O ministério da saúde adverte: Ler faz bem à saúde”

A frase é bastante recorrente. Com certeza, você já leu ou ouviu em algum lugar. Talvez a versão um pouco diferente tenha causado uma certa estranheza, mas por aqui a mensagem é essa mesma. Ler é sim saudável e traz muitos benefícios. Aliás, ler pode inclusive ser o melhor remédio para tratar da saúde e da alma.

E foi pensando nisso que Ella Berthoud e Susan Elderkin, duas escritoras inglesas, se uniram para criar o “Farmácia Literária”, uma obra que reúne mais de 400 títulos de livros para curar diversos males que o ser humano é passível de sofrer. Falam da dor física, mas também da dor da alma. Elas fizeram uma viagem no tempo pesquisando por dois mil anos na literatura para encontrar nomes que podem cuidar desde uma simples dor de cabeça, até algo mais grave como a depressão e ainda tratar a alma de um coração partido. Na seleção que fizeram, aparecem livros que promovem felicidade, inspiração e sanidade e que mostram as dores e as delícias de ser humano. E afinal, um livro lido no momento oportuno pode mudar ou, dependendo do caso, pode até salvar uma vida.

Amigas de longa data, as autoras se conheceram quando ainda eram estudantes. Mais tarde, seguiram carreiras diferentes. Ella cursou Belas Artes e Susan tornou-se escritora-romancista e dá aulas de escrita criativa. Desde a época que estudavam juntas, já tinham o costume de “receitar” algum livro, uma pra outra, de acordo com a fase da vida que estivessem passando. Em 2008, elas decidiram profissionalizar o que antes faziam apenas como passatempo. Começaram a dar consultas terapeutas literárias na School of life – Escola da vida, fundada por Alain de Botton, em Bloomsbury, Londres. E funciona assim: A pessoa marca uma sessão, fala quais são os principais problemas que assolam. Logo descobriram que esse movimento já existia e que tinha o nome de biblioterapia, que consiste em indicar livros para pessoas com o objetivo de curar ou melhorar as mazelas da vida. E é a partir daí que surge a ideia do Farmácia Literária.

“Se persistirem os sintomas, o livro deverá ser consultado”

Elas explicam o objetivo do livro logo no início, dando ideia do que será encontrado. É um livro que fala de outros livros e como eles podem ajudar no dia a dia. É um manual de A a Z, dividido por capítulos, com sintomas e com doenças físicas, mentais e emocionais. Para cada mal, uma descrição das autoras. Sempre com comentários bem humorados. Em cada página, um relato sobre algum problema. Elas abordam inclusive casos de personagens das histórias que podem estar passando por alguma situação que acontece também no mundo real e que pode ter abalado seriamente alguém que está à procura de ajuda. Junto com os relatos, vem a indicação de um ou mais livros que podem ajudar a encarar a doença ou o distúrbio que tanto incomoda. O leitor pode procurar por ordem alfabética o que o aflige. Isso facilita muito encontrar o antídoto para o mal que está sentindo e também a entender como pode conseguir contornar tudo – inclusive as derrotas – e em seguida dar a volta por cima e recomeçar.

Olhando para as inúmeras recomendações de livros, encontramos “O Hobbit”, “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, “Sherlock Holmes”, “Dom Casmurro” e “Orgulho e Preconceito”.

Estruturada como uma obra de referência, Farmácia Literária, é encantadora. Em doses homeopáticas, o livro vai se tornando interessante e fortalecendo cada vez mais a embarcar em suas histórias. A capa é linda, a revisão excelente e a tradução de Cecília Camargo Bartalotti está impecável. Além disso tudo, ainda saímos ganhando por sermos curado; por conhecermos novas histórias e lemos as palavras motivadoras das autoras.

Se você gosta de obras que falem de livros, esse é um ótimo exemplar para ter em casa. O efeito é revigorante.

“Esse medicamento é aconselhado mesmo em caso de suspeita de dengue”

 


Sympla

Show Full Content

About Author View Posts

Avatar
Erika Kohler

Jornalista (com diploma), escritora metida a cronista e decoradora. Não necessariamente nessa ordem. É uma artista múltipla! Tem a arte no DNA e por isso é amante do mundo das artes. De todas as formas: Cênicas, Visuais e Plásticas.
Carioca, já foi rata de praia, mas hoje prefere o inverno. É gateira de carteirinha e apaixonada por pinguins. Os livros fazem parte da sua vida e estão sempre por perto. Talvez tenha nascido no século errado porque ama o Vintage e o retrô. Adora assistir filmes e séries, sempre acompanhada por um baldão de pipoca. Torce para encontrar com o gato da Alice, pra ele indicar a estrada dos tijolinhos amarelos, que vai direto para a Fantástica Fábrica de Chocolate!!

Previous “O Chamado do Mal” traz a história de casal assombrado por entidade maligna.
Next Resenha: The 100, de Kass Morgan [parte 1]

Comments

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Close
Close