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Recap: Game of Thrones (Episódio 66 – “Além da Muralha”)

“Além da Muralha” já causou comoção antes de ser exibido no último domingo, por causa de seu vazamento na internet. O burburinho, porém, ainda não cessou – e com razão. O penúltimo capítulo da temporada foi o que deixou mais aparente os já (inúmeras vezes) citados problemas de roteiro que a série vem apresentando. Foi também o que nos lembrou aspectos não tão agradáveis de alguns personagens.

Intercalado com a expedição para além da Muralha, tivemos vislumbres de Winterfell e de Pedra do Dragão.

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No Norte, Arya confronta Sansa sobre a carta encontrada no último capítulo e as duas expressam suas mágoas. Mais para frente do episódio, Sansa descobre os rostos que Arya veste e chega a ser ameaçada pela caçula. No final da conversa, porém, Arya parece dar um voto de confiança para Sansa.

O confronto entre as duas tem sido muito criticado, principalmente pelo ponto de vista de Arya. Mas ao analisarmos sua jornada seu comportamento faz sentido.

Arya passou as últimas temporadas presa na sua própria ideia de vingança. A personagem evoluiu em alguns aspectos, mas continua sendo a mesma menina traumatizada que viu o pai ser morto na sua frente. Desse modo, sua paranoia com Sansa – sempre uma rival, sempre ambígua – também faz sentido.

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Menos compreensível é Sansa ainda acreditar em Mindinho, chegando ao ponto de lhe pedir auxílio para lidar com Arya. Quando este lhe sugere que peça ajuda a Brienne, a garota envia a cavaleira como sua representante para King’s Landing. Será reconfortante se, por trás dessa suposta confiança em Baelish, exista um plano mais elaborado.

Em Pedra do Dragão, a conversa entre Tyrion e Dany começa interessante, mas perde o tom quando o conselheiro expressa sua preocupação quanto a sucessão da rainha. A questão é mais do que legítima, mas foi mal introduzida e causou estranhamento.

Chegamos agora ao ponto principal do episódio: a missão suicida de Jon Snow. Depois de vagarem na neve por algum tempo, o grupo é atacado por um urso zumbi. A cena é apavorante na medida certa e joga uma pista crucial para o fim do capítulo: animais também podem entrar no exército de caminhantes brancos.

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Logo depois, eles encontram um grupo menor de caminhantes, que são derrotados quando Jon mata um dos soldados com sua espada. Nesse momento, capturam um zumbi que sobrara.

Não demora para que o exército apareça em massa e o grupo escapa por um lago congelado. Quando parte do gelo se parte, eles ficam ilhados pelos caminhantes, protegidos apenas por um “fosso” de água improvisado, onde o gelo se partiu.

Gendry consegue escapar antes e corre até a Muralha. Um corvo é enviado para Daenerys pedindo reforços.

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Enquanto isso, no gelo, Thoros morre em decorrência de um ferimento causado pelo urso – e acaba com as possibilidades de interferência divina do Senhor da Luz. Quando os White Walkers (caminhantes brancos) percebem que a água congelara de novo, atacam o grupo sem piedade.

Os homens só se salvam com a chegada de Daenerys e os dragões. O pior, entretanto, acontece: o Rei da Noite acerta o dragão Viserion e o mata. Jon fica para trás quando os outros conseguem fugir. O bastardo é salvo pela chegada de Benjen Stark, que lhe dá seu cavalo.

Jon chega na muralha e é socorrido. Já no navio, indo para Pedra do Dragão – com o caminhante branco bem guardado – ele e Daenerys trocam votos de lealdade e confiança. A cena reforça o que Tyrion já tinha dito para a moça: Jon está apaixonado por ela. Embora tente não demonstrar, a Mãe dos Dragões também está interessada nele.

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O capítulo termina com uma cena digna de pesadelos: o Rei da Noite recupera o cadáver de Viserion e o transforma em zumbi.

A lista de detalhes pouco críveis de toda a sequência da missão vai desde o plano em si, até o retorno desnecessário de Gendry (foi apenas para salvar o grupo que o bastardo reapareceu na série?), a logística confusa da chegada de Daenerys, o momento deus ex machina de Benjen Stark, entre outros.

O problema não foi o resultado dessas escolhas narrativas, mas as escolhas em si. O momento final do plano – white walker capturado, Viserion como zumbi, Jon e Daenerys criando laços – poderia ter acontecido de forma mais simples e crível.

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O que salvou “Além da Muralha” foi a caprichosa execução técnica da sequência de confronto (duas palavras: espada flamejante), e a relação entre o grupo. Todos os diálogos – desde os mais banais, como o de Tormund e o Cão de Caça sobre Brienne, ao de Beric e Jon sobre seus destinos – foram envolventes e divertidos, sem soar desnecessários.

O final da temporada promete o encontro de todos os atuais reis de Westeros. E se tivermos sorte, com menos tropeços e erros narrativos.

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Sua formação é em cinema, e os interesses incluem televisão e quadrinhos. Nas horas vagas, faz tirinhas.

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