Californianos enfrentam chuva leve e público morno na Cidade do Rock, entregam precisão no Palco Mundo e mandam recado contra brigas de fãs, mas ficam atrás da catarse do Bring Me The Horizon
O Avenged Sevenfold chega ao Rock in Rio 2026 à sua terceira participação no festival, 13 anos depois da estreia, também em uma noite do metal, em que havia aberto para o Iron Maiden. E, por falar na banda inglesa, neste ano o dia destinado ao chumbo grosso não contou, à exceção do Sepultura, com nenhum decano. O Avenged já havia provado seu valor encerrando o único dia dedicado exclusivamente ao rock na edição 2024, e a organização quis apostar nos californianos mais uma vez, já que o Maiden deixou para vir ao Brasil mais tarde com sua turnê comemorativa e o Metallica não se interessou.
A origem do nome da banda é bastante curiosa. A resposta está na Bíblia, mais precisamente na história de Caim e Abel, no livro de Gênesis. A expressão pode ser traduzida como “vingado sete vezes” e foi escolhida por M. Shadows, vocalista e um dos fundadores do grupo.
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O show se iniciou com atraso de 25 minutos, mas, quando as luzes se apagaram, transpareceu imediatamente nos rostos do público que a paciência havia valido a pena. Quando um portal se abriu ao fundo do palco e os primeiros acordes de “Nightmare” passaram a ser ouvidos, os fãs (de longa data ou nem tanto) foram ao delírio berrando a letra, em especial o refrão “it’s your fucking nightmare”.
A questão é que, ao contrário de dois anos atrás, boa parte do público era mais casual, não tão conhecedora do trabalho da banda além dos hits. Por isso, a catarse vista na última edição não se repetiu com a mesma intensidade — sobretudo em momentos de músicas mais recentes ou faixas da fase pré-Nightmare. Tanto que M. Shadows observou: “Vocês estão tão educados hoje”, e indagou: “É a chuva?”. Pode ter sido; afinal, a previsão do tempo não falhou e, durante toda a tarde e noite, houve pancadas de chuva. No show dos headliners, a precipitação foi de pouca intensidade e não chegou a atrapalhar.

Em dado momento, o frontman chamou a atenção para as brigas em redes sociais entre fãs de diferentes bandas da programação e fez questão de ressaltar como todos os artistas envolvidos são amigos. “Quando a gente vê essa merda acontecendo é muito triste, porque todo mundo nessa nova era do rock and roll e do metal quer levantar o outro. Então… isso vale para o MGK, Bad Omens, Poppy, Bring Me The Horizon, Sepultura. O ponto é: não perca tempo com essa merda. Vocês têm que aproveitar o dia”, disse, dando a deixa para a faixa “Seize the Day”.

A banda cumpriu seu papel. Tecnicamente impecável, como já havia demonstrado na sua estreia em 2013, o grupo foi abrilhantado pelo som de alta qualidade da Cidade do Rock. O solo de bateria de Brooks Wackerman estremeceu o chão e as guitarras de Zacky Vengeance e Synyster Gates puderam ser ouvidas com nitidez. A dupla recorre a clichês do metal, mas o faz com um capricho irresistível. O baixista Johnny Christ estabelece com Wackerman uma eficiente cozinha (como na época de Arin Ilejay). As escolhas visuais também se comprovaram certeiras, resultando no melhor uso do gigantesco painel de LED que reveste o Palco Mundo.
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Para manter a plateia empolgada, M. Shadows chegou a descer no pit para ter contato direto com o público da grade. Rodas se abriam, com alguns fãs carregando sinalizadores de fumaça — tendência que parece ter pegado nos shows de heavy metal e pôde ser vista em diversos momentos ao longo do sábado. Além da abertura, houve outros pontos altos (até previsíveis) em “Afterlife”, “Seize The Day” e “Hail to the King”, mas a apresentação no geral não se comparou à catarse provocada pelo Bring Me The Horizon horas antes. Enquanto os ingleses fizeram um show que não largava a mão do público por um segundo (inclusive a massa que foi ao evento para vê-los era a mais aguerrida), o Avenged foi bastante competente, porém protocolar. Ainda assim, parece ter assegurado seu posto de headliner no festival sempre que houver oportunidade — uma moral gigante para uma banda que, em sua terra natal, não se apresenta em estádios. Dessa forma, o Avenged Sevenfold se aproxima de suas maiores influências — Metallica, Guns N’ Roses e Iron Maiden — em número de participações no Rock in Rio.

Setlist:
- Nightmare
- Magic
- Afterlife
- Shepherd of Fire
- Buried Alive
- Seize the Day
- The Stage
- Hail to the King
- Nobody
- M.I.A.
- Bat Country
- Unholy Confessions
(solo de bateria)
Bis: - A Little Piece of Heaven
Bis 2: - Cosmic
Imagem destacada: Divulgação/Rock in Rio (Crédito: @MorivaFilmes/@AlexWoloc)


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