Há um tempo, falamos sobre alguns games de estratégia que voltaram com tudo, e na mesma lista, falamos sobre o remake de “Age of Empires” – a lendária franquia de games que nasceu em 1997. Nela, você controla civilizações antigas, em períodos distintos da história, com o objetivo de dominar o mundo (imagine uma risada maligna). O domínio, no entanto, não é feito com sequências explosivas de ação, mas sim com muita – dissemos MUITA – paciência, análise, planejamento. E o pior (ou melhor) é que essa fórmula nestes jogos simplesmente vicia. 

Cada título na trilogia original da série ganharia nos anos seguintes, cada uma, suas expansões, cada qual compreendendo um período histórico diferente, indo desde a Idade da pedra, passando pela Idade Média e chegando à época das Grandes Navegações. Houve também o spin-off “Age of Mythology”, que exploraria a antiguidade com criaturas mitológicas e deuses, bem como versões de alguns dos títulos para consoles portáteis, embora nenhuma delas com grande importância.

O Ensemble Studios foram os responsáveis pelo desenvolvimento da série, com distribuição da Microsoft Games. O estúdio estadunidense fecharia em 2009, após o lançamento de seu último título, “Halo Wars”, o primeiro de seu portfólio que não era da série AoE. E caso estejam perguntando se o spin-off estratégico do famoso shooter (e raro exclusivo) do Xbox era ruim. O fato é que, na verdade, sua recepção foi positiva, pela crítica e pelo público, mas… business.

Ainda haveria, em 2011, o lançamento de “Age of Empires Online” desenvolvido pelo Robot Entertainment, estúdio formado pelos fundadores da Ensemble – que tentou unir a profundidade clássica da série a novos elementos. Era um jogo exclusivamente online e grátis, mas sua direção de arte um tanto cartunesca, senão infantilizada e uma irritante presença de elementos pagos resultaria numa recepção mista entre fãs e crítica.

Mesmo com bons números de jogadores, em 2014, o jogo seria permanentemente descontinuado. Ainda assim, nesta época o jogo já não era mais relevante como foi na década passada, e provavelmente a necessidade de usar “moedas de chocolate” para comprar uma civilização inédita não caiu muito bem. As moedas que mencionamos na frase anterior, foram uma ironia, aliás – mas o fato que você precisava pagar para destravar melhores unidades ou civilizações, numa franquia que fez seu nome sem isso, terminou não vingando, a longo prazo.

E já nesta época, não se falava tanto de AoE quanto antigamente. Para efeitos de comparação, é como as franquias Tomb Raider e Mortal Kombat, que revolucionaram seus gêneros quando surgiram no mundo, para na década seguinte soltarem títulos medíocres, perdendo o “trono” de referência máxima em seus segmentos.

Sim, é uma comparação rasa, mas já ajuda a entender o que Age of Empires já foi e o que viria a se tornar. E sim, as duas grandes franquias citadas tiveram seus retornos triunfais, coisa que AoE ainda não teve. Mas eis que esta semana, a conferência de games para PC da Microsoft na Gamescom, veio com alguns anúncios que podem levar nosso RTS favorito (Real Time Strategy ou Estratégia em Tempo Real) de volta para o doce mundo da relevância.

A Gamescom, caso não conheçam, poderia ser apelidada carinhosamente de uma versão europeia e mais light da E3 Expo – e durante o dia 21 de agosto de sua edição de 2017, a Microsoft confirmou oficialmente a data de lançamento de Age of Empires: Definitive Edition”, o remake/remaster/re-alguma-coisa do primeiro jogo da franquia. Ele sai em 19 de outubro, para PC, e está com um preço bem camarada, já na pré-venda.

Assim como o primeiro jogo da série, aquele que começou tudo, lá na Idade da Pedra, também aprontaremos altas confusões histórias na Idade Média e um pouco antes da Idade Moderna, já que Age of Empires II e III também ganharão o tratamento HD com suas próprias Edições Definitivas. “Mas”, você pergunta, “por que esse monte de relançamento de jogo velho?” É que tem mais coisa aí!

Também houve na mesma conferência o anúncio de “Age of Empires IV”! Embora outros detalhes não tenham sido revelados, além de que o jogo começou a ser produzido, foi divulgado um trailer que dá a entender que este título poderá cobrir todos os períodos da história apresentados nos games anteriores, como é feito em “Civilization”, por exemplo.

Enquanto a sequência não tem detalhes, já sabemos que “AoE: Definitive Edition” teve até sua trilha sonora regravada, com direito a orquestra e tudo. Pode parecer pouca coisa, mas quem jogou lá nos anos 90, com aquela icônica música num tal formato MIDI, sabe como a qualidade vai ficar melhor – além de bater aquela curiosidade em saber como cada faixa soaria devidamente refeita. Os gráficos desta nova edição não são nada fora deste mundo: é um jogo esteticamente simples, mas detalhado e, acima de tudo, belo. O que nos é garantido é que o que vemos nos screenshots divulgados até agora não é a versão final, e esta deverá ser mais bela ainda.

Outra novidade interessante é que ela está sendo produzida com a ajuda de grandes fãs: a equipe indie de desenvolvimento de games, Forgotten Empires, (sacaram a referência no nome?).  Se você tem parentes que dizem que ficar na frente do PC jogando não leva a nada, compartilha essa com eles: hoje o estúdio produz, para a Microsoft Games, expansões oficiais de “Age of Empires 2”. OK, seus parentes céticos provavelmente continuarão duvidando de vocês, mas o que importa é que eles fizeram do hobby um trabalho amplamente (e oficialmente) reconhecido! Deu até inveja!

Mas o que importa é que desta vez, para variar, estamos recebendo não só um remake necessário, como também uma grande sequência, que pode fazer história e trazer Age of Empires de volta ao trono que merece!

Tem algum game de qualquer tipo que vocês gostariam de ver aqui na Woo? Compartilha conosco nos comentários! Enquanto isso, você pode assistir ao trailer de Age IV:

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Cesar Rezende

Carioca por acidente e adepto do pop e rock dos anos 90 e 2000. Sobrevive de uma dieta não moderada de Stephen King e gostos que ele jura serem divergentes. Ama escrever e fotografar, é defensor e problematizador do videogame como forma de arte, e, acima de tudo, metido a engraçado.

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