A boa lembrança dos anos 90

Hoje eu estava pensando sobre o que escrever nessa coluna, que pudesse ser um diferencial de conhecimento sobre o tema aqui proposto. E num determinado momento, eu me peguei cantando um trecho dessa música:

“Mina,
Seus cabelo é “da hora”,
Seu corpão violão,
Meu docinho de côco,
Tá me deixando louco.”

A galera mais jovem talvez não faça nem ideia que música é essa, mas quem é dos anos 80 sabe exatamente de quem se trata. Em março desse ano a banda completa 20 anos de seu último show. E com certeza essa é uma homenagem mais que merecida que nós, da Woo! Magazine, estamos fazendo a esses incríveis e malucos músicos que marcaram toda uma geração.

“Os Mamonas Assassinas” foi um grupo musical de rock que surgiu em meados dos anos 90, mais precisamente, em 1995. Batizado antigamente de “Utopia”, não conseguiam emplacar nas paradas de sucesso. Mas ao mudar o seu nome, a banda foi do inferno ao céu meteoricamente.

Com um único álbum de estúdio, “Mamonas Assassinas”, lançado em junho de 1995, o grupo vendeu mais de 3 milhões de cópias no Brasil, sendo certificado com disco de diamante comprovado pela ABPD, além do disco de diamante num acervo particular do grupo, teve discos de ouro, platina, e dupla platina com o sucesso de venda deste único álbum.

Um dos motivos que levou a banda ao sucesso absoluto das paradas musicais foi a irreverência dos integrantes. Sempre com muito bom humor, eles conseguiam cativar cada uma das pessoas que os assistia. Além do que, a suas músicas eram todas feitas em tom de críticas sociais, mas de uma forma absolutamente cômica e com figurinos extremamente ousados.

O engraçado é que após gravar o disco produzido por Rick Bonadio (apelidado pela banda de Creuzebek), que foi lançado no dia 23 de Junho de 1995, o disco passou desapercebido nas lojas, ninguém deu bola, nem as lojas e nem o público. Porém, no dia seguinte, quando a Rádio Rock tocou a música Vira-Vira, os Mamonas estouraram de vez. Foi o disco de estreia que mais vendeu no Brasil e também o que mais vendeu cópias em um único dia: 25 mil nas primeiras 12 horas após a canção ter sido executada. Depois disso, passarem a sair em exaustiva turnê, apresentando-se em programas como Jô Soares Onze e Meia, Domingo Legal, Programa Livre, Domingão do Faustão e Xuxa Park. A disputa entre os programas para levar a banda era imensa, uma vez que conseguindo, era garantia de sucesso absoluto no horário.

Um ponto marcante na carreira dos Mamonas aconteceu em 1992. Quando eram o Utopia, os integrantes tentaram tocar no Ginásio Paschoal Thomeo (conhecido como Thomeozão), em Guarulhos. Foram, porém, expulsos pelo dirigente do ginásio, considerando que a banda nunca iria fazer sucesso devido a seu nome. O vocalista Dinho, ao ser barrado, discutiu feio com a autoridade da cidade e disse que um dia eles seriam famosos, que o mundo dá voltas e, com isso, a prefeitura iria pedir para eles tocarem por lá. Só que a história seria diferente, porque o vocalista disse que pensaria se iriam tocar. Em Janeiro de 1996, já como Mamonas, os cinco lotaram o ginásio.

Esse show ficou marcado por vídeos amadores que mostram o momento em que Dinho senta no palco e em tom de desabafo, manda uma mensagem energética, repleta de energia positiva e críticas à aqueles que não acreditaram no seu trabalho, dizendo que nunca se deve deixar de acreditar nos seus sonhos, pois os Mamonas sempre tiveram o sonho de tocar ali (no Thomeozão) e tiveram a porta fechada na cara.

Algumas curiosidades

  • O grupo Mamonas Assassinas era formado por cinco integrantes: Dinho (voz e violão), Bento (guitarra e violão), Samuel (baixo), Sérgio (bateria) e Júlio (teclados e backing vocal).
  • Em 1995, “Vira Vira” foi a segunda música mais tocada no Brasil naquele ano, e “Pelados em Santos” ficou em terceiro lugar. Ambas perderam apenas para “Take a Bow”, da Madonna.
  • “Pelados em Santos” ganhou o Troféu Imprensa de Melhor Música de 1995. O grupo também ganhou o prêmio de Revelação do Ano.
  • O verdadeiro nome de Dinho era Alecsander. O apelido foi dado por sua avó, que não conseguia falar o nome do neto.
  • Os shows custavam até R$ 70 mil. Eles chegaram a fazer três shows por dia! Apenas os estados do Acre e do Tocantins não foram visitados pela banda.
  • Mas como tudo que é bom acaba, o final de uma das bandas mais queridas do Brasil foi trágico. No dia 2 de março, enquanto voltavam de um show em Brasília, o jatinho Learjet em que viajavam, modelo 25D prefixo PT-LSD, chocou-se contra a Serra da Cantareira, numa tentativa de arremetida, matando todos que estavam no avião.
  • Em 2 de março de 1996, o tecladista Júlio Rasec disse a um amigo que havia sonhado com um acidente de avião naquela noite. O depoimento foi gravado em vídeo e ganhou enorme repercussão, principalmente por esse ter sido no dia da tragédia.
  • O enterro, no dia 4 de março no cemitério Parque das Primaveras, em Guarulhos (SP), fora acompanhado por mais de 65 mil fãs (em algumas escolas, até mesmo não houve aula por motivo de luto), inclusive a que eu estudava. O enterro também foi transmitido na televisão, com canais interrompendo sua programação normal para mostrar a consternação geral do país com tamanha tragédia (neste momento em que escrevo a matéria me vem uma forte lembrança desse dia, me fazendo ficar com um sentimento de perda inexplicável).

Às vezes me pego pensando se os “Mamonas” fariam o mesmo sucesso nos dias de hoje. Minha opinião é que sim. Mas, infelizmente, não saberemos se isso é verdade.

Para você, fã, ou que ficou curioso para conhecer mais sobre a banda, deixo aqui um vídeo completo do único álbum lançado:

E indico esse documentário original sobre a história deles:

Por: Rodrigo Zingano