13 de dezembro de 2019

Para quem apostava na quantidade de prêmios acumulados, “Três Anúncios Para Um Crime” seria o grande vencedor da noite do Oscar, que aconteceu no último dia 8. Entretanto, não foi o drama sobre o luto materno que subiu ao palco do Dolby Theatre, em Los Angeles, para levar o prêmio principal: “A Forma da Água”, novo universo fantástico Guillermo Del Toro, foi quem ganhou a estatueta dourada, honrando os filmes do gênero que costumam ser esnobados pela premiação.

Após o anúncio feito por Warren Beatty e Faye Dunaway, o diretor mexicano teve a palavra e ganhou a plateia com seu discurso exaltando a força criativa dos jovens cineastas e o poder dos filmes de fantasia. “Eu era uma criança e eu amava os filmes, crescendo no México, eu achava que isso nunca ia acontecer, mas aconteceu. Eu quero dizer a vocês, qualquer pessoa que está sonhando na parábola de usar o gênero de fantasia para falar sobre as coisas que estão no mundo real hoje, você pode fazer isso”, encorajou.

“A Forma da Água” foi um sucesso no Oscar – ao todo foram 13 indicações, das quais quatro foi ganhador -, mas não é o primeiro filme de Del Toro a cair nas graças da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. “Labirinto do Fauno”, 12 anos antes, consolidou a carreira do cineasta, que construiu sua filmografia em torno de criaturas surreais e enredos extraordinários. Para celebrar seu trabalho, acompanhe o ranking dos filmes de Del Toro, do pior ao melhor, a partir da cotação do Metacritic, site norte-americano famoso por compilar a avaliação da crítica especializada. Confira:

Blade II: O Caçador de Vampiros (2002)

Nota do Metacritic: 52

Super-heróis não são estranhos à carreira de Guillermo Del Toro. Antes de aceitar o desafio de trazer o demônio Hellboy para o cinema, coube ao mexicano comandar a continuação da série “Blade”, adaptação dos quadrinhos da Marvel.  Em “Blade II: O Caçador de Vampiros”, o híbrido de humano e vampiro, Blade (Wesley Snipes), terá que se aliar a seus inimigos para conter a disseminação do “Virus Reaper”, um vírus que cria uma nova raça de vampiros capaz de exterminar não só a humanidade, mas também as criaturas que se alimentam de sangue.

Segundo o Metacritic, a recepção do filme foi mediana e dividiu opiniões entre quem achou que a segunda aventura de Blade não passasse de uma tolice e aqueles enxergaram qualidades na produção, como Roger Ebert, um dos maiores nomes da crítica dos Estados Unidos, que o descreveu como: “feito no caldeirão macabro da imaginação do cineasta”.

8. Mutação (1997)

Nota da Metacritic: 55

O segundo longa-metragem dirigido e coescrito por Del Toro, “Mutação”, também teve recepção morna da crítica. Entrando no terreno do terror e da ficção científica, seu primeiro filme produzido nos Estados Unidos acompanha Susan (Mira Sorvino), uma etimologista que vê a linhagem de insetos geneticamente modificados por ela sair do controle e se tornar uma ameaça aos seres humanos.

Novamente os comentários sobre a produção alternaram entre “beira ao inassistível” e elogios a seu senso estético. Para o cineasta, porém, o problema maior não foi como os críticos receberam o projeto, mas sim a sua relação com a produtora, a Miramax. Em bate-papo no London Film Festival no ano passado, Guillermo Del Toro contou que detestou a experiência de trabalhar com a família Weinstein. “Eu perdi a luta na escolha de elenco. Eu perdi a luta no roteiro, mas uma coisa que é ‘Mutação’ é 100 por cento como eu queria visualmente”, destacou ele na ocasião.

7. Círculo de Fogo (2013)

  Nota do Metacritic: 64

Como o diretor já declarou, “Círculo de Fogo” é um de seus filmes menos modestos. Foram U$190 milhões de dólares para realizar um desejo quase infantil de Del Toro: brincar com monstros e robôs gigantes. Trabalhando com as convenções do gênero kaiju eiga – filmes de criaturas gigantes que surgiram na primeira metade do século passado -, o longa trata de uma fenda no Oceano Pacífico que de tempos em tempos permite que alienígenas invadam a Terra. Para lutar contra eles, a solução do governo é construir máquinas gigantes, os Jaeger, pilotados por seres humanos.

De acordo com o Metacritic, o filme foi bem recebido pelos críticos, mas não está entre as obras-primas do cineasta. Entretanto, a popularidade foi grande e o projeto já tem uma continuação pronta “Círculo de Fogo: A Revolta”, que chegará aos cinemas dias 22 deste mês pelas mãos de Steven S. Deknight.

6. A Colina Escarlate (2015)

Nota do Metacritic: 66

Há quem diga que “A Colina Escarlate” é o grande injustiçado da filmografia do diretor mexicano. Inspirando altas expectativas com o material de divulgação, ao chegar às telas a recepção foi boa, mas menor do que se esperava.

Voltando as histórias de fantasma, temática que já havia explorado em “A Espinha Diabo”, neste projeto Del Toro conta o drama de Edith Cushing (Mia Wasikowska), uma jovem da alta sociedade americana no século XIX que se casa com um homem de passado duvidoso (Tom Hiddleston). Mudando-se para um castelo na Inglaterra, na Colina Escarlate, ela passa a ser assombrada por espíritos que por ali perambulam.

Encontro entre os romances góticos do final dos 1800 com os filmes de terror da Hammer da década de 1950, o filme é sofisticado no visual e nas referências, mas não cativou tanto o público nem a crítica.

5. Cronos (1993)

Nota do Metacritic: 70

Guillermo Del Toro faz parte de um hall privilegiado de cineastas que fizeram barulho desde a estreia. Seu primeiro longa, “Cronos” não só chamou atenção da crítica internacional, como já ocupa listas de melhores filmes de terror de todos os tempos. Nele, o veterano ator argentino Frederico Luppi encarna Jésus Gris, um antiquário que encontra um amuleto capaz de oferecer imortalidade, mas sob uma consequência: a sede por sangue humano.    

“Uma variação sofisticada e estilizada de alguns velhos temas”, apontou o The New York Times. Já Roger Ebert elogiou como a produção combina elementos clássicos dos filmes de horror, com “o realismo mágico latino”. Não era para menos, o filme ganhou o prêmio da Semana da Crítica do Festival de Cannes de 1993.

Além de todas as qualidades, “Cronos” inaugura a parceria do diretor com Luppi e Ron Perlman.

Hellboy (2004)

Nota do Metacritic: 72

Depois de “Blade”, os quadrinhos não abandonaram tão cedo a filmografia de Del Toro. Dois anos depois do herói meio-humano, meio-vampiro, “Hellboy” foi objeto de trabalho do mexicano, que deixou sua assinatura no universo criado por Mike Mignola. Na sua adaptação, Hellboy (Ron Perlman) é um agente do Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal e tem que impedir com sua equipe que uma dupla de nazistas seguidores de Rasputin (Karel Roden), que pretende invocar uma entidade demoníaca na Terra.

No começo dos anos 2000 a febre de filmes de super-heróis ainda era tímida, mas mesmo assim já se percebia que a adaptação do cineasta era singular e se destacava do resto. “Hellboy” popularizou o nome de Guillermo Del Toro e ele acha um equívoco quem acredita que seus filmes falados em espanhol são mais pessoais que suas produções norte-americanas. “’Hellboy’ é tão pessoal para mim quanto o ‘Labirinto do Fauno’”, declarou o diretor em entrevista a Twitch Film.

A Espinha do Diabo (2001) e Hellboy II: O Exército Dourado (2008)

Nota do Metacritic: 78

“A Espinha do Diabo” e “Hellboy II” são filmes muito diferentes, mas com base no Metacritic estão positivamente empatados. O primeiro título, terceiro trabalho do cineasta é um conto fantasmagórico que se passa durante a Guerra Civil Espanhola. O protagonista dessa história é Carlos (Fernando Tieve) um pré-adolescente que é deixado pela família em um internato durante o conflito na Espanha durante a Segunda Guerra Mundial. Convivendo com os outros meninos, ele descobre que o espírito de uma das crianças assombra aquele lugar.

“Del Toro constrói excitação, horror e melodrama em camadas iguais”, pontuou o Enterteiment Weekly. O The New York Times endossa: “Del Toro te provoca gritos e arrepios, mas ele também te leva às lágrimas”.

Já o segundo, é uma prestigiosa continuação sobre as aventuras de Hellboy, que dessa vez terá que, junto com seus parceiros, parar uma rebelião que as criaturas do mundo mágico iniciaram contra a humanidade para conquistar o planeta Terra. Seu lançamento seguiu o de “O Labirinto do Fauno”, o que só comprovou a versatilidade de Del Toro para contar histórias.

2. A Forma da Água (2017)

Nota do Metacritic: 87

Treze indicações ao Oscar. Vitória nas categorias de “Melhor Design de Produção”, “Trilha Sonora Original”, “Melhor Direção” e “Melhor Filme”. A história de amor entre Elisa (Sally Hawking), uma faxineira muda que trabalha em laboratório secreto do governo durante a Guerra Fria, e uma criatura marinha (Doug Jones) levou Guillermo Del Toro aos favoritos da Academia depois de 12 anos de sua última indicação.

Foi um dos filmes preferidos da crítica e do público em 2017: confira nossa crítica.

1. Labirinto do Fauno (2006)

Nota do Metacritic: 98

“A Forma da Água” causou frisson, mas não conseguiu ultrapassar o filme considerado obra-prima do diretor mexicano: “O Labirinto do Fauno”. Exercício máximo de seu estilo, o longa reforça os paralelos que Guillermo Del Toro traça entre fantasia e realidade, utilizando com sofisticação a primeira para comentar a segunda.

Voltando a Guerra Civil Espanhola, o cineasta nos apresenta a Ofelia (Ivana Banquero), uma menina que vai morar no centro de operação dos soldados franquistas, porque sua mãe se casou com o Capitão responsável pela força militares. Em sua nova vida em uma casa próxima a floresta, ela passa a perceber a existência de um labirinto onde mora um fauno (Doug Jones) e é desafiada por ele a completar três tarefas que provariam que ela na realidade é a reencarnação de uma princesa

O projeto foi indicado a seis estatuetas, “Filme Estrangeiro”, “Roteiro Original”, “Trilha Sonora”, “Maquiagem”, “Direção de Arte” e “Fotografia”, levando as três últimas. E mais que isso: com ele, Guillermo Del Toro encantou a audiência com suas imagens extraordinárias, deixando sua marca na cultura pop com seus personagens esquecíveis como o Fauno e o Homem Pálido.

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Rita Constantino

1995. Cobra criada em Volta Redonda. Um dia acordou e queria ser jornalista, não sabia onde estava se metendo. Hoje em dia quer falar sobre os filmes que vê e, se ficar sabendo, ajudar o Truffaut a descobrir com que sonham os críticos.

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