Quando você ouve a palavra psicopatia, qual a primeira coisa que muito rapidamente vem à cabeça? Alguém com cara de mau, meio esquisito, com desvios comportamentais muito facilmente perceptíveis e com “jeito” de assassino, como se tivesse escrito na testa: “sou um psicopata, não vou te deixar em paz”? Se esse é o retrato que você faz, tome muito cuidado porque você pode estar redondamente enganado(a). Ao contrário do que se possa imaginar, reconhecer uma pessoa desequilibrada nesse nível, com toda a sua insanidade, não é uma tarefa muito fácil.

O psicopata pode ter várias caras. Ele pode estar ao nosso lado no trabalho, na escola, na faculdade, entre os vizinhos e inclusive na própria família. Ou seja, ele pode estar em qualquer lugar e ser qualquer pessoa. Geralmente, o psicopata é aquele que está acima de qualquer suspeita porque parece ser do bem, é educado, inteligente e cativa a todos que estão ao seu redor. Mas ele engana e representa sempre muito bem. Porque a verdade é que tudo isso é um grande disfarce para esconder como ele realmente é. Quando de alguma forma é descoberto e a máscara cai, tudo vem à tona e então, ele se revela um grande manipulador, calculista, insensível ao sentimento do outro, não nutre nenhuma compaixão ao próximo, não sente culpa, não se arrepende e é capaz de passar por cima de tudo e de todos para satisfazer seus desejos. E é por isso que precisamos estar atentos, porque a qualquer momento ele pode trazer muito transtorno a nossa vida e também pode se tornar uma real ameaça na vida da sociedade.

No livro “Mentes perigosas”, a dra. Ana Beatriz Barbosa Silva revela esse sombrio transtorno de personalidade que acomete cerca de 4% da população mundial. A autora se preocupa em mostrar ao leitor como pode se previnir contra as perversidades de uma mente psicopata. A dra. usa como exemplo, o estudo sobre um dos casos mais conhecidos de psicopatia do mundo: o do serial killer norte-americano Ted Bundy, que inspirou o livro e também filme “O silêncio dos inocentes”. Ela inclui ainda análises sobre outros eventos que aconteceram no Brasil, que tiveram grande repercussão. Como os casos da pequena Isabella Nardoni e de Eloá Cristina Pimentel que, segundo a autora, foram vítimas do mal que habita entre nós, lado a lado e cara a cara.

O livro fala sobre pessoas frias, manipuladoras, super transgressoras nas redes socais, desprovidas de emoções, sentimentos de compaixão ou culpa, que estão soltas por aí, misturadas com a população, inseridas em todos os lugares. Independente de gênero, credo, raça ou classe social, eles estudam, trabalham, fazem carreira e seguem a vida fingindo e jurando que são pessoas do bem. Infelizmente, pode levar muito tempo até serem descobertas ou diagnosticadas, justamente por sustentarem um comportamento acima de qualquer suspeita. A autora explica que existem alguns casos extremos e isolados de psicopatas que matam. Mas a grande parte prefere viver uma vida mais pacata, sem chamar muita atenção, seduzindo, mentindo, fazendo as coisas para seu benefício próprio, sempre.

Um assunto sério, pouco discutido de forma tão clara, ultrapassando a barreira acadêmica. A médica conversa com seus leitores de igual para igual, com o firme propósito de que possamos entender as condutas dos psicopatas. É também uma forma de reflexão sobre a sociedade que nós estamos ajudando a construir. Em poucas páginas de leitura, a escrita é bastante clara e objetiva, acessível e muito dinâmica. A autora revela aos leitores, através de casos da vida real, tudo o que muitas vezes sentimos na convivência diária com as pessoas que nos cercam, mas que aceitamos pela nossa formação moral e cultural. Quando a leitura termina, deixa um gostinho de quero mais. É super recomendada para todos aqueles que têm interesse em conhecer um pouco mais da mente humana.

Segundo informações da Revista Veja, “Mentes Perigosas” teve mais de 2 milhões de cópias vendidas, ficando em segundo lugar entre os livros mais vendidos no Brasil na categoria não-ficção.

Resenha: Mentes Perigosas - O psicopata mora ao lado, de Ana Beatriz Barbosa Silva
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