O Rio de Janeiro ainda vivia bons momentos em 2011. A crise que se instauraria inicialmente em 2013 e se agravaria nos anos seguintes, ainda não havia dado as caras e a época era perfeita para a volta do Rock in Rio. A “Cidade Maravilhosa” respirava novos ares. A Copa do Mundo e as olimpíadas já se aproximavam. Projetos, como os das UPPs, fluíam muito bem. Isso tudo fez com que diversas regiões da cidade se transformassem em verdadeiros canteiros de obra. Por outro lado, havia a expectativa de um futuro promissor para o carioca. Nesse clima, Roberto Medina trouxe de volta o Rock in Rio para o Brasil, após esse passar 10 anos longe, com edições internacionais em Portugal (2004, 2006, 2008, 2010) e Madrid (2008, 2010, 2012).

O festival voltou para casa, mas totalmente repaginado e muito mais estruturado (em todos sentidos). A nova “Cidade do Rock” trouxe um parque de diversões com roda gigante, montanha-russa, tirolesa entre outros brinquedos para todo o público. Trouxe também a “Rock Street“, que contava com várias atrações durante todos os dias do evento. O “Palco Mundo” apresentou uma mega estrutura moderna, enquanto o “Sunset” trouxe misturas musicais e encontro de diferentes artistas. Acompanhando a ideia de combinar vários gostos em um mesmo local, a edição trouxe também o palco de música eletrônica.

Apesar de toda a mega estrutura, ocorreram problemas, principalmente na entrega de ingressos e no transporte para a chegada a Cidade do Rock. Taxistas cobravam preços absurdos, o sistema de ônibus era ineficiente e a distância até o ponto era longa. Com isso, as centenas de carros que se arriscavam diariamente em chegar mais próximo a Cidade do Rock eram multados e o trânsito virou um verdadeiro nó nos dias de show. Outro problema, foram os furtos: mais de 700 em 7 dias.

Uma programação espetacular

O line-up do evento foi um dos melhores de todos os RiR’s até aqui. Além de diversificadas, as atrações diárias trouxeram nomes de muito peso. Afinal, não é todo dia que podemos assistir a um show do System Of Down, seguido do Guns N’ Roses. Houve desistências, como a de Jay-Z – que cancelou a participação e foi substituído pelo Maroon 5.

Porém, as atrações não se limitavam ao Palco Mundo. O Sunset se tornaria um grande xodó do evento a partir daquele ano. Os encontros musicais improváveis atraíram grande parte do público do festival. Algumas atrações daquele ano no Sunset foram: Erasmo Carlos, Titãs, Sepultura, Monobloco e Tiê.

Os dias em que a Cidade do Rock voltou a pulsar

Os primeiros dias de shows, também foram de teste para a nova estrutura. Entretanto, filas muitos grandes para os brinquedos, reclamações sobre os preços de comidas e bebidas e o, já citado, problema com os transportes deram dor de cabeça para a organização do festival. No mais, o saldo seria positivo.

O evento traria, em 23 de setembro, uma noite repleta de estrelas do pop, rock e da MPB. A abertura, no Palco Mundo, reuniu os Paralamas do Sucesso com Titãs e a Orquestra Sinfônica Brasileira, além de Maria GadúMilton Nascimento. A reunião incendiou o público em um show frenético no qual os sucessos do rock brasileiro se conectavam, como “Óculos” e “Sonífera Ilha”. Claudia Leitte fez um show divertido. Carioca, de alma baiana, a cantora sacudiu o público. Contudo, a noite seria mesmo para os fãs do pop, que acamparam nas grades para assistir de perto as estrelas Katy Perry e Rihanna.

Quando Katy subiu ao palco, trouxe junto uma mega produção. No setlist, claro, os megahitsLast Friday Night“, “Firework” e “I Kissed A Girl“. Durante a apresentação, um dos momentos mais inusitados e marcantes do RiR IV: o beijo da californiana no sortudo fã brasileiro, Júlio Cesar de Salvo, de 24 anos e morador de Sorocaba. Elton John apresentou uma performance mais contida e recheada de sucessos, sendo a apresentação mais “calma” da noite. E para fechar com mais pop, Rihanna entra em cena. Embora que com uma produção menor do que de Perry, a (então) morena apostou na potência vocal e em hits para um belíssimo encerramento.

O bom e velho rock à casa torna

O sábado seria de puro rock, ainda que não fosse do metal. O NX Zero veio com uma pegada mais leve e romântica que fazia sucesso entre os jovens. A banda foi substituída pelo som mais pesado da Stone Sour, que tinha recém lançado o álbum “House of Gold & Bones – Part 1″. Depois, sob o comando de Dinho Ouro Preto, o Capital Inicial fez o público cantar junto em “Quatro Vezes Você”, “Natasha” e “À Sua Maneira“.

O Snow Patrol fez um show redondo. Gary Lightbody, vocalista do grupo, interagiu com o público – inclusive enrolando uma bandeira brasileira no corpo, enquanto cantava. E o Red Hot Chili Peppers fecharia o segundo dia com diversas canções já conhecidas pelos brasileiros. Vale frisar, que eles não vinham ao país desde o Rock in Rio III, dez anos antes.

Já a primeira noite hard rock ficaria por conta do domingo. Os paulistanos do Gloria trouxeram o metalcore com uma guitarra potente, seguida do Coheed & Cambria – com um show para metaleiro nenhum colocar defeito. Divulgando o disco “The Wörld Is Yours”, o Motörhead levou o público ao delírio com uma apresentação bastante enérgica. E então, o Slipknot fez uma performance brutal e barulhenta. Melhor? Impossível!

Pensam que acabou? Nada disso! O primeiro fim de semana seria fechado pelo Metallica. O grupo homenageou o antigo baixista, Cliff Burton, nos 25 anos de sua morte. Os integrantes, inclusive, abriram uma enorme bandeira com uma imagem dele.

E assim, se encerrava o primeiro final de semana de shows. Amanhã postaremos a segunda parte da matéria sobre o Rock in Rio IV, falando de mais shows marcantes, como a homenagem ao Legião Urbana e a performance meteórica do Guns N’ Roses.

Este slideshow necessita de JavaScript.