Em “Assassina de Berlim” acompanhamos thriller nacional com protagonista muito bem trabalhada
“A Assassina de Berlim” é um livro escrito por Camilo Farias, que é um autor e advogado gaúcho. Suas histórias são em temais mais voltados para crime, desejo, espionagem e períodos históricos, não chegando a ser um romance de época, mas também não sendo algo contemporâneo. Para além de “A Assassina de Berlim”, o seu mais novo lançamento tem também na bagagem “A Ladra e o Espião”; “A Ladra, O Espião… e a Herdeira da Máfia!”; “A Ladra e o Espitão: Infiltrada”.
A história de “A Assassina de Berlim” é dividida em quatro volumes, sendo eles “A Assassina de Berlim”, “A Rainha de Espadas”, “Assassina em Paris” e “O Príncipe Vermelho”. Mas aqui o foco será no início de tudo, até porque o final do volume I dá uma atiçada no desfecho da história dela, revelando um futuro distante sobre o qual, durante todos os outros capítulos, o leitor se pergunta como ela chegou ali. Então, o leitor pode ler esse livro como um conjunto completo, ou como quatro livros dentro de um único de mais de trezentas páginas, sendo a segunda opção mais divertida.
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O primeiro volume, ou primeiro capítulo, começa com uma confissão de Sasha, dizendo que ela assassinou Oton Straczinsky, homem que ela amava, e explica como ela fez isso, mas não entra em detalhes, isso ficaria para depois. O interessante é que ela já inicia como assassina e espiã em Berlim.
Ela transita entre o passado e o presente, sendo esse uma missão de infiltração e explosão de uma das bases em Berlim da Guerra Fria, só que ela acaba sendo capturada por ter sido dedurada por algum suposto aliado. Posteriormente, ela seria executada fora dos registros, um grande erro de todo vilão de filme e série de heróis e espiões estilo “007” e “Três Espiãs Demais”: sempre procrastinar a morte do protagonista ao invés de fazer no ato da captura. E por não ter sido executada na hora.
“O primeiro homem que amei se chamava Oton Straczinsky, um assassino doze anos mais velho do que eu e vinculado à STATI. Além de amar Oton, eu o matei enforcado com a sua gravata. Ele morreu montado e caído sobre mim, despejando seu peso sobre meu corpo, como em tantas vezes em que transamos no chão do seu quarto.”
Sasha consegue fugir e vai até Dorothea Timoshin, uma amiga mais velha que a acolheu num prostíbulo, e também a informante entre ela e a inteligência de outras áreas, mas principalmente os ingleses. Ali também se conhece Olivier-Baptiste Vélaz, um personagem importante para o restante de toda a história, que é um amigo, irmão e amante para Sasha, mas isso é apressar um pouco as coisas, pois no volume I, ele é um cara que é ameaçado por uma arma, mas ainda assim fica ao lado de Sasha nesse primeiro momento e ajuda ela a fugir da emboscada que a informante Dorothea havia feito para ela.
A assassina então consegue se abrigar e conseguir a ajuda de Shmuel Benayoun, um espião israelense e judeu que a contratou para matar um nazista, conseguindo assim o seu primeiro nome falso a que o leitor tem acesso, Rachel. Com esse favor, ela consegue enfim se ver livre de Berlim e cruzar o muro que dividia a Alemanha ainda na década de 70. Mas não sem antes fazer uma visita para a sua amiga de longa data e aquela que também era um dos motivos pelos quais Sasha matou Oton.
“— Só eu posso te proteger deles. Eu sempre te protegi, eu te protegi de tudo. Você é tola, é ingênua… você é uma menina, mas não, não veja isso como algo ruim. Algo em você ainda é puro… Sasha! O que é a Grenztruppen perto de Oton? Eu te protegi de Oton. O que faz um assassino? Ele mata. Cedo ou tarde, aquele homem… (…) Após matar Oton, passei horas acariciando seus cabelos. Com Doro, não. Ela me chamava, implorava para que a acompanhasse nos seus minutos finais, mas me levantei para caminhar entre cadáveres, fazer a minha mala e ir embora de Berlim.”
O desfecho do primeiro livro/volume é muito bom porque acaba mostrando um futuro distante, acontecimentos para além da década de 70 e que estão mais próximos da realidade atual, mais ou menos atual. E fica a dúvida para saber como Sasha fez para chegar ali, o que vai ser respondido em partes ao decorrer dos outros volumes. Também é curioso que a pessoa com quem ela termina o livro não é necessariamente a pessoa com quem ela vai ficar no final de tudo, pois um foi no final dos anos 70 e o outro está narrando no futuro, décadas depois.
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O livro é interessante porque é um livro histórico no sentido de mostrar como funcionavam em partes a política e as pessoas daquela época através dos personagens com seus pensamentos e ideologias, e também no próprio cenário. Algo positivo no livro é que ele tem notas de rodapé, explicando os nomes super diferentes e trazendo não só literatura, mas também conhecimento junto sobre organizações gorvenamentais, estruturas policiais, etc. E, para quem ficou curioso sobre o primeiro volume, vale a pena ler o restante e saber o que mais a “Assassina de Berlim” faz ao decorrer de sua vida.
Imagem Destacada: Divulgação/Gerada por inteligência artificial



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