Sem filtros, sem rancores, mas com muita história pra contar, a cantora, compositora, instrumentista, atriz, escritora e ativista; Rita Lee, de 69 anos, é uma das maiores estrelas do rock brasileiro, com mais de 55 milhões de discos vendidos. Essa semana, a artista divulgou a capa de seu novo livro de contos “Dropz”, que será lançado no próximo mês, pintada por ela mesma com um autorretrato.

Em 2016, Rita lançou sua autobiografia que deu o que falar e foi sucesso absoluto com mais de 150 mil cópias vendidas em apenas 4 meses. O livro está sendo lançado em Portugal, pela Porto Editora. E, também, contou com uma capa feita pela cantora que pintou seus cabelos de vermelho, com uma canetinha, na foto de seu RG.

Com os cabelos não mais ruivos, porém cinzentos devido ao desejo de ser anônima, Rita Lee viu seu primeiro disco voador do terraço de casa quando pequena. E hoje é a cantora brasileira com mais músicas em novelas e discos vendidos e uma carreira marcada por sua ousadia para os anos 70. Suas canções são carregadas de reivindicação a independência feminina com uma ironia ácida. Rita participou de importantes revoluções no mundo da música e da sociedade.

Suas músicas são sucessos atemporais, e ainda estão na boca do povo, como: “Ovelha Negra”, “Mania de Você”, “Lança Perfume”, “Agora Só Falta Você”, “Baila Comigo”, “Banho de Espuma”, “Desculpe o Auê”, “Erva Venenosa”, “Amor e Sexo”, “Reza”, entre outras. Em 1966, Lee fez parte do grupo “Os mutantes” ao lado de Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, considerado por muitos especialistas em música, a maior banda da história do Brasil. Ao lado de Gilberto Gil, o grupo participou da apresentação da canção antológica “Domingo no Parque”. Anos depois, Rita acabou sendo expulsa do conjunto devido a algumas divergências entre os integrantes.

A cantora participou de diversas parcerias durante sua carreira. Entre elas com sua fiel amiga Elis Regina. Elas interpretaram a famosa canção “Doce Pimenta” que retrata bem o gênio das duas que cantaram de forma divertida e alegre para quem assiste. Em 22 de janeiro de 2012, Rita anunciou no Circo Voador no Rio de janeiro que se aposentaria dos palcos, mas nunca da música.

Mesmo aposentada, a cantora ainda é seguida por muitos fãs. Presente nas redes sociais, se mostra muito contende com seus gatos e sua horta. Em sua última entrevista no programa “Conversa com o Bial” da Rede Globo, contou que aprendeu a andar de bicicleta sonhando, e surpreendeu ao dizer que “rock é cuidar da minha horta”. Muito bem humorada, uma das falas mais marcantes da cantora foi sobre seu pioneirismo no feminismo da década de 60:

Na minha época, diziam que mulher não podia usar calça. Fui lá e usei. Depois, me disseram que pra fazer rock tinha que ter colhão. Eu, com meu útero e ovários, fui fazer rock. Diziam também que mulher não podia falar de sexo e prazer. Fui lá e fiz música sobre isso. – Rita Lee no “Conversa com o Bial”

Em 2014 foi homenageada com um musical, em que a atriz Mel Lisboa ficou com o papel principal e arrancou elogios de Rita Lee. Vencedora de um Grammy Latino e com mais de 5 indicações, devido ao lançamento de seu primeiro livro foi agraciada com o prêmio de melhor cantora de 2016 pela Associação Paulista de Críticos de Arte.

Rita Lee é única. É luz. É história. É música. Finalizando com uma frase da própria cantora de sua autobiografia em que diz:

A sorte de ter sido quem sou, de estar onde estou, não é nada se comparada ao meu maior gol: sim, acho que fiz um monte de gente feliz. – Rita Lee


Por Carolina Gomes