A primeira pré-estreia da Crunchyroll da CCXP23, o anime “True Beauty”, é o único de gênero não isekai anunciado na quinta do evento, e adapta uma história que pode soar familiar para todos; você não é refém de seu passado, tampouco de sua imagem. Esta crítica abarca primeiras impressões, portanto, a partir do primeiro episódio do anime, que deve ser lançado mundialmente em janeiro.
É tudo aparências
Logo de cara, a primeira espiada pela janela de “True Beauty” põe em jogo duas questões importantes: as expectativas de padrão de beleza – sobretudo na sociedade coreana – e as jornadas de vingança de um protagonista injustiçado. Qual a melhor forma de criar empatia senão fazer o personagem comer o pão que o Diabo amassou? Até esse ponto não há nenhuma novidade, e quantas boas histórias não nascem de premissas tão simples?
Na narrativa, a jovem Ju-kyung é vítima de bullying por aqueles a sua volta por ser a “patinho feio” de seu colégio, tanto psicológico quanto físico. Quando, porém, nossa heroína revida a agressão e acaba deixando marcas em uma das garotas, o que rende a sua expulsão. Sem esperança e prestes a desistir de tudo, ela é levada até um tutorial de maquiagem na internet e começa aprender a se maquiar.
Impressionada com os resultados, Ju-kyung crê ser possível dar a volta por cima e recomeçar sua vida em um lugar em que ninguém a conhece, matriculando-se no Colégio Saebom e ganhando o status de “deusa” por sua beleza.
O que Ju-kyung não imaginava é que recomeçar não seria tão fácil: ainda com traumas de sua passagem na antiga escola, sua popularidade instantânea se converte em pressão e expectativas pelas quais nao estava preparada, e logo crê ser uma farsa.
Sendo uma otaku em segredo, seu “disfarce” está para cair por terra quando, em uma ida sem maquiagem à livraria, encontra o rapaz mais bonito do novo colégio e, numa discussão pelo último exemplar de um mangá, deixa um de seus fones cair. O episódio termina ao estilo cinderela, deixando o gancho para a revelação de sua identidade no capítulo seguinte.
Além de sintetizar a premissa da série, o primeiro episódio parece em alguma medida cumprir a tônica do que será essa adaptação de webtoon homônima do LINE. A trama já foi adaptada em 2020 também para k-drama na TV coreana.
Nyah Fanfiction, temos visita
Antes de tudo, deve-se ressaltar que essa análise se limita ao primeiro episódio da adaptação, tendo a função de introduzir todo esse novo mundo, aqui abocanhando de uma vez a premissa completar. Então a série merece um desconto tanto para elogios quanto para críticas.
Se por um lado entendemos as motivações dos personagens e o contexto em que se inserem, a mensagem entregue fica prejudicada, isto porque nos 25 minutos de exibição tudo ocorre muito rápido — a ponto de nos questionarmos se não estamos assistindo uma apresentação powerpoint em tópicos. Não podemos esperar grande carga dramática em menos de meia hora, e por ora é difícil dizer se em determinado momento ela virá à superfície, e isto porque o argumento estava mais preocupado em tornar a mocinha uma personagem relatável.
Ela é desastrada, baixa autoestima, crê ser uma farsa, contudo recebe o tíquete dourado para fazer suas inimigas provarem o próprio veneno — e quem não ama uma vingança? “True Beauty” dá indícios de ser outra história de mocinha boa, mas que se vinga sem querer, fazendo os antagonistas caírem na própria arapuca — mas por enquanto são suposições.
Ao juntar fantasias adolescentes do “deslocado” em uma vasilha sem oferecer contraponto a sensação que fica é já ter visto essa história, quiçá nos escombros de fanfics duvidosas que bem poderiam ter ficado esquecidas em 2012. Se a primeira impressão é a que fica, e a direção não se mostrou competente para mostrar-se capaz de sair do óbvio, as perspectivas não são das mais sólidas.
Em retrospecto, “True Beauty” é divertido, principalmente se você não está calejado de histórias do gênero — que são muito populares em webtoon, aliás, e o espectador ainda pode ter boas risadas arrancadas caso abrace a trama pelo lado inverso, “dando a volta” e curtindo seus problemas de estrutura. Que bom que a Crunchyroll está trazendo animes sino e coreanos? Com certeza. Poderiam ser títulos mais potentes? Também sem sombra de dúvida.


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