Crítica: Show do Bita

O que acontece quando um pai, cansado dos padrões Disney, decide criar uma decoração toda especial para o aniversário de sua filha? Pois foi neste dilema que Chaps Melo criou um universo de encanto muito educativo para (bem) além da festinha de sua filha! O “Mundo Bita” surgiu primeiro em meio digital (como aplicativos e livros) e depois foi ganhando seu espaço enquanto animação. E o que faz desse mundo tão especial? A inserção de valores extremante construtivos nas crianças desde seus primeiros anos de vida. De maneira lúdica o desenho trata de temas que vão das novas experiências e descobertas das crianças (como usar o pinico, o que é o fogo e seu perigo, o que é a chuva, animais etc) até temas sociais relevantes como inclusão, igualdade de gênero e  pessoas com deficiência. Em tempos de tamanha preocupação com a depressão e o bullying, iniciativas como essa são um sopro de esperança para pais que nascem nesses tempos.

O sucesso dessa história pode estar relacionado tanto a qualidade do trabalho, quanto a necessidade dos pais em introduzir conteúdo construtivo na educação dos pequenos. E esse sucesso pode ser visto quando o “Mundo Bita” sobe aos palcos: casa lotada, crianças de muitas idades cantando junto. Encanto e animação resumem a experiência dos pequenos nessa jornada (ao vivo) de música, cor e conhecimento. O espetáculo “Show do Bita” traz a cena bonecos de espuma nos quais os artistas dão vida aos personagens da animação. A única exceção é a personagem Flora, que com seu carisma e lindo cabelo cor de rosa é a responsável pela maior parte da interação com a plateia atenta e participativa.

Flora também leva toda trilha sonora do espetáculo, ao vivo, catando as canções do desenho. O trabalho vocal da atriz segura com tranquilidade a hora de musical. Assim também é a apresentação dos artistas que com grandes cabeças não perdem o ritmo ao longo do espetáculo, mostrando resistência e um bom trabalho corporal.

O cenário do espetáculo é simples, mas conta com um grande telão no qual são exibidos clipes das músicas em animação enquanto os artistas se apresentam. Soma-se a isso instrumentos e acessórios de espuma que auxiliam na criação de um universo didático ao passar mensagens importantes canção após canção. Os figurinos também merecem destaque: os personagens de espuma, muito bem feitos, são bastante parecidos com os personagens da animação, sendo muito convincentes (especialmente para um público tão jovem).

O musical também traz algumas surpresas que envolvem o público em uma experiência divertida e encantadora. Não cabe aqui revela-las, mas o que pode ser dito é que despertam a alegria, fazendo muitos do atento público se desligar da cena, levantar da cadeira e ir brincar no corredor ou no colo dos pais. Essas propostas são interessantes, pois mantém o interesse das crianças no que está acontecendo. Bem se sabe que o tempo de concentração dessa faixa etária é curto, e, portanto, inserir dentro do espetáculo intervenções simples como as vistas no “Show do Bita” são muito funcionais.

As apresentações na Cidade do Rio de Janeiro encerraram sua temporada no último final de semana no teatro NET de Copacabana. Mas em 2018 toda a turminha comandada por esse esperto moço de bigodes ruivos estará de volta para encantar mais corações, levando mensagens sobre amor, empatia e diversidade.

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