Dez anos haviam passado desde o Rock in Rio II. O Brasil já tinha uma nova moeda corrente, um novo presidente e começava a caminhar para a era da informação, dos computadores e celulares. Marcando a chegada do século XXI e do milênio, a terceira edição fez história, exatamente no mesmo lugar em que se consagrou em 1985. Uma nova “Cidade do Rock” foi construída, com uma temática bem diferente de 16 anos antes.

O line-up também apresentou mudanças.  A proposta de dias temáticos para os artistas gerou críticas mistas. De um lado, os que defendiam o bom e velho rock’n’roll que marcou o primeiro festival. De outro, quem curtia outros estilos, como o teen pop e o brit pop. As “tendas” foram um diferencial, com o intuito de aquecer o público para os shows principais. A “Tenda Brasil” contava com apresentações de artistas nacionais. A “Tenda Eletro” tinha DJ’s nacionais e internacionais com o melhor das pistas de dança. A “Tenda Raízes” trazia artistas não tão conhecidos por aqui. Já na “Tenda Mundo Melhor“, debates eram realizados diariamente com personalidades sobre temas relacionados ao lema do evento (“Por Um Mundo Melhor”) e o palco principal, foi rebatizado como Palco Mundo – nome que permanece até a atualidade.

Outra diferença da primeira edição foi os camarins dos cantores. Enquanto que antes ficavam atrás do palco, em 2001 foram transferidos para o Riocentro, ao lado da Cidade do Rock.

Vista aérea do Palco Mundo em 2001.
Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Créditos: Acervo/Jornal O Globo)

Patrocínios também não faltaram. A American Online (AOL) foi a principal parceira do RiR. Tanto que na logo daquele ano, o tradicional globo azul com a guitarra dividiu espaço com a do provedor – um triângulo e dois arcos. A parceria gerou um feito inédito: a transmissão ao vivo pela internet – que ainda era restrita aos brasileiros. Com isso, os áudios das apresentações foram intensamente gravados, graças ao Napster. 

Já a alimentação ficou por conta do Mister Pizza, cadeia carioca de pizzas e lanches. Coca Cola, Club Social e Schincariol (hoje Schin), também deixaram sua marca no festival. A estrutura do evento contava com um mini-shopping que possuía 25 lojas, 1 cybercafé e 1 restaurante da cadeia Rock in Rio Café (hoje, já extinta), além de 2 camarotes VIP, 4 mini-hospitais, 4 sanitários e a sala de imprensa.

Mas nem tudo foi flores. Antes mesmo de acontecer, polêmicas em torno do festival já pipocavam na mídia. A impossibilidade de passagem de som, antes do show, das bandas nacionais que se apresentariam gerou um boicote liderado pelas bandas O Rappa, Cidade Negra e Raimundos. Eles reivindicavam a mesma estrutura concedida aos artistas internacionais. O movimento foi apoiado pelo Charlie Brown Junior, Jota Quest e Skank.

Hora do show!

Passados os problemas que antecederam o RiR III, chegava o momento mais esperado do começo dos anos 2000. Não faltaram outdoors e propagandas por toda a cidade do Rio de Janeiro, assim como na TV. A DirecTV ficou responsável pela cobertura ao vivo, assim como o Multishow – este, somente com o Palco Mundo. Já a Rede Globo fez um resumo de cada noite, com um programa de 1 hora de duração, durante a madrugada, apresentado por Márcio Garcia. Na íntegra, só os shows do Guns N’ Roses e do Iron Maiden foram exibidos no canal. As rádios FM que cobriram o festival foram a Jovem Pan e a Rádio Cidade.

E no dia 12 de janeiro, finalmente, dava-se início ao primeiro dos sete dias de evento. Os shows e debates começaram desde a tarde. Na “Tenda Brasil”, Arnaldo Antunes, Jair Rodrigues, Luiz Melodia, Sandra de Sá, Patrícia Coelho, Os Anjos e Habagaceira preencheram a programação. Na “Tenda Mundo Melhor” os debates foram sobre fé e espiritualidade. A “Tenda Eletro” recebeu os DJs Ricardo Araújo, Rica Amaral, o espanhol José Padilla e o alemão ATB. E a Tenda Raízes contou com Anima, Henri Dikongué, Regis Gizavo, Thierry Robin, Tyours Gnawas e Vartina.

A Orquestra Sinfônica Brasileira abriu a primeira noite de shows. Às 19 horas, três mil rádios e 522 TVs silenciaram por três minutos. O início e o fim do ato foram marcados pelo toque de um sino, feito por Holly May, uma garotinha de 6 anos, e na libertação de pombas brancas, num pedido pela paz mundial. Gilberto Gil Milton Nascimento cantaram juntos “Imagine“, de John Lennon. Milton seguiu no palco, junto com Lô Borges e trouxe sucessos como “Certas Coisas” e “Caçador de Mim“. Já Gil retornou sozinho, dedicando sua apresentação – que fora bastante elogiada pela imprensa – a Raul Seixas.

Daniela Mercury colocou todo mundo para pular, encerrando os shows nacionais daquela noite. James Taylor foi a penúltima atração. Repetindo o sucesso de 1985 e exalando amor pela cidade do Rio, emocionou com “You’ve Got A Friend” e “Only A Dream In Rio“, lançada logo após sua primeira vinda ao Brasil. E, encerrando a primeira maratona, Sting fez bonito. Trazendo canções recém lançadas, como Brand New Day e as de sua antiga banda, o The Police (“Every Little Thing She Does Is Magic”, “Every Breath You Take” e “Roxanne”), o cantor e baixista animou a platéia, que já estava bem mais tranquila – comparada ao show de Daniela.

Amanhã, teremos a segunda parte com os shows dos dias 13 a 21 de janeiro. Confira a seguir, os melhores momentos do primeiro dia, escolhidos pela Woo! Magazine:

Este slideshow necessita de JavaScript.