Crimes bárbaros, mortes que revoltam a sociedade e possíveis motivos para esses casos, são temas explorados pelo canal de televisão Investigação Discovery. Com uma programação totalmente documental, a proposta do veículo é expor informações baseadas em investigações criminalistas.

“Como a filha consegue ser tão insensível a ponto de elaborar minuciosamente  a morte dos próprios pais?”, “Como pode um pai jogar a própria filha da janela do apartamento e depois chorar no seu enterro?”, “Como alguém consegue andar com o corpo de uma criança preso do lado de fora do carro?”, “Como uma relação amorosa acaba em um homem matando brutalmente sua ex e a abandonando em uma represa?” Perguntas como essas continuam sendo incompreensíveis, mas um novo programa tem a difícil missão de tentar respondê-las.

No dia 27 de maio estreou, no Investigação Discovery, o programa “Anatomia do Crime”, uma produção local realizada pela Medialand exclusivamente para o canal, com direção de Carla Albuquerque.  O projeto tem como objetivo analisar dez casos que comoveram o Brasil, nele serão retratados crimes que tiveram muita repercussão por parte da grande mídia e que até hoje surpreendem e deixam dúvidas nas pessoas.

Cada episódio tem meia hora de duração e será transmitido às 22h. No entanto, a partir da segunda semana de exibição, o canal vai exibir novamente, às 21h35, o episódio da semana anterior, para quem não pode acompanhar, tendo em seguida um inédito, às 22h.

O primeiro episódio retomou informações sobre o caso ocorrido em 2008, ano em que aconteceu o assassinato de Isabella de Oliveira Nardoni, de apenas 5 anos. A menina foi encontrada morta no jardim do prédio do pai, Alexandre Nardoni e da madrasta Anna Carolina Jatobá, localizado em São Paulo. De acordo com a conclusão da polícia, a madrasta teria asfixiado a criança e o pai a jogado pela janela do sexto andar. Apesar de terem sidos condenados por homicídio doloso, o casal sempre negou as acusações.

Alexandre Nardoni foi condenado a 31 anos de prisão

O programa utiliza imagens da perícia, laudos disponibilizados pela Polícia Civil, informações sobre o julgamento e inquérito do pai e de Anna Carolina Jatobá para montar uma linha do tempo e explicar as ações da família de maneira mais clara. Além desses dados, a análise desse episódio conta com a presença de criminólogo Christian Costa, da psicoterapeuta Gisela Ferrari, o psicólogo Carlos de Faria e o psiquiatra forense Guido Palomba para traçar o perfil dos criminosos e tentar desvendar o que há por trás da mente de crimes tão brutais.

De acordo com os profissionais, o desequilíbrio da família começava desde os pequenos detalhes, como a desorganização da casa, roupas espalhadas pelos cômodos, até situações mais graves como crises de ciúmes e imaturidade, as quais desencadearam em um desequilíbrio emocional. Dessa forma, eles concluem que o crime não teria sido premeditado, mas uma consequência de uma briga banal dentro de um carro.

O segundo episódio reflete sobre a história do estudante de medicina de uma das faculdade mais renomadas e concorridas do país, Mateus da Costa Meira, que foi responsável por um ataque armado a uma sala de cinema. O caso conhecido como o “Atirador do Shopping” aconteceu em 1999 e segundo os especialistas, uma das possíveis explicações seria esquizofrenia.

Além desses, outros fatos são explorados na primeira temporada da produção, como os casos de homicídios do maníaco do Parque, do maníaco da Cantareira, do médico Farah Jorge Farah e os assassinatos de Ives Ota e da advogada Mércia Nakashima. Todos utilizam como base as conclusões e investigações da polícia e tem o intuito de examinar circunstância e possíveis vínculos entre os dados e o cenário psicológico das pessoas envolvidas.


Por Manuella Neiva