“O Homem de Preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”. Era o começo da saga de Roland Deschain, contada ao longo dos sete livros originais da série “A Torre Negra”, de Stephen King. Hoje em dia, há também um livro extra, situado no meio da história e diversas HQ’s. Era de se esperar que já tivéssemos por aí uma adaptação ao cinema, afinal, os livros existem há anos: a série original foi lançada entre 1982 e concluída em 2004 (e o livro adicional em 2012).

Desde 2007, diversos projetos para levar a história à telona foram cancelados ou passados para outras mãos, até finalmente chegarmos à tentativa atual, devidamente filmada e em estágio de pós-produção. Dirigido por Nikolaj Arcel (“O Amante da Rainha” e a adaptação sueca de “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”) e estrelando Idris Elba e Matthew McGonaughey, o filme estava inicialmente programado para lançamento em 09 de janeiro de 2017 sendo posteriormente adiado para 28 de julho, no mesmo ano. Ainda em meados de outubro, um trailer inacabado vazou nas redes.Com o lançamento do filme, há finalmente chances de que uma das principais histórias de King seja finalmente reconhecida popularmente. Sequências poderão ser lançadas e ainda há rumores de uma série para a TV (afinal, oito livros rendem muito material).

Com fortes influências de Tolkien, a trama se passa num mundo pós-apocalíptico, paralelo não só à nossa realidade, mas também a de outras obras do escritor – que emprestam elementos e até personagens (como um dos vilões, O Homem de Preto), já que neste universo é possível viajar entre estas realidades/dimensões. A saga combina fantasia, suspense, terror, ficção científica e faroeste. (Oi, Westworld!) A jornada traz humanos com poderes sobrenaturais, criaturas grotescas, cidades decadentes. Nas palavras dos livros, “um mundo que seguiu adiante”. Traz a tradicional luta do bem contra o mal, não só no exterior, mas também num constante conflito interior dos protagonistas, que tentam vencer seus fantasmas do passado para progredirem.

Não é por menos que a Marvel foi a responsável pelas HQ’s. Além de completarem a história, elas contam também momentos inéditos da vida do pistoleiro e do Mundo Médio (onde ele vive), mas nunca foram lançadas completamente no Brasil: enquanto nos EUA temos quinze volumes, temos aqui apenas os cinco primeiros. Ainda assim, elas são uma ótima pedida para quem já leu todos os livros. Resta-nos acompanhar se o possível sucesso do filme acende o interesse para o lançamento dos volumes restantes.

O fato é que há um potencial nas histórias da Torre e provavelmente ainda iremos ouvir muito sobre ela em 2017. Até lá, como dizemos no mundo dos pistoleiros: longos dias e belas noites!