Quem é fã de Stephen King pode estar em um dos melhores (ou piores) anos de sua vida, com tantas adaptações a caminho: “A Torre Negra”, sempre sendo adiado (agora é em agosto), a primeira parte de “It – A Coisa”, que se também não for adiado, depois de um excelente trailer, sai em setembro, “Jogo Perigoso” sendo produzido pelo Netflix, e uma série de TV para “Mr. Mercedes”. De fato, o autor americano tornou-se uma das maiores inspirações para escritores e cineastas, e é justamente ele que influenciou na criação de um game clássico do Xbox 360, “Alan Wake”, lançado em 2010.

O game é um thriller psicológico com mecânicas de ação e aventura, contando com uma história bem estruturada, referências à cultura pop e personagens cativantes, que poderiam perfeitamente terem saído de uma das páginas de King. Foi desenvolvido pela Remedy Entertainment, também conhecida por “Death Rally”, os dois primeiros “Max Payne” e o mais recente, “Quantum Break”.

Como em algumas histórias da principal fonte de inspiração, essa é uma sobre um escritor. Alan Wake é um autor consagrado por seus populares livros, mas sofre um bloqueio criativo e resolve trocar sua agitada vida em Nova York por férias na pacata Bright Falls com sua esposa, Alice. O que eles não sabiam eram da presença de forças malignas na bela e pacífica cidade. Assim que chegam, Alice é levada pela Escuridão e o restante do jogo retrata a jornada de Alan para resgatá-la. Sim: é um tanto batido usar o “resgate a princesa” como motivação, e outros clichês serão também utilizados, felizmente de maneira mais criativa: a luta de bem contra o mal, luz e segurança versus escuridão e medo.

O game desenvolve-se em episódios, nos moldes de séries de TV, o que viraria uma tendência nos anos seguintes por outros títulos com foco na história contada, como “The Walking Dead”, da Telltale Games e “Resident Evil: Revelations”.

O produto também se destacou na época por sua qualidade gráfica, evidenciada pelas lindas paisagens da fictícia Bright Falls, mostrando bem o potencial do bom e velho Xbox 360. Os personagens foram modelados para reproduzir o mais fielmente possível os atores reais e a trilha sonora responde bem às variações do jogo entre grandes paisagens e luz do dia, quando o jogador deve sentir-se seguro, e à sensação de pânico e claustrofobia, de lugares fechados e noite, quando o inimigo ataca.

O game ganhou um spin-off (ou uma “quase-sequência”, se você preferir) “Alan Wake’s American Nightmare”, que de forma menos envolvente nos dá uma história razoável dizendo o que pode ter acontecido com Alan e outros personagens após os eventos do jogo original. Até no último título da Remedy, Quantum Break, vemos referências ao famoso autor fictício que se tornaria uma espécie de lenda urbana.

No final, todo fã de Stephen King deveria conhecer Alan Wake, assim como todo fã de games com uma boa narrativa também. Não é todo dia que vemos um game de terror que, mesmo sem apelar para carnificina, consegue nos deixar tensos, e isso é algo que merece reconhecimento sempre. Quem ainda não jogou, pode fazê-lo no Xbox One, por retro compatibilidade, ou PC, via Steam. Por hora, fiquem com uma montagem de melhores momentos do jogo, feita com uma das faixas de sua excelente trilha sonora, carreguem sempre uma lanterna e até a próxima!