Como já havíamos adiantado na primeira parte desse especial, o Rock in Rio III foi um acontecimento no começo do século. A informatização, a mistura de estilos musicais e, claro, as polêmicas, deram um tom a mais ao festival – lembrado por muitos como uma das melhores edições. E hoje, contaremos um pouco mais dos seis dias que se seguiram àquele caloroso 12 de janeiro.

Cássia Eller abriu o segundo dia com uma apresentação memorável. Do topless em “Come Together” à Chicão, seu filho, tocando bateria, o show marcava o fim da turnê “Com Você… Meu Mundo Ficaria Completo”, do disco de 1999. Em 2006, tudo foi registrado num DVD póstumo (Cássia morreu em dezembro de 2001, vítima de infarto). Por alguns, aquele foi considerado o melhor show de 13 de janeiro.

Fernanda Abreu também não desapontou. “Rio 40 Graus” não poderia faltar, mas o ponto alto – sem sombra de dúvidas – foi a surpresa que Evandro Mesquita, seu ex-companheiro de Blitz, lhe fez no palco, cantando “Você Não Soube Me Amar“. Já o Barão Vermelho de Frejat, outro conhecido do RiR, fechou o line-up nacional do dia com sucessos e regravações elogiadas pelo público, como “Malandragem Dá Um Tempo” de Bezerra da Silva. Porém, muitos sentiram falta do bom e velho rock’n’roll.

Beck, apesar da banda impecável e do esforço para se destacar naquela noite, não agradou muito. Apesar de não haver vaias, o público parecia não estar muito interessado – exceto em “Loser”, quando a Cidade do Rock cantou em alto e bom som. Uma pena para a primeira atração gringa. Por outro lado, Foo Fighters acordou a Barra da Tijuca. Abrindo com “Breakout“, que foi tema do filme “Me, Myself & Irene” do ano anterior, não desapontou um minuto.

Em determinado ponto do show, a produção cantou “Parabéns” à Dave Grohl, que completava 32 anos na madrugada do dia 14. Cássia Eller, fã nº 1 do cantor, correu para lhe dar um abraço – um momento fofo e hilário. E, fechando com chave de ouro, o R.E.M também foi só sucessos. Em vários momentos, Michael Stipe conversou em português com a platéia. “Losing My Religion” e “The One I Love” foram cantados à coro por todos. Infelizmente, não pudemos ver “Shiny Happy People” cantada ao vivo, o que deixou um gostinho de quero mais nos fãs.

Cássia Eller cantando “Vá Morar com o Diabo”
Imagem: Divulgação/Rock in Rio

Do “Dia D” da axé music…

O dia mais controverso (e lembrado) do Rock in Rio III, sem sombra de dúvidas, foi 14 de janeiro. Afinal, as garrafadas em Carlinhos Brown estamparam as primeiras capas de todos os jornais na manhã seguinte. Mas isso a gente comenta um pouco mais a frente.

O Pato Fu, que antes havia sido escalado para a “noite teen“, tinha tudo para também entrar para as estatísticas de reprovação, como o ex-vocalista da Timbalada. Não por incompetência, longe disso. Mas… os fãs ansiavam pelo bom e velho rock pesado do Guns n’ Roses, a última atração do dia. O que ocorreu foi o extremo oposto, felizmente. Fernanda Takai e sua trupe souberam bem como agradar, mesmo embaixo do calorão que fazia no Rio. O encerramento com o instrumental de “Enter Sandman”, do Metallica, foi muito bem aceito pelos presentes.

Tudo ia bem… até Brown chegar. A organização do festival deveria ter aprendido com o fiasco de Erasmo Carlos em 1985 e Lobão em 1991? Sim. Deram um tiro no pé? Com certeza! Provavelmente, se fosse nos dias atuais, o estrago seria muito pior. Passados 18 anos desse fatídico dia, não há quem se esqueça da fúria dos roqueiros. Carlinhos tentou até onde deu, afinal, não tinha culpa de sua escalação. Mas acabou levando a pior ao tentar bater boca com o público e pedir que interrompessem a água (juro que não é ironia!) que refrescava a galera. Resultado: saiu do palco praticamente expulso, com o som cortado.

… ao bom e velho rock’n’roll

Ira! e Ultraje à Rigor marcaria um encontro histórico dos dois grupos cantando juntos. Só que isso só durou uma música. Felizmente, não foi motivo para atrapalhar o andamento dos shows. Ambas agradaram do início ao fim. “Marylou“, “Núcleo Base“, “Sexo!” e “Flores” foram algumas das que foram cantadas a coro. Os covers de “Should I Stay or Should I Go“, do The Clash e “Paranoid“, do Black Sabbath foram bastante elogiados.

Papa Roach, desconhecida do público, fez uma apresentação morna. Os riffs agradaram, assim como o desempenho de Jacoby Shaddix (vocal) e Jerry Horton (guitarra). E… só. O Rock in Rio foi a grande chance deles adentrarem no mercado brasileiro e, quem sabe, retornar em outras ocasiões, em shows independentes – o que, só acabou ocorrendo em 2016, por conta de problemas de saúde enfrentados por Shaddix em 2013, quando ocorreria uma turnê pelo país.

Daí… o Oasis chegou e pôs a Cidade do Rock abaixo. O setlist não poderia ser outro se não com “Go Let It Out, Supersonic” e “Wonderwall” entre tantos outros sucessos. Em “Don’t Look Back in Anger” e “Live Forever“, difícil era não ver um ou outro marmanjo com lágrimas nos olhos. Noel e Liam também homenagearam Neil Young, com um cover de “My My Hey Hey“. Fecharam com Rock’n’Roll Star, deixando saudade aos fãs brasileiros.

O Guns N’Roses não poderia abrir sua apresentação se não com “Welcome to the Jungle“. O público, que desde cedo já se espremia na grade de frente para o palco, foi abaixo. O Rio era de Axl Rose e isso já estava mais que claro. Até cover de Tim Maia (“Sossego“) rolou! Apesar da falta deixada por Slash, a banda não deixou a peteca cair em momento algum. “Live and Let Die” e “Sweet Child O’ Mine” foram, de longe, as performances mais emblemáticas. O show, mesmo que sendo o mais longo da noite, não passou a sensação de cansaço. Pelo contrário: após o segundo bis, com “Paradise City“, os fãs ainda queriam mais.

Em breve, falaremos desde a tão aguardada “noite teen” ao heavy metal do Iron Maiden. Tem alguma história para contar ou estava em algum dos dias da terceira edição? Conta aqui para a gente!