Nova baterista do Rush elogia a técnica, energia e identidade sonora de Neil Peart e explica por que tocar as músicas da banda é um desafio até para músicos experientes
A sombra de Neil Peart ainda paira sobre qualquer sala de ensaio onde o nome Rush é pronunciado. Não apenas pelo legado técnico do baterista, mas pela maneira como ele transformou a bateria em narrativa — algo que poucos músicos conseguem reproduzir sem soar como mera imitação. E Anika Nilles sabe disso.
A baterista alemã, que fez sua estreia ao vivo com o Rush durante o Juno Awards deste ano, no TD Coliseum, em Hamilton, no Canadá, comentou recentemente sobre o impacto de assumir as baquetas de uma das figuras mais reverenciadas do rock progressivo. Em entrevista à revista Classic Rock (via LouderSound), Nilles falou com admiração quase cirúrgica sobre os detalhes que tornavam Peart inconfundível.
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“O jeito dele tocar era extremamente energético”, afirmou. “E isso é algo com que me identifico muito. Neil tinha uma abordagem muito viva, muito pulsante.”
Mas a força não era o único diferencial. Segundo Nilles, Peart tratava a bateria de maneira quase melódica, explorando diferentes cores sonoras para construir atmosferas dentro das músicas do Rush. Não era apenas técnica; era assinatura artística.

“Existem sons que você reconhece imediatamente como sendo dele”, explicou. “E não por causa do equipamento, mas pela forma como ele tocava.”
Entre os elementos mais marcantes, ela destaca o uso do ride cymbal e a sonoridade característica da caixa — marcas registradas que ajudaram a moldar a identidade do Rush ao longo das décadas. Para Nilles, reproduzir esse universo exige mais do que habilidade: exige memória emocional e atenção obsessiva aos detalhes.
“Neil raramente repetia a mesma ideia duas vezes”, disse. “Mesmo quando uma seção da música voltava, a bateria vinha diferente. Isso deixava tudo mais interessante e dava personalidade às composições.”
É justamente aí que mora o desafio. Tocar Rush nunca foi apenas acompanhar riffs complexos ou mudanças de andamento imprevisíveis. As linhas de bateria de Peart funcionavam como composições paralelas dentro das músicas — cheias de pequenas variações, acentos e frases que fãs conhecem de cor.
“Você não pode simplesmente ignorar essas partes”, comentou Nilles. “Tudo é importante. Tudo faz parte da composição.”
Curiosamente, a adaptação também exigiu confiança da própria banda. Em outra entrevista publicada pela Classic Rock, Alex Lifeson e Geddy Lee revelaram que os primeiros ensaios com Nilles vieram acompanhados de dúvidas sobre como aquela química funcionaria na prática — algo compreensível quando se tenta revisitar um catálogo tão monumental sem transformar a experiência em nostalgia vazia.
Mais do que substituir um baterista lendário, Anika Nilles parece entender que seu papel é dialogar com um legado praticamente sagrado para o rock progressivo.
A nova fase do Rush começa oficialmente em 7 de junho, quando a turnê Fifty Something Tour estreia no Kia Forum, em Los Angeles — o mesmo local que recebeu o último show da banda com Neil Peart, em 2015. O simbolismo não poderia ser maior. Agora contando também com um tecladista de apoio, o bastião do rock progressivo passará pelo Brasil em janeiro de 2027.
Imagem destacada: Reprodução/ProMark
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