Em era de retornos milionários como o do Oasis, guitarrista do R.E.M. garante que fim da banda em 2011 é definitivo e compara a postura do grupo à integridade dos Smiths
Em uma era dominada por retornos inacreditáveis e turnês de reunião astronômicas — com o Oasis liderando a atual máquina de nostalgia da indústria —, o R.E.M. resolveu fincar os pés no chão. O guitarrista Peter Buck garantiu que a lendária banda de Athens, Geórgia, nunca mais pegará a estrada, classificando a ideia de turnês caça-níqueis baseadas em álbuns clássicos como “uma bobagem”.
Falando à última edição da revista MOJO, Buck explicou detalhadamente por que o fim do R.E.M., decretado oficialmente em setembro de 2011 após o lançamento do 15º álbum de estúdio, Collapse Into Now, é definitivo. Para os fãs que se encheram de esperança após os quatro membros originais — Buck, Michael Stipe, Mike Mills e o baterista Bill Berry — dividirem o palco na indução ao Songwriters Hall of Fame em 2024, a resposta do guitarrista é um balde de água fria com contornos de pura integridade punk.
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O fim definitivo da estrada para o R.E.M.
“Quando decidimos que era o fim, eu me senti bem com isso”, revelou Buck. “Essa era a história — ela teve um começo e um fim. Fiquei feliz com todo o arco, e todos nós éramos jovens o suficiente para sair e fazer outras coisas, e todos fizemos. Estamos muito ocupados. Chegamos ao fim daquela estrada. E foi uma estrada incrível, tenho muito orgulho de ter feito aquilo com todo mundo, mas pareceu um momento muito bom para ir embora.”
O músico foi além e traçou um paralelo com o único outro gigante do indie rock que se recusa a ceder aos caminhões de dinheiro do mercado moderno: os Smiths. “Ao contrário de todas as outras bandas do mundo, exceto os Smiths, nós não faremos aquela famosa turnê do R.E.M. de reunião de álbum ou qualquer uma dessas bobagens. Simplesmente não vai acontecer”, disparou o guitarrista.
Arte acima do dinheiro e do ego

Aos olhos de Buck, a trajetória da banda é intocável, e o foco do R.E.M. sempre foi a evolução artística em tempo real, e não a repetição confortável do passado. Ele rejeita veementemente a ideia de capitalizar em cima da saudade do público ou subir ao palco apenas para inflar a conta bancária.
“As memórias de todo mundo são sagradas. Nós fizemos aqueles shows, gravamos aqueles discos, tocamos o melhor que podíamos e agora essa história acabou. Acho isso incrível”, explicou. “Eu não quero fazer uma reunião do R.E.M. só para ganhar mais dinheiro ou ser famoso. Não é por isso que você faz música. Até o final da nossa carreira, estávamos focados no disco novo, levando as coisas para o próximo nível. Uma vez que isso acaba, já era.”
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Para fechar a tampa do caixão de qualquer rumor sobre o circuito de festivais de verão, o guitarrista mirou direto no maior palco do Reino Unido. “Eu simplesmente não quero ser aquele ato de legado no festival Glastonbury tocando nossos hits de 40 anos atrás. É ótimo que tenhamos feito tudo aquilo quando fizemos, e tenho muito orgulho das performances. Não quero baratear isso saindo por aí apenas por ego e dinheiro. Eu não preciso de dinheiro, e meu ego? Bem, eu já tive aplausos suficientes para durar dez encarnações.”
Com a declaração, o R.E.M. se consolida como uma das raríssimas exceções em uma indústria obsessiva por retornos, provando que, para alguns gigantes da música, o ponto final é realmente o fim da linha.
Imagem Destacada: Divulgação/R.E.M. (via site oficial)


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