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CríticaFilmes

Crítica: Jornada da Vida

Avatar de Rodrigo Chinchio
Rodrigo Chinchio
12 de julho de 2019 3 Mins Read

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Histórias de aprendizado, aquelas que fazem com que o personagem principal mude seu caráter e suas convicções, são recorrentes no cinema. Geralmente, essas histórias são construídas em formato de road movie, já que a viagem serve como um paralelo filosófico entre o percorrer de um caminho e a construção do caráter. Os obstáculos são postos e superados até o final da jornada. O cinema americano é o que melhor sabe produzir esse tipo de filme e têm grandes obras lançadas. Porém, vem da França o mais novo exemplar de road movie com “Jornada da Vida” , do cineasta Philippe Godeau.

Godeau segue o manual dos americanos, mas leva sua trama para as poeirentas estradas do Senegal. Tudo começa quando o garotinho Yao do titulo original (Lionel Louis Basse) sai de seu isolado vilarejo para participar de uma sessão de autógrafos do famoso ator e escritor senegalês Seydou Tall (Omar Sy), que fez a carreira na França e que volta ao país natal para promover seu mais recente livro. Yao cai na estrada apenas com uma pequena mochila onde há um pouco de comida e o livro quase destruído para ser autografado e consegue chamar a atenção do ídolo. Tall se comove e oferece ajuda para que o garoto volte para casa. O que ele não contava é com a sua repentina vontade de acompanhar o garoto na viagem e talvez achar o vilarejo onde nasceu.

A busca pelas raízes de Tall poderia até ser comovente se a direção e o roteiro de Godeau não fossem frágeis. Ele tece situações tão forçadas que fica difícil acompanhar até o final. Um exemplo é o encontro do ator com uma artista em um bar na estrada. A forma como os dois se conhecem e passam a flertar beira ao novelesco. Eles simplesmente trocam alguns diálogos após ela dançar em um pequeno palco e já parecem perdidamente apaixonados. O pior é que, nesse momento, o roteiro simplesmente deixa Yao de lado e foca apenas no casal, o que é incompreensível, pois era na relação de quase pai e filho entre os dois que o texto se apoiava até aquele momento.

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Também não há química entre os dois interpretes, dificultando a ligação emocional da plateia com eles. A atuação simplória de Basse é outro fator que trabalha contra o longa. Parece que não houve muito trabalho de preparação para o jovem que praticamente lê suas falas sem grandes expressões. Na verdade, há momentos que ele apenas balbucia em tela. Evidentemente que não se pode colocar a culpa pela falha na atuação em um ator com tão pouca idade. Se há um culpado, esse é o diretor.

“Jornada da Vida” é até bem intencionado e tenta passar uma mensagem de humildade e amizade para um mundo cada vez mais alheio a atos de bondade. Só por isso já vale a ida ao cinema. Porém, era preciso minimizar os problemas citados acima para a que as intenções de seus realizadores fossem mais bem assimiladas e seguidas pelos espectadores. Afinal, são as grandes obras que fixam os ideais e as emoções na mente das pessoas pelo resto de suas vidas.


Imagens e vídeo: Divulgação/California Filmes

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CinemaDrama

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Rodrigo Chinchio

Rodrigo Chinchio é colaborador da Woo! Magazine, onde escreve sobre cinema com a autoridade de quem se formou cinéfilo garimpando pérolas nas videolocadoras. Especialista em encontrar filmes que o algoritmo jamais recomendaria, mantém em seu quarto uma coleção de Blu-rays e DVDs que rivaliza com qualquer acervo físico do país, e que ainda o impede de ver a própria cama.

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