Que o primeiro final de semana do Rock in Rio III foi um sucesso, isso é fato. Os destaques ficaram por conta do Guns ‘N Roses, Oasis e R.E.M. A confusão no show de Carlinhos Brown não foi motivo de desânimo, afinal ainda restavam quatro dias para o fim do festival. Passado o descanso de quatro dias, a Cidade do Rock voltava aos holofotes com a tão comentada “noite teen” do dia 18 de janeiro.

Sendo a única alternativa entre tantos nomes da música pop, Moraes Moreira não fez feio ao abrir a noite de shows daquela quinta-feira. O cantor dispensou o Palco Mundo e cantou em cima de um trio elétrico, que rodou todo o gramado. Os pais, dos adolescentes que aguardavam seus ídolos, aprovaram e aproveitaram bastante ritmos de frevo e maracatu. Não demorou para que Aaron Carter chegasse e os gritos histéricos ecoassem por toda a Barra da Tijuca. O irmão mais novo de Nick Carter, vocalista dos Backstreet Boys, tinha apenas 13 anos quando deu início, de fato, à noite do pop.

Mas, quando Sandy e Junior surgiram no telão, com uma mensagem de paz e amor para os fãs, era difícil não ver alguma adolescente aos prantos. Com pouco mais de 1 hora de show e com um setlist recheado de sucessos amados pelo público, os irmãos escolheram a apresentação do Rock in Rio para realizar uma edição especial da turnê “Quatro Estações – O Show“. Cenários, figurinos e os arranjos das canções foram modificados para o dia que ficou eternizado para os filhos de Xororó.

E pensam que acabou? Além de terem sido elogiadíssimos pela crítica e capas de diversos jornais na manhã do dia seguinte, os dois quebraram recordes: cantaram para 250 mil pessoas. Foi o segundo maior público da dupla, que se desfez em dezembro de 2007 e que voltou em 2019 para uma turnê comemorativa de 30 anos de carreira.

O Five também não desapontou. Com o cover de “We Will Rock You“, do Queen, e sucessos como “When The Lights Go Out“e “If Ya Gettin’ Down“, os britânicos arrancaram suspiros das fãs.

Sandy, durante a apresentação no Rock in Rio III. Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Créditos: Jornal O Globo/Acervo)

E o playback, Brit?

Era o primeiro show de Britney Spears por aqui. A expectativa era imensa, principalmente pelo sucesso do recém-lançado “Oops!… I Did It Again“. O que se prometia era uma super produção, troca de cenários e figurinos, além de megahits. E tudo parecia ir bem, até a polêmica do playback. Até hoje, há quem defenda que foi apenas um suporte, por conta das diversas coreografias, assim como aqueles que não perdoam. O fato é: anos depois, a princesinha do pop afirmou que utilizava a técnica. Outro porém foi a bandeira dos Estados Unidos, quando Spears performou “Lucky“. O público não cessou as vaias, além de gritar “Brasil” repetidas vezes. No mais, apesar da alegria dos fãs com a primeira vez da diva no país, as críticas foram bem mistas.

Já com o N*SYNC, o sucesso foi certeiro. Efeitos especiais, raio laser, troca de figurinos e um repertório cheinho de hits para a galera cantar junto. Rolou até cover à capela com singles do Bee Gees! Junto de Sandy e Junior, a boyband foi o grande destaque do dia e dos jornais. Justin Timberlake, que fazia parte do grupo, retornou outras vezes para o festival: em 2013, no Rio e em 2014 em Lisboa.

A vez do bom e velho rock’n’roll

O “dia do metal” começou com os pernambucanos do Sheik Tosado, que trouxeram o maracatu e o heavy metal em suas canções. Apesar de algumas vaias por parte dos fãs do Iron Maiden, que fecharia a noite, o show correu bem e foi bastante elogiado pela crítica. O Pavilhão 9, além de ter convidado Igor e Max Cavalera (exs-Sepultura), fez história, quando seus integrantes retiraram as toucas ninjas que eram a marca registrada do grupo.

Os americanos do Queens of the Stone Age não deixaram barato. Nick Oliveri, então baixista do grupo, se apresentou nu e quase foi preso, por atentado ao pudor. Quando questionado sobre o que motivou a tal atitude, declarou que não sabia que a nudez era proibida e que já tinha visto vários desfiles do Carnaval brasileiro, onde homens e mulheres apareciam pelados. No setlist, “How to Handle a Rope“, “If Only” e “Regular John” foram alguns dos hits que fizeram a cabeça dos fãs.

Já o Sepultura não desanimou, nem mesmo com os problemas enfrentados no som. Subiram ao palco, abrindo com “Roots Bloody Roots“, levando a galera ao delírio. “Territory“, “Troops of Doom“, “Desperate Cry” e outros sucessos agradaram do começo ao fim, sem intervalos. Derrick Green havia assumido os vocais há pouco mais de dois anos, desde que Max Cavalera havia saído da banda.

Rob Halford, que havia saído do Judas Priest em 1992 (e só retornaria em 2004), foi a penúltima atração da noite. Apesar de sequer falar com o público, o que causou decepção ao público, as canções executadas durante a apresentação foram bem recebidas. “Eletric Eve” e “Breaking the Law” foram cantadas em coro por todos. E a estrela da noite, Iron Maiden, encerrou a “Brave New World Tour” em altíssimo estilo. O show acabou virando um DVD e um álbum duplo, lançado no começo de 2002. No setlist, “Blood Brothers“, “The Evil That Man Do“, “Fear Of The Dark” e o bis com “Sanctuary” não poderiam faltar. Sem dúvidas, um dos melhores shows da banda.

Os integrantes do Iron Maiden ao final do show do Rock in Rio III. Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Créditos: Iron Maiden/Acervo)

Xote, rock nacional, country e pop para relaxar

O penúltimo dia de Rock in Rio começou bem mais tranquilo do que o anterior. Os Engenheiros do Hawaii tocaram clássicos da banda, como “Pra Ser Sincero“, “O Papa é Pop” e “Piano Bar“, e contaram com a presença de Paulo Ricardo, ao cantarem “Rádio Pirata” juntos. Foi uma das últimas vezes que o grupo se apresentou com a formação original. Elba Ramalho e Zé Ramalho fizeram um excelente show juntos, abrindo com “Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás“, de Raul Seixas. Entoaram diversos sucessos, transformando a Cidade do Rock num imenso carnaval fora de época.

O Kid Abelha fechou o line up nacional naquele 20 de janeiro, trazendo diversos hits que marcaram a carreira da banda carioca, como “Te Amo pra Sempre“, “Pintura Íntima“, “Alice“, “Como Eu Quero“, e até o funk – que rumava ao topo das paradas da época – marcou presença, com a intro de “Funk do Tigrão” em “Fixação“.

Primeira atração internacional da noite, o Dave Matthews Band voltava ao Rio após quase três anos – desde o show no extinto Free Jazz Festival. Apesar do show curto, que não chegou a uma hora, foi um dos destaques. Abriram com “Two Step” e passaram por hits como “Ants Marching“, “So Much to Say” e “Anyone See the Bridge“, além do cover de Bob Dylan (“All Along the Watchtower“). Dave Matthews, visivelmente emocionado, além de agradecer, interagiu durante toda a apresentação com o público.

Sheryl Crow “chegou chegando” com “All I Wanna Do“. Apesar de, até então, não ser tão conhecida pelo público brasileiro, não decepcionou – sobretudo, com o cover de “Sweet Child O’ Mine” e “If It Makes You Happy“, cantada em coro. E Neil Young, junto de sua banda – a Crazy Horse, fechou a noite trazendo velhas conhecidas da galera: “Sedan Delivery“, “Like a Hurricane“, “Cinnamon Girl” e “Powderfinger

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Neil Young e a banda Crazy Horse. Imagem: Divulgação/Rock in Rio (Créditos: Jornal O Globo/Acervo)

Quando a saudade aperta…

O dia 21 de janeiro já começou em clima de despedida para o público. A banda Diesel, que havia sido selecionada pela “Escalada do Rock” (concurso organizado pelo evento, no antigo Rock in Rio Café), abriu os trabalhos, chamando a atenção de quem ainda não conhecia o trabalho dos mineiros que, após o festival, mudaram o nome do grupo para Udora. O Surto, que estourava pelo Brasil com “A Cera“, veio logo em seguida.

O metal retornou para a despedida, com o Deftones. O grupo ganharia o Grammy naquele ano de “Melhor Performance de Metal” com “Elite“, vencendo Marilyn Manson, Iron Maiden, Pantera e Slipknot. Já o Capital Inicial, última atração nacional da noite, deu sequência a turnê “Acústico MTV“, do disco lançado meses antes do festival e foi muito bem recebida pela plateia – que os considerou como um dos melhores da noite.

O Silverchair, penúltimo a subir no Palco Mundo, também fez bonito. Tocando algumas músicas desconhecidas, entre um outro tanto de familiares, como “Ana’s Song“, “Israel’s Son“, “Anthem For The Year 2000” e o megahit “Miss You Love”, fizeram um show excelente.

Com o Red Hot Chili Peppers a terceira edição do RiR se encerrou com chave de ouro, entrando para a história da música mundial. A banda estourava com “Californication“, de 1999, e não deixou de fora os megahits “Give It Away“, “Under The Bridge” e “Hello, Hello, I’m Back Again“. Depois, só retornariam ao festival em 2011 – coincidentemente, na mesma época em que este aterrissou de volta ao Rio.

E você? O que viveu da edição de 2001? Compartilha aqui com a gente! Em breve falaremos sobre o Rock in Rio IV. Até lá!

 

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