saiu bem com seus anúncios. Mario e cia. são nomes tão fortes em nossa memória afetiva, que terminamos esquecendo de observar como a empresa tem desprezado a E3 e como deu desculpas rasas sobre impostos para deixar o mercado brasileiro. Mas eles têm Mario, Zelda, Metroid… então, por que ligar? Ainda assim, a gigante japonesa merece para sempre nossa admiração por buscar proporcionar experiências diferenciadas com seus consoles #diferentões, além de, como ressaltamos semana passada, ainda valorizar a experiência de jogar com um amigo ou familiar ao lado.

O que nos resta é acreditar que todo mundo aqui tem maturidade para fazer suas escolhas e simplesmente aproveitá-las. Em outras palavras: “VAI LÁ JOGAR O QUE VOCÊ QUISER E DEIXA O COLEGUINHA EM PAZ!” Estamos em paz até a próxima, crianças?

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Cesar Rezende

Carioca por acidente e adepto do pop e rock dos anos 90 e 2000. Sobrevive de uma dieta não moderada de Stephen King e gostos que ele jura serem divergentes. Ama escrever e fotografar, é defensor e problematizador do videogame como forma de arte, e, acima de tudo, metido a engraçado.

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10 thoughts on “A Raiva pós-E3 e os Gamers Reclamões

  1. Dá vontade de fazer desabafo, mas, pode virar Casos de Família.

    Tenho vários consoles mas nessa fase atual eu estou com o One e muito me irrita esse click bait nojento da dita imprensa especializada (pff) em querer desmerecer o console só pq não se chama PlayStation ò.Ó

    #Waka

  2. Vi vários comentários sobre a E3 2017, mas este é o primeiro post que paro para ler sobre o assunto. Não eu é o tipo de assunto que costumo acompanhar, mas é sempre bom saber um pouco mais sobre vários assuntos né.

  3. Quando fala Ubisoft eu só lembro de Just Dance XD E eu sinceramente não vejo graça no Xbox, os títulos que me interessam tem pra Playstation e exclusivos do PS me atraemi mais, pra mim Xbox só dá graça pra jogar Juste Dance mesmo, já que o kinect continua sendo melhor que os controles ou controle/câmera do Play. Achei super legal a retrocompatibilidade, é isso o que falta na droga da Sony, com vários jogos de PS3 que não posso jogar sem ter que ficar trocando os video games toda hora, nem os jogos de PSN de Play3 tem pra Play 4! Mas como não sou fã de Xbox, a retrocompatibilidade não chega a ser um atrativo pra mim XD Mas o negócio de partilhar mídia de PC é muito genial, vide a galera que se mata nos Witcher da vida. A Nintendo é a mais de boa, fica de boa no canto dela enquanto os outros dois se matam, inclusive foi julgada como mais fraca das três justamente por não brigar com os outros dois, mas eu gosto de como enquanto os outros dois ficam brigando com o mesmo seguimento de jogos realistas, gráficos, e etc a Nintendo ainda continua com seus personagens animados, coloridos e estilos cartoons. Eu não tenho paciência pra E3 por causa disso, só vejo o que o povo vai compartilhando e me interesso por coisas especificas.

    Bites!

  4. Momentos que não me animaram, pois certos anúncios não batem com o tipo de jogo que eu gosto, tiveram vários, só que eu guardei isso pra mim. Mas daí desconsiderar o apelo geral, independente da sua opinião, é outra coisa. Mas tem uns críticos especializados (pff) que brincadeira não rs

    Por incrível que pareça eu gostei da conferência da Microsoft. Não dá pra negar que eles tão fazendo um trabalho legal com o Game Pass, a retrocompatibilidade. São boas ideias, mas acima de tudo: ideias funcionais (pois de boa ideia pura e simplesmente, o inferno tá cheio xD). Não me ligo tanto em consoles ultra modernos e yada yada, mas eles apresentaram um tanto de game indie, e eu amo game indie <3

    Também gostei da Nintendo, apesar dela requentar os mesmos IPs quase sempre rs Super Mario Galaxy e o crossover com Rabbids me conquistaram, e Kirby, que eu adoro, geralmente nunca falha comigo haha

  5. Posso não conhecer tanto sobre o assunto, mas acho que jogar o que gosta e deixar o coleguinha em paz, jogando o que gosta, é essencial em qualquer lugar, né? Hahahahaha
    Beijos
    Mari

  6. Eu sou uma Nintendista apaixonada e fiel e a Nintendo não deixou a desejar NADA esse ano pra mim. Fez os anúncios que eu esperava, está abalando com o Switch (que quero comprar o mais rápido possível)… Na verdade dificilmente a Nintendo me decepciona e mesmo pra quem reclamou do Wii U, ele só me trouxe felicidades desde que comprei. Aproveitei muito e não me arrependo. Acho que foi muuuuito mimimi inclusive. Já Microsoft e Sony têm me deixado pra baixo a algum tempo, mas porque elas não focam tanto no tipo de jogo que eu me interesso. Vi 2 ou três anúncios em algum tempo que realmente me fizeram querer comprar um xbox (não gosto de PS), mas ficou por isso mesmo. Só acho que como tudo atualmente relacionado a “geeks e nerds”, só tem muita reclamação e julgamento e gente querendo saber mais do que o outro ou ser melhor. Vamos SER menos e CURTIR mais o que agente gosta 😀

  7. Não sou gamer nem acompanho as novidades desse mundo e por isso te parabenizo pelo teu texto, porque mesmo quem está completamente por fora consegue entender as peculiaridades e discussões do cenário. Concordo com você principalmente em um aspecto: a facilidade para emitir opiniões que a internet proporciona parece dar uma impressão equivocada de que precisamos emitir opiniões sobre tudo e qualquer coisa. Acho que muitos “reclamões” nascem dessa perspectiva.

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