O sucesso de “A Boca do Diabo” no Prime Video abre caminho para uma seleção que vai do suspense de “Águas Rasas” à insanidade sem freio de “Sharknado”.
Filmes de tubarão voltaram a ocupar o topo do streaming. Poucos dias depois de chegar ao Prime Video, “A Boca do Diabo” assumiu a primeira posição entre os filmes mais assistidos da plataforma no Brasil, mostrando que o público ainda não se cansou de observar pessoas tomando decisões questionáveis em águas infestadas por predadores.
Dirigido por Jeff Wadlow, o longa acompanha cinco amigos durante uma viagem à Tailândia. O passeio por um sistema de cavernas submersas rapidamente se transforma em uma luta pela sobrevivência quando o grupo fica preso no local e descobre que divide o espaço com um tubarão-cabeça-chata.
O elenco reúne Kathryn Newton, Lana Condor, Gavin Casalegno, Nico Hiraga e Tommi Rose. A combinação entre escuridão, pouco oxigênio, conflitos pessoais e uma criatura capaz de surgir a qualquer momento ajuda a explicar por que o filme encontrou tão rapidamente seu público.
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Para quem terminou a produção querendo mais, esta seleção reúne alguns dos melhores filmes de tubarão lançados nas últimas décadas. Há sobrevivência realista, ficção científica, serial killer, desastre aéreo e até tornados repletos de animais voadores. O cardápio do terror com tubarões aceita praticamente tudo.
Antes desses filmes de tubarão, veio o verdadeiro “Tubarão”
É impossível falar sobre o gênero sem lembrar de “Tubarão”, clássico dirigido por Steven Spielberg em 1975. A história acompanha uma cidade litorânea ameaçada por um enorme tubarão-branco enquanto as autoridades tentam esconder o perigo para preservar a temporada turística.
Os problemas enfrentados com o tubarão mecânico durante as filmagens fizeram com que Spielberg mostrasse a criatura menos do que havia planejado. A limitação acabou favorecendo o suspense: durante boa parte do filme, a ameaça é percebida pela música de John Williams, pelos movimentos na água e pelo medo estampado nos personagens.
O resultado mudou a história do cinema, ajudou a estabelecer o modelo dos grandes lançamentos de verão e criou uma sombra que continua pairando sobre cada novo filme do gênero. As dez escolhas abaixo seguem caminhos diferentes, mas todas devem alguma coisa ao predador que aterrorizou Amity Island.
Águas Rasas
Poucos filmes de tubarão recentes entenderam tão bem a força da simplicidade quanto “Águas Rasas”. A trama acompanha Nancy, personagem de Blake Lively, durante uma sessão de surfe em uma praia isolada. Após ser atacada por um tubarão-branco, ela consegue chegar a uma pequena formação rochosa, mas permanece cercada a poucos metros da costa.
O diretor Jaume Collet-Serra transforma aquele espaço reduzido em um campo de batalha. Nancy precisa observar as marés, improvisar curativos e calcular cada movimento enquanto o tubarão circula ao redor.
A criatura aparece bastante, mas o filme funciona porque trata a protagonista como alguém capaz de pensar sob pressão. É uma disputa de resistência em que inteligência e paciência importam tanto quanto força física. Para quem procura tensão direta, ritmo enxuto e uma boa atuação central, continua sendo uma das escolhas mais certeiras do gênero.
Sob as Águas do Sena
Um tubarão gigante no meio de Paris já seria uma premissa suficientemente absurda. “Sob as Águas do Sena” decide aumentar a aposta ao colocar a criatura no famoso rio durante a preparação para uma competição internacional de triatlo.
A história acompanha Sophia, cientista interpretada por Bérénice Bejo, que descobre a presença do animal e tenta convencer as autoridades a interromper o evento. Naturalmente, os responsáveis preferem proteger a imagem da cidade até que a situação fique impossível de esconder.
O longa francês mistura filme de monstro, desastre urbano e crítica ambiental. Algumas escolhas pedem uma dose generosa de suspensão da descrença, mas a disposição de levar o tubarão para fora das praias tradicionais dá personalidade à produção. É estranho, exagerado e bem mais ousado do que seu ponto de partida sugere.
Franquia Megatubarão
Quando o tubarão comum já não parece grande o suficiente, a solução de Hollywood é chamar Jason Statham e ressuscitar uma criatura pré-histórica.
Lançado em 2018, “Megatubarão” apresenta Jonas Taylor, mergulhador especializado em resgates nas profundezas que precisa enfrentar um megalodonte dado como extinto. A produção troca o terror puro por aventura, efeitos visuais e cenas construídas para transformar o predador em atração de parque temático.
“Megatubarão 2”, de 2023, abandona qualquer tentativa de moderação. Há mais criaturas, uma operação ilegal de mineração e um Statham disposto a resolver situações absurdas com a confiança de quem já enfrentou carros, assassinos e praticamente todas as leis da física.
Os dois filmes são ideais para quem prefere espetáculo e ação em vez de realismo.
Franquia Medo Profundo
A franquia “Medo Profundo” encontrou sua identidade no confinamento. No primeiro filme, lançado em 2017, duas irmãs interpretadas por Mandy Moore e Claire Holt entram em uma gaiola para observar tubarões durante as férias. Um acidente faz com que a estrutura despenque até o fundo do mar, deixando as duas presas a 47 metros da superfície.
O oxigênio limitado, a dificuldade de comunicação e a escuridão formam uma combinação sufocante. O tubarão é uma ameaça constante, mas a profundidade pode ser ainda mais perigosa.
“Medo Profundo: O Segundo Ataque” apresenta novas personagens explorando as ruínas de uma cidade submersa. A continuação amplia os espaços, aumenta a quantidade de predadores e assume uma pegada mais aventureira, sem perder a claustrofobia que marcou o original.
Franquia Do Fundo do Mar
Em “Do Fundo do Mar”, cientistas realizam experiências em tubarões para desenvolver um tratamento contra o Alzheimer. As alterações genéticas aumentam a inteligência dos animais, que rapidamente percebem que os seres humanos ao redor são o único obstáculo entre eles e a liberdade.
O filme de 1999 reúne Saffron Burrows, Thomas Jane, Samuel L. Jackson e LL Cool J dentro de uma base de pesquisas isolada no oceano. O diretor Renny Harlin combina ficção científica, ação e mortes criativas em uma produção que se tornou uma das grandes diversões do gênero.
A história ganhou duas continuações, lançadas em 2018 e 2020. Os filmes seguintes possuem orçamentos menores e uma cara mais evidente de produção para vídeo, mas mantêm a ideia de tubarões modificados geneticamente e inteligentes demais para aceitar o cardápio oferecido pelo laboratório.
Desespero Profundo
“Desespero Profundo” combina duas situações que já seriam aterrorizantes separadamente: um acidente aéreo e um grupo de tubarões.
Após a queda de um avião no Oceano Pacífico, alguns passageiros sobrevivem dentro de uma parte da fuselagem submersa graças a uma bolsa de ar. O problema é que o oxigênio está acabando, a estrutura permanece perigosamente próxima de uma ravina e os tubarões circulam do lado de fora.
O longa de 2024 trabalha bem a diferença entre enxergar a superfície e não conseguir alcançá-la. Cada tentativa de fuga exige que os personagens deixem o pouco de segurança oferecido pelo avião para entrar em uma água onde quase nada pode ser visto.
O resultado é um suspense compacto, claustrofóbico e perfeito para quem possui medo de avião, de mergulho ou simplesmente de tudo.
Águas Mortais
Aaron Eckhart volta a interpretar um piloto em “Águas Mortais”, produção dirigida por Renny Harlin, o mesmo nome por trás do primeiro “Do Fundo do Mar”.
A trama acompanha um voo entre Los Angeles e Xangai que precisa realizar uma aterrissagem de emergência no Oceano Pacífico. Depois de sobreviverem ao acidente, passageiros e tripulantes descobrem que caíram em uma região tomada por tubarões.
O elenco também conta com Ben Kingsley, enquanto Gene Simmons, baixista do KISS, participa como produtor por meio de sua companhia cinematográfica.
A premissa lembra “Desespero Profundo”, mas muda o espaço do conflito. Em vez de permanecerem presos dentro de uma fuselagem no fundo do mar, os personagens precisam encarar a exposição das águas abertas e a distância de qualquer possibilidade imediata de resgate.
Animais Perigosos
“Animais Perigosos” encontra um jeito perturbador de modificar a fórmula. O tubarão continua sendo uma ameaça, mas o verdadeiro monstro da história anda sobre duas pernas.
A surfista Zephyr, vivida por Hassie Harrison, é sequestrada por Tucker, um assassino em série interpretado por Jai Courtney. Obcecado por tubarões, ele leva suas vítimas para o mar e registra os ataques como parte de um ritual macabro.
Dirigido por Sean Byrne, o filme mistura suspense de sobrevivência, terror com serial killer e ataques de animais. A protagonista precisa escapar do cativeiro enquanto tenta evitar que o criminoso a transforme em sua próxima atração.
É uma das propostas mais inventivas da leva recente porque não trata o tubarão como vilão. O animal funciona como arma de um homem muito mais consciente da crueldade que está provocando.
Isca
Em “Isca”, cinco amigas viajam ao Caribe para celebrar um casamento. Durante um passeio de barco até uma ilha próxima, uma delas é atacada por um tubarão, e o grupo perde a embarcação que garantiria o retorno em segurança.
Sem comunicação, com poucos recursos e cercadas por águas abertas, as personagens precisam encontrar uma saída enquanto antigas tensões entre elas começam a reaparecer.
Dirigido por Hayley Easton Street, o filme usa a amizade entre as protagonistas para dar alguma sustentação emocional a uma estrutura conhecida. O tubarão não reinventa o gênero e as decisões tomadas pelo grupo certamente podem gerar discussões acaloradas no sofá.
Ainda assim, a paisagem paradisíaca contrastando com o perigo escondido na água garante imagens bonitas e uma sessão eficiente para quem nunca recusa um novo ataque no mar.
Franquia Sharknado
Um tornado surge, retira tubarões do oceano e começa a arremessá-los sobre Los Angeles. Essa é a premissa de “Sharknado” — e qualquer tentativa de fazer perguntas lógicas deve ser abandonada imediatamente.
O primeiro filme, lançado em 2013, acompanha Fin Shepard, personagem de Ian Ziering, tentando salvar a família ao lado de April, interpretada por Tara Reid. O inesperado sucesso transformou a ideia em uma franquia de seis produções, lançadas até 2018.
Com o passar do tempo, os filmes incluíram viagens pelo mundo, tubarões espaciais, dinossauros, saltos temporais, motosserras e uma quantidade crescente de participações especiais.
A franquia virou um símbolo do cinema trash contemporâneo porque entende perfeitamente o próprio absurdo. O acabamento é duvidoso, a física pediu demissão e ninguém parece preocupado com isso. Diversão radioativa em estado puro.
“Ataque Brutal” leva os tubarões para dentro da cidade
Para quem chegar ao fim dessa lista de filmes de tubarão ainda disposto a permanecer perto da água, a Netflix possui mais uma opção recente.
“Ataque Brutal” acompanha os moradores de uma cidade atingida por um furacão devastador. Com o avanço das enchentes, tubarões chegam às ruas e transformam os espaços urbanos em novas áreas de caça.
O elenco reúne Phoebe Dynevor, Whitney Peak e Djimon Hounsou. A proposta mistura filme de desastre com terror de criatura, usando a inundação para colocar os predadores em locais onde normalmente ninguém esperaria encontrá-los.
Talvez ficar dentro de casa durante uma tempestade já não seja um plano tão seguro.
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O tubarão continua nadando pelo cinema
Quase todos os filmes desta lista partem de uma estrutura conhecida: pessoas isoladas, pouca chance de resgate e uma ameaça circulando fora do campo de visão. O que muda é a forma como cada produção utiliza esses elementos.
“Águas Rasas” aposta na sobrevivência individual. “Animais Perigosos” acrescenta um assassino em série. “Megatubarão” transforma o predador em espetáculo, enquanto “Sharknado” joga qualquer compromisso com a realidade dentro de um tornado.
O sucesso de “A Boca do Diabo” mostra que a fórmula ainda desperta curiosidade. Cinquenta anos depois de “Tubarão”, o cinema continua encontrando novos lugares para esconder uma barbatana — até mesmo cavernas, rios, cidades inundadas e aviões no fundo do oceano.
Imagem Destacada: Divulgação/Warner Bros. Pictures


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